| O dragão racista acordado por Django Por Fabio de Oliveira Ribeiro 20/01/2013 às 07:40 Black American can not have their own culture, Tarantino said.  No filme de Tarantino, Django é um Siegfried negro que salva sua Brunhilde (que fala corretamente o alemão) das garras dos brancos bárbaros que brutalizam escravos.
O maior problema do filme é justamente sua maior virtude: a interpretação da cultura dos negros através de uma referencia cultural européia.
Para fazer a inversão de valores, o filme esconde a verdadeira cultura dos negros (que alimentou a resistência à escravidão no passado) e valoriza a cultura dos brancos europeus que praticaram largamente a escravidão e o racismo.
A resistência à escravidão racial do século XIX baseada numa antiga lenda germânica (Siegfried e Brunhilde) no fundo destrói a memória cultural dos povos africanos que foram escravizados ao invés de recuperá-lá.
Um povo só conquista e conserva sua liberdade preservando sua verdadeira herança cultural. E é exatamente isto o que Django destrói.
O racismo cultural no filme de Tarantino é evidente. Ele não estudou as verdadeiras culturas Africanas por intermédio das quais os escravos negros resistiram à escravidão. Se Tarantino tivesse estudado o tema do filme (racismo e resistencia a escravidão) ele perceberia que os escravos não lutaram contra a opressão valorizando a cultura do opressor.
A ideologia implícita no filme é a seguinte: só podemos lutar contra o racismo e a escravidão por intermédio da cultura européia. Isto não faz sentido, nem mesmo tem veracidade.
No coração profundo da obra de Tarantino há um dragão racista acordado. E ele diz aos negros que forem ao cinema ver Django: esqueçam sua verdadeira cultura, vocês não têm direito a ter uma.
Email:: sithan@ig.com.br >>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Vocês esquerdistas são mesmo uma piada, conseguem enxergar a politização e a dita "opressão" em tudo, até num filme bobo que só visa o entretenimento e a arrecadação de grana. É patetice demais. Nunca gostei dos filmes de Tarantino - ele explora de forma banal a violência, tão ao gosto dos americanos - mas não me ative a essa situação. É um ponto de vista interessante que mostra certas propagandas subliminares recorrentes em Hollywood.  | Você diz que os negros norte-americanos têm o direito de preservar sua verdadeira cultura. Mas que verdadeira cultura é essa? De que parte da África? De que povo?
A cultura africana original trazida com os escravos perdeu-se há muito e foi reduzida a pequenos vestígios aqui e ali. Aquilo que o senso comum da época atual traduz por "cultura negra" é na verdade uma subcultura nascida nos guetos norte-americanos, gestada a partir da necessidade de resistir ao racismo e à discriminação. Concordo que essa subcultura deu um sentimento identitário aos negros segregados, bem como certo orgulho e altivez indispensáveis para o estado de opressão em que se encontravam (a alguns ainda se encontram), mas o problema é: quem pratica uma subcultura de gueto permanecerá para sempre dentro do gueto, ainda que só psicologicamente. A única cultura verdadeira dos negros norte-americanos, assim como dos negros brasileiros, é a cultura do país onde se encontram, fundado por colonos europeus. Assimilar essa cultura é essencial para a integração dos negros à sociedade a que pertencem, e de fato essa assimilação já ocorreu faz tempo - o desfavorecimento dos negros é basicamente econômico, e não cultural.
De resto, é fantasioso julgar que a cultura africana fomenta a resistência à escravidão. A resistência à escravidão surge instintivamente em todo indivíduo escravizado, e a escravidão era amplamente aceita nas culturas africanas de séculos atrás - em algumas, é aceita até hoje. Também é redundante clamar que os europeus praticaram largamente a escravidão - essa prática eram aceita universalmente naquela época.
Um povo só conquista e conserva sua liberdade preservando sua verdadeira herança cultural? Isso é capcioso. A preservação da identidade cultural garante o sentimento identitário, o Nós x Eles, mas não garante a vitória na conquista da independência. Muitas vezes, a cultura cria obstáculos à aquisição de conhecimentos e riqueza indispensáveis a quem pretende sair de um estado de subalternidade. Os povos vizinhos de Roma, que destruíram o Império Romano no século 4, desde muito mantinham contato e vinham assimilando aspectos diversos da cultura do dominador, até que ficaram fortes o suficiente para derrotá-lo.  | Fábio,
Sabemos que você é um cara instável e um esquerdista solitário. Mas há um paradoxo que todos percebemos quando você faz suas dissertações sobre filmes americanos. Percebemos, que você é um cinéfilo de produtos americanos.
Você é o que a frase diz: Faça o que digo, mas não faça o que faço.
Muito curioso... Legal mostrar o cowboy preto, o cinema sempre mostrou cowboys brancos, o que não corresponde à verdade histórica. Antes tarde do que nunca.
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