O papel da escola na orientação sobre sexualidade, relações de gênero, estigma e discriminação, direitos homossexuais, história da homossexualidade, família, auto-estima e relacionamento humano serão alguns dos temas abordados no Curso Educando Para a Diversidade que se inicia no próximo dia 15 de maio. O curso, promovido pelo CEPAC (Centro Paranaense de Cidadania) em parceria com entidades governamentais e instituições de ensino superior, visa capacitar os(as) professores(as) do ensino público de Curitiba e Região Metropolitana, para que eles(as) possam tratar de maneira adequada com a diversidade. O objetivo é reduzir a homofobia nas escolas.

Desde o dia 27 de abril, 370 fichas de inscrição (o curso, que contara com quatro turmas, disponibiliza ao todo 120 vagas) foram enviadas ao CEPAC por educadores da maioria das escolas de Curitiba e Região Metropolitana. A procura surpreendeu os organizadores, que terão de estabelecer critérios para selecionar os professores. ?Pelo menos um professor de cada escola será selecionado? afirmou Igo Martini, presidente do CEPAC.

Os parceiros do Centro Paranaense de Cidadania ? Ministério da Educação, Programa Nacional de DST/Aids do Ministéro da Saúde, UFPR, Prefeitura de Curitiba (Secretarias Municipais a Saúde e da Educação), PUC-PR, Grupo Dignidade, Conselho Tutelar de Curitiba ? Regional Matriz e Ciranda ? Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adoelscência, UnicenP e Universidade Tuiuti do Paraná ? na realização do projeto também estão surpresos com o sucesso do curso. A coordenadora do Projeto Conviver e docente da UFPR, Profa. Dra. Araci Asinelli da Luz, convidada a capacitar os professores(as) durante o curso, considera o momento ideal para questões como esta serem trabalhadas: ? O momento atual é extremamente importante no sentido de abrirmos nossos ouvidos para as demandas das escolas quando o assunto é orientação sexual e homofobia no ambiente escolar?, e completa: ?É essencial a participação da UFPR em uma temática relevante como esta (homofobia). O nosso compromisso, no sentido de abrir o diálogo com as escolas e professores será fundamental para a realização deste projeto?, disse Araci.

Para a professora de educação física na Escola Papa João XXIII, Eliana Martins de Oliveira, inscrita no Educando para a Diversidade, o curso irá aprimorar o trabalho que já é realizado por ela e outras educadoras: ?Um trabalho parecido já vem sendo desenvolvido na minha escola. Comecei a trabalhar com esta temática na minha pós-graduação e depois na própria escola. Venho desenvolvendo este trabalho com professoras amigas. Sentimos a necessidade de trabalhar com as questões da sexualidade, auto-estima, princípios e valores, diversidade e o respeito às diferenças. Como entender as pessoas e o ser humano como um todo? E este curso vai nos ajudar bastante com estas questões?.

Parte integrante do Projeto Educando Para a Diversidade, o curso será realizado em dois módulos e quatro turmas. As duas primeiras turmas (Módulo I), serão capacitadas entre os dias 15 a 19 de maio e 05 a 09 de junho.

Números da homofobia no Brasil
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicou em 2000 o estudo Juventudes e Sexualidade, fruto de uma pesquisa em 14 capitais brasileiras, com 16.422 estudantes de escolas públicas e privadas, 3.099 professores(as) e 4.532 mães e pais dos estudantes. O levantamento indicou, entre outros tópicos, que cerca de 27% dos(as) estudantes não gostariam, por exemplo, de ter um(a) colega de classe homossexual, 60% dos(as) professores(as) não sabem como abordar a questão em sala de aula e 35% dos pais e mães não apóiam que seus filhos(as) estudem no mesmo local que gays e lésbicas

Projeto Educando Para a Diversidade
Esses dados comprovaram a existência da homofobia nas escolas do Brasil e alertaram para a necessidade de criar projetos que trabalhem com os temas diversidade e sexualidade desde o ensino fundamental, envolvendo professores(as), pais, estudantes e funcionários(as). Assim, o governo federal, através de ampla consulta com a sociedade civil, formulou o programa Brasil Sem Homofobia e instituiu um grupo de trabalho para acompanhar a implementação das ações no Ministério da Educação (MEC).

Para cumprir as metas estabelecidas pelo Brasil sem Homofobia e abordar questões relativas à identidade de gênero, o MEC aprovou ? e financia ? um conjunto de 15 projetos de todo o Brasil, sendo 12 de organizações não-governamentais e três de universidades, visando colocar em prática as ações do Brasil Sem Homofobia junto a profissionais do ensino público. No Paraná, um dos projetos selecionados foi o Educando para a Diversidade, executado pelo Centro Paranaense da Cidadania (CEPAC).

O objetivo principal do projeto é capacitar os(as) educadores(as) do ensino público de Curitiba e Região Metropolitana, para que possam trabalhar de maneira adequada, no cotidiano escolar, temas como a orientação sexual e identidade de gênero, reduzindo assim, a homofobia no ambiente escolar.

O que é homofobia
Homofobia é o medo, a aversão ou o ódio irracional aos homossexuais, pessoas que têm atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo sexo. É a causa principal da discriminação e violência contra homossexuais.

Em paises heterossexistas como o nosso, ou seja, paises que suprimem os direitos dos homossexuais, a homofobia é um sentimento comum, tido com normal. Somente no Brasil, ela é responsável direta pelo assassinato de 2.403 gays, lésbicas e travestis nos últimos 20 anos. Sendo 120 destas mortes ocorridas no estado do Paraná. Fonte: GGB (Grupo Gay da Bahia)

A homofobia pode ser clara como nos exemplos citados pelo estudo da UNESCO ou velada, envolvendo a discriminação na seleção de um emprego, locação de imóveis, escolha do médico, dentista, etc. Qualquer que seja a manifestação, a homofobia inevitavelmente leva a injustiça e à exclusão social de quem a sofre.


Dicas de entrevista:

Toni Reis
Sexólogo e Consultor do Projeto Educando Para a Diversidade
(41) 9602 8906 / 3222 3999

Igo Martini
Presidente do CEPAC
(41) 9602 5984 / 3232 1299

Angeline Grubba
Conselho Tutelar de Curitiba ? Regional Matriz
(41) 3264-4404 / 9196-7422

Dra. Julia Cordelini
Coordenadora do Programa Adolescente Saudável da Prefeitura Municipal de Curitiba
(41) 3333 1818 / 8438 0477

Dra. Darci Bonetto
Especialista em adolescentes, docente da PUC-PR
(41) 3372 2770 / 9976-7849

Dra. Araci Asinelli da Luz
Coordenadora do Projeto Conviver, do setor de Educação da UFPR
(41) 3360-5065 / 9138-9199