No dia 9 de fevereiro quem passou seu bilhete único pela catraca levou um susto: ao invés de marcar "2,40", a maquininha estava marcando "2,55". Os cartazes e panfletos preparados pelo governo tentavam explicar o "reajuste" (leia-se "aumento") da tarifa. Mas como eles podem explicar o inexplicável? Como nós podemos aceitar que um serviço "público" custe cada vez mais caro? Se você não entendeu nada, você não está sozinho. Nenhum de nós foi consultado, apesar de nós sermos os usuários e as usuárias dos metrôs e trens de São Paulo. Mais uma vez nossos governantes tomam decisões que, ao invés de facilitar a vida da população, só tornam as coisas mais difíceis.

O governo do Estado aumentou a tarifa novamente, sem explicitar e justificar de forma clara as suas motivações e sem dar nenhuma margem para participação e debate. A ausência de debate público evidencia a forma como o transporte coletivo é visto pelos governantes: um serviço privado, uma mercadoria, e não um direito de todos.

O governo afirma que o objetivo do aumento é "contribuir para a estabilidade fiscal e para a auto-suficiência do financiamento da operação do Metrô, da CPTM e da EMTU". Por trás desse argumento de ordem técnica, está uma concepção de transporte público que precisa mudar! O transporte público não deveria depender da cobrança de tarifas para se sustentar. O correto seria o governo cobrar impostos mais altos dos setores mais ricos da sociedade (como os bancos) e direcionar esses impostos para as melhorias e os custos do transporte coletivo, como já acontece na educação e na saúde. O transporte é o único serviço público que é tarifado!!!

Para piorar, a situação dos metrôs e trens está cada vez mais precária! Os últimos aumentos não refletiram, como alardeado, em melhorias no serviço prestado. Ao que tudo indica, a solução do governo do Estado para a precarização e a superlotação é a exclusão de usuários do sistema público de transportes, como demonstra a afirmação do governador José Serra de que os aumentos serão anuais. Claro: se a tarifa ficar cada vez mais cara, muita gente vai deixar de usar o metrô e o trem para andar a pé ou, pior, ficar parado.

Na tentativa de minar as mobilizações contrárias ao aumento, o governo anuncia a medida às vésperas do Carnaval e numa data ainda distante do período eleitoral. Mas faça a sua parte. Junte a sua família, os seus amigos, a sua comunidade, e converse sobre este assunto. Veja o que vocês podem fazer. As nossas pequenas ações somadas podem virar algo muito maior. Pode levar tempo, só não podemos ficar parados. Os governantes e os grandes empresários vão colocar cada vez mais catracas no nosso caminho e cabe a nós não aceitar essas catracas.

O Movimento Passe Livre expressa seu repúdio ao aumento das tarifas e também à lógica de tratar o transporte não como direito, mas como mercadoria. A nossa revolta o governo do Estado é a mesma que sentimos quando estamos esmagados no metrô lotado e somos obrigados a escutar "não fique na região nas portas", como se tivéssemos alguma chance de escolher em que parte do vagão ficar.

A expansão do metrô é bem vinda e necessária, mas não pode vir acompanhada da expansão da exclusão e da desigualdade social. Toda vez que a tarifa aumenta, diminui a nossa mobilidade. E uma cidade só existe para quem pode se movimentar por ela...

o desenho do panfleto é dos nossos amigos do Planka nu:
 http://www.planka.nu/international/no-portugus