| Liberdade. Um raro prazer Por Jardel Sebba 16/08/2003 às 11:16 A campanha contra os fumantes transformou o mundo num lugar intolerante Eu fumo, com muito prazer. Há 12 anos, o cigarro é parte fundamental do meu dia. Minhas pequenas rotinas só estão completas depois de algumas baforadas. Não tenho a menor vontade de parar de fumar. O cigarro me concentra, me acalma, me faz companhia, me consola e alivia a minha tensão. Fumar é um prazer. Um prazer destrutivo, inútil e arriscado, alguém há de apontar. Sim, como só os grandes prazeres da vida podem ser. Como caminhar pela cidade de madrugada ou amar uma mulher. Não existe prazer sem risco.
Eu sustento o meu vício, pago meus impostos e consumo um produto legal, regulamentado e taxado. Mas sou tratado como um cidadão de segunda classe em função de um patrulhamento humilhante e abusivo que avança justamente sobre duas coisas que me são tão caras: o cigarro e, em especial, o direito a uma vida menos chata e sem graça. Nos últimos anos, essa esquadra dos bons hábitos transformou o mundo num lugar insuportável. É proibido fumar em avião. É proibido fumar em restaurante. Os maços de cigarro vêm com aquelas imagens ameaçando: ?Se você fumar, eu te pego lá fora?. Basta! Hoje eles proíbem o cigarro, amanhã vão querer banir o açúcar, o café, o doce de coco, a Fanta Uva, o cine-privê dos motéis, até o dia em que todo mundo vai acordar tomando açaí na tigela e fazendo 50 abdominais. Viver mais, assim, para quê? Posso ser acusado de ser um idiota sujeito a câncer de boca e de pulmão, mau hálito, perda dos dentes e impotência sexual. Mas alguém que preza, acima de tudo, o direito de ser o idiota que quiser ser.
A fumaça do meu cigarro incomoda. Mas esse não pode ser um argumento definitivo para que o direito alheio prevaleça sobre o meu. Isso não pode servir para justificar a intolerância, porque há uma convivência possível entre as partes que exige apenas um ambiente arejado e boas doses de bom senso. Se o meu cigarro incomoda, há uma série de coisas que também não me agradam muito, como pessoas que falam sem parar, axé music ou mulheres vestidas em desacordo com a sua faixa etária. Mas parto do pressuposto de que somos adultos o suficiente para sermos ridículos cada qual à sua maneira, falando sem parar, requebrando de modo frenético atrás de um trio elétrico, ou se vestindo de forma caricata. Ou fumando.
?Crianças começam a fumar ao verem os adultos fumando.? É verdade. Mas crianças também começam a agredir quando vêem os adultos agredindo e a beber quando vêem os adultos bebendo. Seria o caso de confinar a realidade que não nos agrada num fumódromo do lado de fora? Ou de educar nossos filhos apropriadamente, para que eles olhem o mundo com o devido juízo de valor? A responsabilidade pelo discernimento do que é certo ou errado das crianças que começam a fumar é de seus respectivos pais. Não é minha, nem da Souza Cruz ou da Phillip Morris. Pouco me importa se o meu filho será fumante ou não-fumante. Me importa, sim, a compreensão que ele vai ter de valores como a tolerância e o convívio com as diferenças. Tão em falta em hordas antitabagistas.
Nas propagandas de cigarro enganam o consumidor. A lei nº10.167, de dezembro de 2000, proíbe a propaganda de cigarro, mesmo sendo este um produto legal. Supostamente para evitar a má influência dessas peças publicitárias sobre os mais jovens. Seguindo esse raciocínio brilhante, seria importante prestar alguns esclarecimentos que, espero, não estraguem o dia de ninguém: energético não faz voar, cerveja não atrai mulher bonita e panetone não reata laços familiares rompidos. Se o governo tem problemas com propaganda enganosa, poderia ter começado a resolvê-los no próprio quintal há três anos, quando lançou uma propaganda desrespeitosa em que a figura de um traficante estabelecia um paralelo absurdo entre o cigarro e as drogas ilícitas. O tráfico de entorpecentes, até onde eu sei, não gera 5,5 bilhões de dólares aos cofres públicos por ano em impostos, dinheiro que, ao que parece, não faz mal à saúde financeira de nenhum Estado.
A partir do ano que vem, de acordo com essa mesma lei, eventos culturais patrocinados pela indústria do cigarro também estarão proibidos. Vistos como meras peças publicitárias (bobagem, todo mundo sabe que o que menos se fumava no Hollywood Rock era cigarro...), festivais relevantes como o Carlton Dance e o Free Jazz estão com os dias contados. Mas festival patrocinado por marca de uísque pode. Há diferença? Claro. No décimo cigarro, você sente um leve pigarro. Na décima dose de uísque, você está sujeito a não ir trabalhar, a bater na mulher, a entrar na contramão... E depois nós, fumantes, é que somos os ignorantes.
>>Adicione um comentário aheuhauhe! é isso o que nos queremos, dar voz aos que nao têm voz.
apesar de adorar aquela suco roxo de açai na tigela branca e nao suportar abdominais estou contigo colegal.
e quando fumar tenta fazer voce mesmo seu cigarro e fuja dessas porra industrializadas tipo marlboro, hollywood, free(!) devem vir altas misturas escrotas naquele farelinho. sem contar que metade de seu dinheiro vai pros cofres federais.
compra cigarros enrolados em palha de milho, além de te deixar muito mais tonto tem menos máquinas em seu processo de fabricacao.
e, na roça, onde as pessoas sao felizes e começam a fumar bem cedo, aos 10 anos de idade (?). o habito de fumar esta ligado ao passar do tempo, ao manejo do fogo na mao e, claro, ao prazer de fazer fumaça.
viva as tradiçoes e as contra-diçoes!  | Eu concordo com voce quando diz que tem o direito de fumar, mas voce nao tem o direito de perturbar aqueles que desejam ter uma vida saudavel! Portanto, se quer fumar, se tranca numa sala, fecha todas as janelas e fica respirando a fumaça pra ver o quanto é gostoso para os outros!! E por mais que voce tente falar, o cigarro nao proporciona nenhum tipo de prazer! O fumante nao fuma por prazer,fuma para saciar um organismo dependente, que gera um mau estar tão grande, quando fica sem cigarro, que obriga o viciado a fumar para aliviar a sua agonia. E só para completar, Se é sabido que o cigarro prejudica as vias respiratórias e pulmões, amarela os dentes e os dedos, altera o paladar e o hálito, agrava os riscos de doenças do coração, pode causar vários tipos de câncer e outras doenças que levam à morte. Além de poluir ambientes, incomodar os outros com a fumaça, ?queimar? dinheiro todo dia e causar dependência para o resto da vida. Só podemos chegar a conclusao obvia de que : TODO FUMANTE É UM PERFEITO IDIOTA!  | Bem escrito, porém equivocado em seus argumentos principais. Basicamente, uma abordagem egocêntrica.  | Não são os não-fumantes, cada vez mais soberanos na sociedade, que estão agredindo a vocês fumantes. A "perseguição" que vocês sofrem cada vez mais implacavelmente, está no fato de que vocês sempre foram os verdadeiros agressores. Sempre que puderam, sacavam um cigarro sem qualquer cerimônia, e começavam a contaminar o ar dos outros, numa postura de "os incomodados que se retirem". Isso sim, sempre foi um desrespeito .
Quanto à outros aspectos, posso concordar com você. O governo é realmente hipócrita quando ao mesmo tempo tenta desestimular o consumo de um produto que lhe gera muitos lucros. Fumar é uma decisão pessoal mesmo, ninguém tem o direito de tentar dimunuí-lo por isso, a saúde é sua.
Mas, convenhamos, se nós dois estivéssemos num elevador, e eu soltasse um nojentíssimo peido na sua cara, você não ia compreender que eu não pude segurá-lo porque as minhas funções intestinais poderiam ficar prejudicadas, não é? Portanto, continue com o seu cigarro, mas longe de mim e dos outros. Esse papo de "apartheid" contra fumantes é conversa fiada, vocês é que sempre desrespeitaram e avançaram nos direitos dos outros. O direito de um termina quando o do outro começa.  | Concordo o autor. Todo fumante agora é discriminado e perseguido. Tudo em excesso faz mal. Fumar (seja lá o que for), Beber, Correr, dormir, trabalhar, estudar, etc. Tudo na medida e no local certo faz bem. Até fumar. a dependencia do cigarro é PSICOLÓGICA e não FISICA
heroína, cocaína, crack etc...(tirando maconha) essas drogas causam dependencia fisica Muito criativos os comentários acerca do texto em evidência! Só devemos salientar que é um texto meramente brasileiro, onde o estado democrático da ampla interpretação a cada leitor,(não sou fumante, nem alcoólatra). Portanto devemos respeitar a opinião alheia, sendo de um víciado ou não, devemos sempre extrair o melhor e passá-lo adiante. Excelente, um verdadeiro atestado de óbito! Bem para os amantes e decadentes fãs do cigarro, posso dizer que foi dito aquilo que estava entalado na garganta. Mas, para áqueles que ainda prezam não respirar a fumaça do outro é um desafio a contra-argumentar. Bem, pode-se dizer que realmente está mais que ultrapassado a maneira de expressar a idéia de que "Fumar causa impotência sexual". Do que adianta alertar se as propagandas são fontes de risos. E porque não legalizar a ervinha, sabendo que ela faz menos mal do que pouco de nicotina na boca, acho que isso é o que faz temer de fato as empresas de cigarro.  | COM CERTEZA FUMAR É UMA ATITUDE DE DEPENDÊNCIA. NESTE MUNDO TODOS SOMOS PECADORES E DE ALGUMA FORMA DEPENDENTES DE ALGUMA COISA OU DE ALGUEM. PENSEM BEM E ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM ACREDITE QUE NÃO PRECISE DE NADA E DE NINGUEM PARA VIVER OU SOBREVIVER FÍSICA OU ESPIRITUALMENTE. APENAS AS PESSOAS QUE FUMAM DEVEM FAZE-LO NUM LUGAR QUE NÃO INCOMODE A NINGUÉM. NÃO É CORRETO JUGAR DE FORMA HUMILHANTE POIS TODOS MERECEM RESPEITO E CONSIDERAÇÃO, POIS SE VIVEMOS EM SOCIEDADE É POR QUE DEVEMOS ACEITAR A DEMOCRACIA ENTRE AS PESSOAS. NÃO SOU FUMANTE.
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