Não Passarão!!

Uma das únicas fontes de informação sobre o que está ocorrendo internamente no país nestes momentos são as transmissões via satélite (licenciada em Creative Commons) da Rede TeleSur, cadeia de televisão multiestatal. A TeleSur tem registrado o passo a passo do Golpe e mostrado a resistência popular sendo articulada. Na segunda-feira, 29/06, sua equipe foi detida pelos militares sofrendo agressões físicas, a equipe já foi solta e apesar de ameacas segue com a cobertura no país. Segundo dados do canal, até a manhã desta terça já haviam cerca de 135 feridos e 345 detidos nos confrontos com as tropas golpistas.

No domingo mesmo o Congresso hondurenho consagrou seu novo presidente biônico, Roberto Micheletti, presidente da casa, não sendo reconhecido por nenhum país e tampouco por nenhuma organização multilateral. Nem mesmo a Casa Branca, aliada histórica e financiadora das ditaduras na região apoiou a investida conservadora hondurenha.

Aqui no Brasil, onde há apenas duas décadas saimos de um período ditatorial, esperamos do governo brasileiro não apenas a condenação veemente ao Golpe e sim a imediata realização de ações concretas contra a sua consolidação, assim como estão fazendo os países irmãos da América Latina.

Com uma atitude unilateral e autoritária como esta, que soa mesmo como uma desesperadora manifestação de agonia por imaginar seus privilégios ameaçados, a oligarquia hondurenha parece buscar o isolamento esquizofrênico no mundo, se fechando em sua própria realidade enferma. Uma intensa vigília se faz necessária neste momento, buscando zelar pela garantia da integridade física aos manifestantes hondurenhos e garantia dos direitos fundamentais aos seres humanos daquele país, somada a mobilizações por todas as partes do globo contra essa ofensa à realidade que vivenciamos e experimentamos nesse início de século XXI.

Histórico dos acontecimentos antes do Golpe:

O presidente democraticamante eleito de Honduras, Manuel Zelaya, propôs uma consulta nacional sobre a possibilidade de estabelecer uma Assembléia Constituinte para reescrever a constituicão da nacão. Na quarta-feira, Zelaya demitiu o General Romeo Vazquez (formado pela Escola das Américas) e aceitou o pedido de demissão do Ministro da Defesa, Edmundo Orellana, após os dois terem desobedecido ordens para distribuir o material para uma consulta nacional sobre a possibilidade de realizar o referendo.

Na quinta-feira, tropas foram posicionadas em torno do Congresso hondurenho e apoiantes de Zelaya sairam às ruas em protesto, mas nenhuma reacão violenta foi registrada. O Tribunal Supremo Hondurenho decidiu por unanimidade que o general Vasquez deveria regressar ao seu posto, alegando que seus direitos foram violados.

Zelaya manifestou que o Tribunal Supremo e os militares que desobedeciam suas ordens representavam elites que se opõem à proposta do referendo. "O Tribunal de Justiça atacou completamente o Estado de Direito ao retirar a autoridade do presidente de comandante-em-chefe. Eles voltaram para reviver os anos 80, para reviver a ditadura e tornar os militares mais poderosos do que o estado civil", afirmou Zelaya.

Na sexta-feira, Zelaya e milhares dos seus apoiadores a recuperaram os materiais do referendo que Vazquez havia se recusado a distribuir, e prometeu realizar a consulta nacional no domingo 28 de Junho como havia programado.

Na madrugada do Domingo, dia da consulta popular, o presidente Zelaya foi sequestrado por militares comandados pelo general Vasquez, enviado para a Costa Rica e um Golpe de Estado foi imposto no País.

Últimas atualizacões:

A rádio comunitária 'Rádio es lo de menos' anunciou que dois Batalhões do exército se voltaram contra o Golpe e pararam de seguir as ordens do general Vasquez.

Venezuela anúnciou que irá bloquear o envio de petróleo para Honduras. México e outros países da América Central também anúnciaram várias sancões políticas e economicas ao país. Guatemala, El Salvador e Nicaragua também anunciaram que fecharam a fronteira com o país por 48 horas.

No início da tarde desta terça-feira, a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, reunida em Washington, condenou o Golpe de Estado em Honduras e declarou que apenas reconhecem a Manuel Zelaya como presidente do país.