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| | ENTREVISTA: MARIA AUGUSTA TIBIRIÇÁ Por Bruno Zornitta, www.fazendomedia.com 25/11/2006 às 03:00 Presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional e autora do livro "O Petróleo é Nosso - A luta contra o 'entreguismo', pelo monopólio estatal" Cheia de energia e com uma clareza de pensamento invejável, Maria Augusta Tibiriçá Miranda completou neste mês 89 anos, a maior parte deles dedicados à luta em defesa do monopólio estatal do petróleo e da Petrobrás. No final da década de 40, Maria Augusta participou da fundação do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e, a partir de então, se engajou na campanha "O Petróleo é Nosso", o maior movimento de massas da história do Brasil. Anos mais tarde, em 1983, publicou o livro "O Petróleo é Nosso - A luta contra o 'entreguismo', pelo monopólio estatal", reeditado em 2004 pela Petrobrás, na comemoração dos 50 anos da empresa. Livro este que dedica aos filhos, nascidos em meio à campanha - os "derivados do petróleo", brinca. Hoje, Maria Augusta é presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon), e continua trabalhando pela soberania do país: "Repito a frase de Barbosa Lima Sobrinho: enquanto me restar lucidez e vida eu estarei lutando".
A senhora dizia que a Petrobrás é uma empresa muito singular. Poderia explicar essa idéia?
Sim, a Petrobrás foi criada pela maior página da história do Brasil, a campanha "O Petróleo é Nosso". Foi uma campanha que mobilizou os brasileiros, de norte a sul, rigorosamente. Uma mobilização tão grande, que conseguiu vencer as multinacionais. Começou com as palestras no Clube Militar. Horta Barbosa, em duas memoráveis palestras, em julho e agosto de 1947, lançou a tese do monopólio estatal. Os estudantes, UNE e UBES, logo aderiram. O general Dutra mandou para o congresso, no dia 11 de fevereiro de 48, o Estatuto do Petróleo, que era do maior entreguismo, completamente anti-patriótico. Isto ajudou o povo a se mobilizar. No dia 4 de abril de 1948, no auditório do 9º andar da ABI [Associação Brasileira de Imprensa], houve um grande ato da Liga Antifascista da Tijuca, e o secretário geral, professor Henrique Miranda, lançou o Centro Nacional de Estudos e Defesa do Petróleo, que depois se ampliou para "e da Economia Nacional", para congregar todos os movimentos que já se faziam. No dia 21 do mesmo mês, houve o grande lançamento, no Automóvel Clube do Brasil. A partir desse momento, começaram a se formar outros núcleos, nos estados. Em julho, primeiro mês nacional pelo petróleo, nós tivemos 21 comícios no Rio e 7 ou 9 conferências. Em São Paulo, 31 comícios e 29 conferências. O comício de lançamento, aqui no Rio, lotou a Praça do Russel, que era um espaço vazio, que permitia os comícios. Quando havia um grande motivo, fazíamos uma convenção nacional, precedida de congressos estaduais e conferências municipais. Então, por exemplo, contra o Estatuto do Petróleo: a convenção nacional foi em outubro de 1948. E foi um movimento grandioso, pois vieram delegações de todo o país. O movimento no Centro era diário, da manhã até meia-noite. Nesse ritmo, a campanha durou oito anos. A segunda convenção foi feita em 5 de julho de 1951, com esse mesmo processo. Nesta convenção, o clima já estava de restrições das liberdades democráticas e pretendiam fechar os Centros de Petróleo. Houve violência, mas conseguimos barrar a pretensão de fechar os Centros. Depois, em 5 de julho de 1952, Getúlio já havia tomado posse e mandado, em dezembro, o anteprojeto nº 1516, contendo dispositivos muito entreguistas também. Então, nós fizemos ao contrário: uma convenção nacional, seguida de quatro congressos regionais. Na época da votação do projeto de criação da Petrobrás, mandado por Getúlio, fizemos um outro congresso aqui. Isso fez com que Getúlio chamasse um elemento de cada partido, que era o embrião da frente parlamentar nacionalista, para dizer que a campanha tinha vencido e que ele propunha um acordo. E o acordo foi feito nos termos em que saiu a Lei 2004 depois. Ele queria que mantivesse o nome Petrobrás. Nada a opor. Ele queria que mantivessem as refinarias particulares, que nós combatíamos. Houve concordância, desde que não pudessem ser ampliadas. E não foram, até a quebra do monopólio estatal, com Fernando Henrique Cardoso. E que tirassem as sociedades organizadas do país, que era um ponto altamente vulnerável. E que houvesse monopólio na pesquisa, lavra, refinação... Ele só deixou de fora o transporte, que até hoje é um maná [ganho valioso obtido sem muito esforço], porque não há risco nenhum e dá muito dinheiro. Esse projeto subiu para o Senado, ganhou emendas, e voltou para a Câmara. Houve a votação, derrubaram as emendas do Senado e prevaleceu o acordo. Então, Getúlio assinou a Lei 2004 em 3 de outubro de 1954. Foi assim que surgiu a Petrobrás. Uma coisa que eu quero salientar é que no dia em que foi assinada a Lei 2004, o Centro de Estudos e defesa do Petróleo e da Economia Nacional fez um manifesto, assinado pelo presidente Felicíssimo Cardoso, concluindo: "Ao mesmo tempo em que nos regozijamos pela vitória alcançada, queremos lançar um brado de alerta. A campanha do petróleo prossegue, pois o inimigo ainda voltará à investida". E voltou.
Gostaria de saber a opinião da senhora a respeito das licitações de petróleo e gás, que vêm sendo realizadas desde a quebra do monopólio estatal, em 97.
Nós conseguimos varar a Constituinte, derrubando os contratos de risco e estabelecendo a ordem econômica da Constituição de 1988, num movimento coordenado pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), presidido por Barbosa Lima, com muitas entidades. Depois disso, continuamos sempre tendo que defender a Petrobrás. No governo Fernando Henrique, ele mandou um projeto para a Câmara e o deputado Eliseu Resende apresentou um substitutivo piorado, que foi aprovado em 97 [Lei do Petróleo, Nº 9.478/97]. O Eliseu Resende conseguiu derrubar o monopólio estatal em uma linha. Ele fez um projeto inconstitucional. Tanto que o governador do Paraná, Roberto Requião, moveu uma ação de inconstitucionalidade, que o relator deu um parecer maravilhoso, mas o presidente do STF [Superior Tribunal Federal], Nelson Jobim, derrubou. A Constituição ainda diz que o petróleo é monopólio da União, mas a Lei do Petróleo diz que a companhia que descobrir o petróleo passa a ter a propriedade dele e pode fazer com ele o que quiser, inclusive exportá-lo. É o que está acontecendo nas licitações.
Qual a importância de atingir a auto-suficiência em petróleo nesse momento?
Imagine para nós que estávamos lutando desde o primeiro dia pelo monopólio estatal do petróleo e pela sua executora, a Petrobrás, como é ver a auto-suficiência. Essa auto-suficiência prova que a nossa tese era justa. Mas, veja bem, não é só alcançar a auto-suficiência, é preciso mantê-la. Nossa demanda interna, se o Brasil cresce, é claro que vai crescer. E a Petrobrás, agora em março de 2006, publicou nos jornais uma notícia - se não me engano dia 16 - dizendo que no mundo inteiro há uma diferença muito pequena entre a demanda e a produção de petróleo. Então, veja, a América do Norte e outros países têm reservas para muito pouco tempo e eles querem as nossas reservas, que são estratégicas e necessárias para o Brasil. Se nós estamos na nossa auto-suficiência e começarmos a exportar, nós poderemos quebrar essa auto-suficiência. Nós vamos precisar de petróleo para o nosso desenvolvimento quando ele já estiver mais escasso e, por isso mesmo, muito mais caro no mundo, coisa que é prevista para não muito longe. Nós teremos que importar a preços exorbitantes aquele petróleo que exportamos. O que eu afirmo é que é preciso manter a auto-suficiência. E eu não vejo como manter a auto-suficiência exportando petróleo.
Hoje, 68% das ações da Petrobrás estão nas mãos de empresas privadas, sendo que 49,5% dessas ações estão em poder de investidores estrangeiros. Quais são as conseqüências disso para a sociedade.
Olhe, jovem, o general Felicíssimo avisou que o inimigo voltaria à investida. E veio de todas as maneiras. Eles já começaram - a gente dizia, à época - a derrubar a Petrobrás "pelas beiradas". Eles privatizaram o setor petroquímico, petrofértil, que em todas as grandes companhias é agregado ao núcleo central. Depois, essa venda parcelada, foi uma forma de privatizar por dentro a Petrobrás. Nós estamos brigando e vamos continuar a brigar enquanto vivos formos. Eu repito a frase de Barbosa Lima Sobrinho: enquanto me restar lucidez e vida eu estarei lutando. Eu só não tenho o compromisso de viver 103 anos, como ele. Isso eu não prometo! A Petrobrás corre um grande risco. Quando eu escrevi a primeira edição do livro "O Petróleo é Nosso", eu dizia que lutava pelo país e por meus filhos também. Porque as mães do Irã estavam chorando. O Mossadegh havia estatizado o petróleo e depois o traidor Reza Pahlevi foi posto no lugar. Então, houve a luta no Irã. Quer dizer, depois que a multinacional se instala é muito mais difícil expulsá-la. E aí eu dizia: luto também por vocês. Nós lutamos pelo Brasil, para que a Petrobrás dê condições de haver saúde, educação, tudo o que necessitamos, porque petróleo é rentável e seria uma grande estatal para trazer dinheiro, como trouxe, para o Brasil. Ainda mais agora, que estamos na auto-suficiência. O Eliseu Resende sabia da importância da Lei 2004 para o povo. Ele estabeleceu uma porção de coisas no projeto e, na última linha, ele disse: ficam revogadas as disposições em contrários e a Lei 2004. Assim, como quem fala depressa! Ele derrubou a lei inteira! Então, você veja que a situação hoje é grave, é séria, e nós estamos lutando muito para defender a Petrobrás dentro do lema que nós criamos na época: a Petrobrás é intocável.
Como a senhora vê a cobertura que a mídia faz dessas licitações do petróleo brasileiro?
Foster Dulles, secretário de Estado no tempo de Eisenhower, disse que há duas maneiras de se conquistar um povo: pela luta armada ou financeiramente, economicamente. E eles, inteligentemente - para o lado deles - escolheram esse último caminho para nos dominar. A primeira trincheira que eles ocuparam foi a mídia. Anúncios volumosos, enfim, puseram a mídia dependente deles. Eu li outro dia, de queixo caído, O Globo dizendo que nós conseguimos a auto-suficiência pela quebra do monopólio estatal. Pelo amor de Deus! É uma dessas coisas que assustam até criancinha. E outra coisa, também dizendo que para combater a corrupção só as privatizações. Meu Deus! Justamente para compensar o que a mídia amarrada a essas multinacionais está trazendo, a orientação da grande mídia, tem que haver imprensa alternativa. Durante a campanha do petróleo, houve um jornal que teve uma grande atuação, o Emancipação. Foi o órgão da campanha. Quando eu vi que eu tinha muita documentação sobre a campanha, me senti no dever cívico de não morrer antes de escrever esse livro. Eu pensei, preciso deixar gravado para a história do Brasil realmente o que foi a campanha do petróleo, porque o que a mídia desvirtuava era uma coisa fantástica. Diziam que era uma campanha comunista - tinha comunistas na campanha, assim como tinha diversos grupos. Um dia, num Congresso, chegou um cidadão e disse: "Olha, eu sou integralista. Mas eu sou pelo monopólio estatal do petróleo". Mas é pelo monopólio estatal do petróleo? Entre, nós somos suprapartidários e congregamos todos os brasileiros que lutam por essa bandeira. Então você veja o que é a mídia. Depois que o Getúlio assinou a Lei 2004, a campanha udenista, lacerdista, caiu em cima dele e o levou ao suicídio.
URL:: http:// >>Adicione um comentário Os que acreditam que o povo brasileiro construiu a sua história sem guerras, revoluções, motins, rebeldias, resistências, equivocam-se. Nosso solo foi batizado com sangue. Do índio, negro e branco, mesclados nas heróicas e sangrentas lutas de seus antepassados.
A ?Abolição? não é simples e puro fruto de interesses ingleses, como faz acreditar reacionários historiadores. Foi luta ensangüentada de negros e brancos esclarecidos. Representados pela cabeça de Zumbi dos Palmares cortada por André Furtado de Mendonça e exposta em Recife a 20 de novembro de 1865.
A Independência do Brasil não foi dádiva de D.Pedro I, não foi um grito às margens do Ipiranga. Foi o cume de lutas populares: da ?Conjuração Mineira?, da ?Conjuração Baiana?, da ?Revolta Pernambucana?. Tiradentes daria dez vidas se as tivesse pela liberdade do Brasil, e outras milhares foram oferecidas pelo mesmo objetivo.
A República também não surgiu de repente. Não podemos esquecer o papel relevante dos Clubes Republicanos e toda efervescência positivista ao longo da história.
A Luta do ?Petróleo é Nosso? se insere no contexto das grandes e aguerridas lutas: greves, passeatas, protestos, prisões. Na Praça Marechal Floriano, no Rio de Janeiro, após a solenidade realizada na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), ao ter sido instalada, a 1ª Convenção de Defesa do Nosso Petróleo, foi acatada a sugestão de se depositar as flores que ornavam o Congresso, no pedestal da estatua de Floriano Peixoto.Assim, os participantes da reunião seguiram para a praça.Ali estava o povo, acompanhado de vários generais, oficiais das três armas, deputados federais, vereadores, jornalistas. Somavam mais de trezentos cidadãos. Quase ao findar do ato, a truculência da polícia especial revelou-se. Tentavam atingir, em especial, as lideranças. Não faltaram granadas, tiros e bombas de gás lacrimogêneo.
O General Horta Barbosa se referindo ao incidente afirmou: - ?O que houve na Praça Floriano é ainda o prelúdio do que vai suceder (...).? E foi mesmo! Os poderosos grupos internacionais, na tentativa de sangrarem o subsolo, não têm escrúpulos. Não lhes importa o sangue dos patriotas, dos inocentes. Subornos, golpes aos governos legitimamente constituídos, guerras declaradas e as não declaradas são suas armas ? o ouro negro tem que lhes pertencer, esteja em que nação estiver.
Por quê? Monteiro Lobato explica: ?o petróleo é o sangue da terra; é a alma da indústria moderna; é a eficiência do poder militar; é a soberania; é a dominação. Tê-lo é ser Sésamo abridor de todas as portas. Não tê-lo é ser escravo?. Euzébio Rocha completa a explicação: ?Um país que controla as atividades petrolíferas poderá ser poderoso e rico; sem petróleo, será necessariamente dependente e pobre - O Petróleo decide do desenvolvimento de um país, na paz e da vitória na guerra - O Petróleo é o motor do mundo ? O conflito do golfo pérsico evidencia a importância decisiva do petróleo no destino dos povos _ Ceder petróleo é ceder soberania ? Petróleo não dá segunda safra.?
Euzébio Rocha eleito deputado federal constituinte, em 1946, com 27 anos, idealista e nacionalista. Amando o seu povo acima de tudo. Já entendera a relevância do petróleo. Iniciara uma luta, ainda nos bancos escolares do Colégio Militar e só parou, quando o seu coração silenciou. A cada investida do capital internacional e dos seus lacaios, surgia um livro, um pronunciamento. Incansavelmente percorreu o nosso país denunciando a traição e criando uma consciência nacionalista.
Entretanto, a sua luta não foi só em defesa do nosso petróleo. Não houve uma só questão de interesse nacional que Euzébio Rocha não participasse ou liderasse ? Denunciou a Light (empresa de energia elétrica) e exigiu a sua nacionalização; lutou pelos Minerais Atômicos; pela Energia Nuclear; Contra o Acordo de Roboré; pela Soberania do Mar Territorial de 200 Milhas; pela Nacionalização dos Bancos de Deposito; contra a Internacionalização da Amazônia; contra o Acordo Militar Brasil e EUA; por salários justos para o povo, e conseguiu que o adicional de periculosidade fosse aprovado. Lutou, também, contra os ?vendilhões? da pátria. Sua trincheira também era nas Comissões Parlamentares de Inquérito. Ousou denunciar Assis Chateaubriand, dono da maior rede de jornal daquela época e servo dos interesses internacionais. Combateu o Golpe Militar de 1964, sem medo da repressão: editou,em julho de 1965, o jornal Brasil Semanal com Oswaldo Costa, outro patriota. Lançou em pleno ato institucional nº 2 o livro: ?Brasil Pais Ameaçado e o Acordo de Garantias?. Sonhava com um Brasil livre e emancipado, oferecendo aos brasileiros justiça social e igualdade de direitos.
Não quero relembrar a atuação de Euzébio Rocha só pelos sentimentos da filha saudosa. Quero lembrá-lo também pelo depoimento de lideranças políticas que atuaram naquela época. Vou iniciar pelo artigo do jornalista L.S. Costa, do jornal O Mundo. (10.10.48) se refere ao incidente, já citado, ocorrido na Praça. Marechal Floriano.
- ?Eis Um Homem?: ?(...) pequeno e franzino, quem não o conhece e pela primeira vez o vê, não dá coisa alguma por ele?. Mas quem o viu defendendo seus concidadãos compreenderia o quanto ele se elevou ao conceito popular. Primeiro exibindo suas credenciais como deputado federal, que hierarquicamente o coloca muitas vezes acima do mais digno especialíssimo policial _ (...) não sendo atendido ? pelo contrário, desrespeitado ? atracou-se com o próprio pseudo-mantenedor da ordem, muitas vezes mais forte fisicamente e armado até aos dentes (um verdadeiro peso pesado), conseguindo impedir que continuasse descarregando seus recalques sobre um popular indefeso (...) e ainda no Pronto Socorro, ele se agigantou, no desprendimento de si próprio, amparando os feridos ? não obstante ele fosse um deles ? e reagindo a insolência policial. Compatriotas, não sou político nem pretendo sê-lo. Vivo do trabalho e sempre hei de viver. Mas, amo a verdade, a justiça e o mérito e por isso mesmo,concito-vos a bradar comigo: Viva o deputado Euzébio Rocha!
O escritor Gondin da Fonseca, grande referência sobre problemas nacionais, no seu livro: ?Que Sabe Você Sobre O Petróleo?, afirma: ?devemos lisamente declarar, por ser verdade, que sem Getúlio Vargas e sem Dutra (vivamente combatidos ambos) e sem a clarividente cooperação do Congresso nacional, onde homens como Arthur Bernardes, Alberto Pasqualini e Euzébio Rocha se sagraram, para sempre, beneméritos da pátria ? a Petrobrás não teria surgido e a Standard dominaria o Brasil?.
Presidente Arthur Bernardes ofereceu o seu retrato: ?Ao jovem Euzébio Rocha, a quem o Brasil deve inomináveis serviços na defesa da sua maior riqueza, que é o petróleo, com admiração e estima de Arthur Bernardes? (Rio 19.11.1952).
Presidente Getúlio Vargas ofereceu-lhe uma fotografia (os dois juntos): ?Ao inteligente e esforçado deputado trabalhista Euzébio Rocha? (30.05.950).
Vice-Presidente Aureliano Chaves: ?A vida de Euzébio foi marcada pela luta em defesa da nação?
Em 1953, Euzébio Rocha após a aprovação da Lei nº. 2004 do ?Monopólio Estatal do Petróleo (03.10.53), recebeu do General Estilac Leal, um dos baluartes da luta pelo ?Petróleo é Nosso,? o seguinte telegrama: ?Deputado Euzébio Rocha, Parabéns! brilhante vitória tese nacionalista de Monopólio adotada na Constituição da Petrobrás pela qual se bateu como denotado campeão o ilustre amigo. Estilac Leal.?
Historiador Nelson Werneck Sodré: ?Nós nos espelhamos no exemplo de Euzébio Rocha para seguir a luta.?.
General Andrada Serpa: ?É comovente a vida de dedicação ao Brasil desse homem singular?.
Deputado Federal Aldo Rebelo: ?Euzébio Rocha, ex-Deputado Constituinte de 1946, foi desses brasileiros que dedicou sua vida aos interesses do Brasil (...) autor do Substitutivo que deu origem a Petrobrás, verdadeiro orgulho nacional?.
Deputado Federal Almino Affonso: ?Na História da implantação da indústria do petróleo em nosso País são muitas personalidades a serem enfocadas. Mas, nesse quadro é irrefutável o destaque com que Euzébio Rocha deve ser homenageado ? pela batalha decisiva que soube travar,quando ainda jovem Deputado Federal, ao apresentar a proposta substitutiva que configurou o monopólio estatal do petróleo; assim como pela luta incansável a que continuou se entregando, em defesa da ?Petrobrás?, com o mesmo denoto de sempre, até que a morte o arrebatasse do nosso convívio?.
Deputado Federal Eduardo Suplicy: ?Euzébio Rocha foi um brasileiro que dignificou, com o exemplo de sua vida, a Nação brasileira.?
Deputado Federal Neiva Moreira: ?Euzébio foi um patriota 24 horas por dia. Foi uma referência patriótica no Congresso e no Brasil inteiro (...) o exemplo que deixou é o compromisso pela soberania do Brasil. Com o trânsito que tinha junto ao presidente Vargas ele conseguiu fazer vitoriosos os princípios que norteiam a política do petróleo no Brasil.?
Deputado Federal Sérgio Magalhães: ?nada melhor sobre Euzébio Rocha do que as seguintes palavras de Barbosa Lima Sobrinho, outro grande batalhador das causas nacionalistas:? mas a razão principal do seu êxito (Euzébio Rocha) esta que ele estuda a sério os problemas, aprofunda-se neles, impulsionado por um ardente patriotismo e um idealismo tão sincero, que contagiam os que escutam, e não podem deixar de admirar nem o seu entusiasmo, nem o desinteresse pessoal em que serve às causas do Brasil. É preciso não ser brasileiro ou não sentir as coisas como brasileiro, para ficar indiferente a força persuasiva dos seus argumentos.?
Maria Augusta Tibiriçá, símbolo da luta da mulher brasileira: ?conheço Euzébio Rocha desde 1948 quando iniciamos a luta pelo ?Petróleo é Nosso?. E batalhamos juntos até hoje. O que mais admiramos nele é a coerência de vida, o entusiasmo como sempre se jogou na luta. O estimulo que ele nos deixa é a paixão pelos jovens, nos quais sempre viu continuadores.?
O Clube de Engenharia do Rio de Janeiro homenageou Euzébio Rocha, nele simbolizando as lideranças que conduziram a grande luta pelo ?Petróleo é Nosso?. Autor do substitutivo que definiu o Monopólio Estatal do Petróleo.
Euzébio Rocha, homenageado pelos cientistas brasileiros. Comissão Nacional de Energia Nuclear, Comissão Nacional de Energia Atômica, Instituto de Pesquisas Radioativas e Instituto de Energia Nuclear. 1962.
Hélio Duque: ?Em Curitiba, o apóstolo do desenvolvimento do Brasil. O ex-deputado Euzébio Rocha foi o autor dos dois importantes projetos na política mineral brasileira. Em 1948, ele propôs a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear, com objetivo de impedir o contrabando das areias monazíticas (...) Em 1952, foi autor do substitutivo a Lei do Monopólio Estatal do Petróleo.?
Federação Única dos Petroleiros ? Moção póstuma ao Prof. Euzébio Rocha: ?Em qualquer momento da vida do Professor - de saudosa memória -, que qualquer brasileiro deseje examinar, encontra-se a decisão, o conhecimento, a firmeza e, envolvendo tudo isto, o caráter inamoldável senão na defesa dos interesses de sua Pátria. Euzébio Rocha era dotado de aguda consciência social, que o colocava contra a opressão, a tirania, a injustiça e qualquer ditadura. (...)?
Muitas e muitas outras personalidades de grande participação nas lutas nacionalistas se manifestaram sobre meu pai. Sinto-me injusta por não citá-las.
Euzébio Rocha partiu dois anos antes da quebra do ?Monopólio Estatal do Petróleo, 31.03.95?. Horas antes do seu falecimento, levantou-se e deixou a mensagem que um companheiro solicitava. Foi seu derradeiro alerta a pátria ameaçada: ?O Neoliberalismo é o superado Passado tornando-se uma ignomínia presente. É a tentativa suprema de confundir a nação. A pátria vencerá! Unidos pela Salvação do Brasil! O povo vencerá inapelavelmente.?
Euzébio Rocha estava certo! E o governo de traição nacional de FHC começou a mostrar suas garras, em nome de uma falsa modernidade, entregou aos interesses internacionais tudo o que eles queriam. As mais vergonhosas negociatas foram implementadas, nem conquistas históricas permaneceram.
A quebra do ?Monopólio Estatal do Petróleo? foi articulada, a partir de enganosa e massiva propaganda. O circo foi armado contra a nossa empresa-símbolo. ? Em 1997, o Monopólio Estatal do petróleo foi anulado. FHC cumpriu sua promessa às transnacionais e ao governo norte americano. Entretanto, transformou-se para sempre no governo de traição nacional.
A campanha contra a Petrobrás continuou: a falta de investimento, a terceirização dos serviços. Sentíamos o sucateamento da empresa, com o objetivo maior de desmoralizá-la para privatizá-la. Lembrava-me das palavras de meu pai, sempre em alerta combatendo, mas sempre confiante:
?A Petrobrás se tornará mais forte do que os vendilhões da pátria e superará as traições. Os homens passam as idéias ficam...?
E o governo Lula chegou marcando uma nova era, apesar de todas as ?amarras? deixadas. Reconhecemos as limitações, contudo, enxergamos a vontade política na defesa dos interesses nacionais e da nossa gente.
A Petrobrás resistiu!É hoje a 10ª maior empresa do mundo. Atualmente, prestes a atingir a auto-suficiência em petróleo, a campeã em prospecção de petróleo em águas profundas.Sua receita anual líquida atingiu 95,743bilhões de Reais. Seu lucro foi de 17,795 bilhões de Reais. Seu investimento bruto atinge 18,485 bilhões de Reais. Patrocinadora de grandes eventos e projetos intelectuais, esportivos, educativos, em defesa da infância, do meio ambiente e da nossa fauna (...).
Os patriotas continuam a lutar pelo restabelecimento do Monopólio Estatal do Petróleo. Euzébio Rocha vive nessa luta e em outras, vive também no exemplo que nos legou. AYALA ROCHA
 |  |  |  |  | Entrevista - 07/05/2008 AMAZONIA: Proposta do jornalista Samuel Saraiva pede ações urgentes para garantir soberania nacional na região.
By: CHICO ARAÚJO e MONTEZUMA CRUZ Brasilia/Washington DC --Saraiva, na frente da sede do Departamento do Tesouro Estadunidense
Brasilia/Porto Velho/Washington --O brasileiro Samuel Saraiva, ainda é um sonhador. Mora há 16 anos em Washington DC. Militou no extinto Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e no PDT, do qual foi fundador do primeiro diretório regional em Porto Velho (RO), quando o secretário-geral Jurista Antonio Osman de Sá participou da sigla. Foi suplente de deputado federal pelo PMDB. Prestou assessoria na Câmara dos Deputados e semanalmente encaminhava farta correspondência a jornalistas, advogados, estudantes e intelectuais em Rondônia. Cursou Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB) e rumou para os EUA, onde se tornou membro da Associação de Jornalistas Hispânicos na capital americana.
Existe um nó entalado na garganta de Saraiva e a Agência Amazônia decidiu desatá-lo. Bastou lembrá-lo, no calor das atuais discussões sobre soberania amazônica: seu Projeto Transfronteira, apresentado e rejeitado no Congresso. O projeto originou uma publicação editada em 1989 pelo Parlamento Latino-americano.
Na época, durante o governo Sarney, ele fez de tudo para apresentar a idéia aos poderes. Conseguiu, mas não passou daí. O Transfronteira destinou-se a assentamentos, pontilhando paralelamente toda faixa internacional de fronteira. Cada agrovila estabelecida a uma distância média de 100 quilômetros serviria para a utilização não apenas para integração com os respectivos países limítrofes, mas para desenvolvimento. ?Os recursos para desenvolver e preservar serão infinitamente menores que seu preço. Não custa dizer que a soberania nacional da Amazônia não tem preço?, arguenta.
Aprovada por unanimidade em todas as comissões temáticas da Câmara dos Deputados, a proposta cresceu. E foi só. Em seguida, parou no arquivo, no final da 49ª legislatura.
Desgostoso, Saraiva mudou-se para os EUA. Mas os ideais persistiram, denotando a sua preocupação com o destino da Amazônia. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Agência Amazônia ? O então senador Ney Suassuna votou contrariamente ao projeto propondo a Transfronteira. Quem perdeu com isso? Samuel Saraiva ? Penso que a importância estratégica do projeto de lei recomendaria que seu relator fosse um amazônico ou alguém com profundo conhecimento da região, ou ainda com ainda com notável saber sobre economia, que evidentemente não foi o caso. Classifico como ridículo, injusto e irresponsável que a decisão tenha posto a perder vários anos de consulta a setores do Estado e a segmentos representativos da sociedade, além de centenas de horas de debate e estudos por dezenas de congressistas que discutiram exaustivamente o tema antes de aprimorar e aprovar o texto e aprová-lo naquelas comissões temáticas. O governo gasta fortunas com os programas assistencialistas, dando o peixe sem ensinar a pescar. Poderia, se quisesse, arranjar dinheiro sim pra esse projeto, até porque não seria obrigatório fazer tudo de uma vez só e a iniciativa privada seria atraida com incentives para implementacao do plano global proposto. O assentamento deve dar-se a longo prazo, bastando um cronograma e uma meta, por exemplo, 10 anos. Esse monte de gente do MST que briga por terras já desbravadas, com cerca, de preferência com plantação ou gado dentro, e sempre perto dos grandes centros urbanos poderia ser assentada nessas áreas de fronteiras construindo o que sempre desejaram.
Fale da importância desse projeto. Parece que na época muitos parlamentares o apoiaram? O significado e a importância do Projeto Transfronteira era latente no Parlamento. Foi apresentado requerimento de urgência para votacão em Plenário, avalizada pela assinatura de mais de uma centena de deputados federais representantes de todos os estados brasileiros e partidos políticos (23/06/89 ? Plenário ? PL No.1.831/89). A incapacidade intelectual, ou de raciocínio comum do senador Suassuna evidenciou-se em seu parecer quando afirmou que não havia dinheiro para viabilizar o projeto. Esqueceu-se o senador paraibano que o valor patrimonial da Amazônia por si indica que os recursos para desenvolver e preservar serão infinitamente menores que seu preço. Não custa dizer que a soberania nacional da Amazônia não tem preço. E vou além: a vida dos nossos índios, metralhados por madeireiros e mercenários também não tem preço. Parece ter escapado à memória do ilustre senador que os bandeirantes, em condições totalmente adversas, em um ambiente hostil, ousaram conquistar para o Brasil uma grande faixa de terra além dos limites estabelecidos pelo tratado de Tordesilhas. Não houve dinheiro público naquele empreendimento. Houve sim, valor moral, responsabilidade e, sobretudo o desejo de engrandecer territorialmente o país e desfrutar das potenciais riquezas naturais. Para o cúmulo da minha frustração, tomei conhecimento de que o tal senador foi alvo de escândalo, no qual colocaram sob suspeição sua própria moralidade. Pelo que se sabe, os estudos do Projeto Transfronteira antecederam aos do Calha Norte. Qual a diferença entre um e outro? Logo após as eleições de 1982, ainda processando o insucesso de não haver alcançado a titularidade do cargo de deputado federal, decidi que não poderia alienar-me em meus ideais nacionalistas. Não havia razão para me desiludir. Então, comecei a pensar na realidade amazônica, e dei início à elaboração de um texto inicial. Iniciei as consultas em 23 de maio de 1986, 22 anos atrás. Encaminhei o resultado do trabalho ao então presidente da República, José Sarney. O Projeto Calha Norte, inspirado na doutrina militar e específico à Calha da fronteira amazônica. O Transfronteira destinou-se a assentamentos, pontilhando paralelamente toda faixa internacional de fronteira, de forma que cada agrovila estabelecida a uma distância média de 100 quilômetros serviria para a utilização não apenas para integração com os respectivos países da fronteira, mas para desenvolvimento.
Tem a ver com a vocação econômica da região? Isso. Demonstrei que era preciso considerar a vocação econômica de cada área. Essas agrovilas ofereceriam gratuitamente às Forcas Armadas uma infra-estrutura militar magnífica, além de possibilitar a interação das Forcas Armadas com a população nacional, dando muito mais substância e força no cumprimento do dever constitucional de responsabilidade militar. Não apenas os índios poderiam receber treinamento, mas também seria facilitado o recrutamento de soldados nas próprias agrovilas. Acho o calha Norte necessário, emergencial, mas a disponibilidade de recursos e infinitamente incondizente com a demanda por segurança. O Projeto Transfronteira ampliaria as possibilidades e facilitaria a consecução de objetivos filosóficos nacionais permanentes perseguidos pelas autoridades militares. E os militares apoiaram? No parecer técnico-militar (nº 020-SA-2.3 de 13 de janeiro de 1888), firmado pelo general-de-brigada Benedito Onofre Bezerra Leonel, o Ministério do Exército assim se manifestou: ?Acolhendo proposta do Estado-Maior do Exército, o Ministério do Exército é de parecer favorável ao projeto denominado Transfronteira. Outros pareceres favoráveis se somaram a esse a exemplo do emitido pelos ministérios do Interior, da Reforma e Desenvolvimento Agrário, Secretaria Geral do extinto Conselho de Segurança Nacional, o Ministerio das Relacoes Exteriores e Estado Maior da Aeronáutica. (Os documentos que constam do livro editado pelo Parlamento Latinoamericano e publicado pela Coordenação de Publicações da Câmara dos Deputados em 1989).
De que maneira esse projeto contempla o processo de integração com os países que compartilham a fronteira amazônica? A proposta prevê a interligação dos respectivos sistemas viários, aproveitando os já existentes: rodovias, ferrovias e sistema fluvial. O próprio traçado da rodovia Transfronteira dar-se-ia a partir dos estudos que iriam indicar o meio mais adequado e menos impactante para o sistema ambiental. Não se pode abrir mão do progresso necessário ao nosso desenvolvimento econômico-social, mas devemos ser extremamente cuidadosos para não agredir irresponsavelmente esse sistema vital e de importância estratégica para a garantia do nosso futuro. A proposta beneficiaria a integração sul-americana, oferecendo aos países da costa oceânica do Pacífico acesso ao Atlântico por meio do sistema viário brasileiro. Em contrapartida, o Brasil teria vários caminhos de acesso ao Pacífico.
Parece que o projeto chegou a ser reapresentado? É verdade. Em 1997, solicitei a reapresentação e fui atendido pelo então senador Ernandes Amorim (atualmente deputado federal pelo PTB de Rondônia, ex-dirigente do PDT). O Transfronteira se tornou o Projeto de Lei do Senado Nº 06/97). Infelizmente, foi novamente arquivado com base no parecer contrário do relator, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que justificou inviabilidade em face da ausência de recursos públicos para sua execução.
Como o senhor interpreta o atual debate sobre a segurança amazônica? Autoridades de Rondônia, por exemplo, andam assustadas com a possibilidade de ação das FARCs. Vejo como nossas elites são irresponsáveis e diariamente fazem prevalecer interesses pessoais e mesquinhos em detrimento dos interesses nacionais. Basta observar a indústria de escândalos denunciados diariamente pela mídia. Já dizia o Barão de Rio Branco há mais de 200 anos: ?Quem ocupa é dono?. Assim é simples. Sem ocupação física, obviamente planejada, a soberania nacional será uma mera abstração de direito. Não há milagres sem empenho, ação, sem consciência cívica das responsabilidades que pesa sobre Estado e Sociedade em se manterem interados na preservação da soberania. A mim parece inócuo que alguém afirme que as FARCS podem entrar na Amazônia Brasileira. Não apenas guerrilheiros ameaçam e invadem diariamente nosso território. Aí se acrescente madeireiros estrangeiros, garimpeiros, mercenários, espiões disfarçados de religiosos etc. É vasto o leque de ameaças que só deixaram de vulnerabilizar quando nossa legislação permitir o assentamento ordenado dos brasileiros. Esse negócio da lei proibir assentamento na faixa de segurança nacional paralela à linha divisória terrestre é algo ultrapassado, estúpido e que precisa urgentemente ser revisto. Então, podemos interpretar que o Projeto Transfronteira virou esqueleto no armário? De fato, o esqueleto está guardado nos arquivos históricos do Congresso Nacional. É a prova do estágio de razão em que nos encontramos como nação. Se não nos assentamos, obviamente nos manteremos ausentes. A legislação existente parece até que foi concebida de forma a atender interesses alheios ou contrários aos nacionais. Se as forças de defesa não têm dinheiro para manter sequer o traçado no Projeto Calha Norte, como então discutirmos feitos néscios e tolas fórmulas de defender nosso território? Manter o status quo e incentivar irresponsavelmente essas invasões, mais que isso: avalizá-las. Durante todos esses anos nenhum repórter, nenhum pesquisador mencionou uma linha sequer com o intuito de trazer à luz e ao debate público o Projeto Transfronteira. O senhor foi autor de uma proposta que teve ampla repercussão internacional. Aquela enviada no ano passado ao secretário da ONU, sugerindo tipificar como delito universal toda ação que cause danos ao meio ambiente. A Forca de Paz atenderia em caráter emergencial áreas ameaçadas por queimadas, desde que essa intervenção fosse solicitada por um de seus membros. Isso não seria uma ameaça à soberania? Na condição de amazônico, filho de ex-combatente, o sentimento nacionalista é forte. Vejo entristecido esse quadro em que as questões nacionais são relegadas por questões menores e por todo tipo de delitos e crimes que maculam a própria dignidade nacional perante o mundo. Vejo o nosso patrimônio genético destruído por nós mesmos e aí me sinto na obrigação moral de sugerir a organismos internacionais o estudo de mecanismos que coíbam esse tipo de atentado. A estupidez de alguns líderes ou de uma parcela salafrária de uma nação não dá o direito de que se promova qualquer tipo de destruição. Um exemplo disso foi a destruição parcial dos monumentos milenares do Afeganistão por seu próprio povo, antes da intervenção americana. Podemos, mas não temos o direito de queimar nossas florestas, poluir nossos rios, deixar os índios indefesos na áreas de fronteira, entregues à própria sorte; deixar nosso povo faminto castigado em cima de uma riqueza incalculável, deixá-lo sem terra, enquanto é impedido de ocupar o próprio território nacional. Enfim, entendo que o imperativo existencial e de preservação deve prevalecer sobre conceitos políticos ou filosóficos que limitem ou impeçam a preservação da vida na terra. Ou ocupamos ou perderemos, ou preservamos ou num futuro, quando a humanidade se debate com fome e sede, irão buscar irremediavelmente esses recursos em qualquer lugar da terra. É a garantia de vida que todos têm. Se não por consciência cívica ou humanitária, cedo ou tarde essas questões haverão de estar permanentemente em pauta, em vez de fricotes e outras cenas ridículas que apenas enchem a bola de uma multidão de inconseqüentes frívolos Finalmente, o que o senhor já ganhou ou ganha com essas propostas? Alguém lhe paga por isso? Minha contribuição é gratuita. Motiva-me apenas o dever de contribuir ao nível da minha capacidade. A satisfação é a sensação de não me sentir um elemento social passivo no processo histórico. Creio que antes do nosso bem estar pessoal, deveríamos fazer pelo coletivo. A mim seria impossível receber um só centavo do dinheiro público em troca do cumprimento de um dever cívico e moral que corresponde à participação cidadã. Transcricao ou publicacao autorizada por Samuel Saraiva 0021-1-301-906-6322
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