EUA dificultam exportação de frango do Brasil para o Canadá

da Folha de S.Paulo, em Brasília

Os Estados Unidos adotaram uma medida que inviabilizou as exportações de frango brasileiro para o Canadá, segundo o diretor-executivo da Abef (associação brasileira que reúne os exportadores de frango), Cláudio Martins.

O primeiro carregamento de frango brasileiro para o Canadá não pôde desembarcar e teve de voltar para o país, por causa da decisão dos Estados Unidos.

Alegando que o frango brasileiro corre o risco de estar contaminado pela doença de New Castle, um vírus, os Estados Unidos proibiram que produtores canadenses que comprassem frangos do Brasil exportassem para o seu país, diz Martins.

Como a relação comercial entre os canadenses e os norte-americanos, sócios do Nafta (sigla em inglês para Acordo de Livre Comércio da América do Norte), é intensa, os produtores do Canadá preferem deixar de comprar do Brasil do que deixar de exportar para os Estados Unidos.

Martins afirma que, embora o Brasil não tenha o atestado internacional que declara a inexistência da doença de New Castle no país, há mais de cinco anos não existe registro do vírus. Para exportar para o Canadá, o Brasil também teve de cumprir exigências sanitárias que garantiria que o frango exportado estaria livre de doenças.

No segundo semestre deste ano, o Brasil finalmente havia conseguido fechar um negociação comercial com o Canadá para exportar peito de frango para o vizinho norte-americano. Essa negociação se arrastava desde 1999.

Pelo acordo, o Canadá colocaria o Brasil na lista de países que podem exportar para o seu mercado. Atualmente, o governo canadense estabelece uma quantidade máxima para a importação de frango. A cota é equivalente à 7,5% da produção local. Isso significa cerca de 70 mil toneladas de frango por ano.

Esse é praticamente um mercado cativo dos Estados Unidos, que começaria a ser ameaçado pelos produtores brasileiros. Segundo o diretor da Abef, o Brasil pretendia, no próximo ano, conquistar cerca de 10% desse mercado, que é de US$ 350 milhões anuais. O diretor da Abef se reuniu hoje com o ministro da Agricultura, Marcus Pratini de Moraes, para pedir apoio do governo contra a medida norte-americana.