Contagem-MG: Frente Terra e Autonomia pede apoio para a construção do Centro Social Guarani-Kaiowá

Contagem-MG: Frente Terra e Autonomia pede apoio para a construção do Centro Social Guarani-Kaiowá

Janeiro 26, 2017 - 02:48
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A Frente Terra e Autonomia (FTA) pede apoio para a construção do Centro Social Guarani-Kaiowá na comunidade Guarani-Kaiowá em Contagem, MG. Esta Comunidade é uma ocupação urbana que existe fade março de 2013 em um lote irregular de uma empreiteira abandonada e conta com 150 Famílias.

O nome Guarani-Kaiowá foi escolhido em homenagem à luta dos indígenas do centro-oeste brasileiro e agora quera querem construir um centro social com o mesmo nome para abrigar as reuniões comunitárias, assembleias e as mais diversas atividades sociais e culturais de interessa da comunidade.

Segundo orçamento feito pela comunidade, a construção custará R$ 8,100,00 para a compra de materiais e será realizado pelas próprias moradoras e moradores da comunidade.

Segue abaixo o pedido de apoio para a construção do Centro Social Guarani-Kaiowá, através da página https://www.catarse.me/centrosocialgk.

O PROJETO

Olá! Bem-vinda e bem-vindo à campanha de arrecadação de fundos para a construção do Centro Social da Comunidade Guarani-Kaiowá!

A COMUNIDADE: OCUPAÇÃO GUARANI-KAIOWÁ!

No dia de luta das mulheres em 2013, 8 de março, 150 famílias preparavam a ocupação de um terreno abandonado na região do Ressaca, em Contagem. 150 famílias, junto às Brigadas Populares, pulsavam o coração mais forte pela expectativa de tornar um terreno que há anos estava jogado às moscas da especulação imobiliária em uma comunidade cheia de vida, de amizade, de espírito coletivo e com a devida função social cumprida.

E assim aconteceu: como resultado inevitável de uma política habitacional excludente, nasceu no dia 9 de março a Ocupação Guarani-Kaiowá (carinhosamente conhecida como GK), fruto da organização e ação-direta popular frente ao sistema injusto que funciona pela lógica do "muita terra sem gente, muita gente sem terra".

Com uma cozinha coletiva e barracos de lona, os moradores capinaram todo o terreno, dividiram os lotes igualmente e os sortearam para as famílias, respeitando um projeto urbanístico elaborado entre eles e arquitetos solidários, e construíram uma comunidade com ruas e espaços comuns delimitados.

"SE O GOVERNO NÃO GARANTE, GARANTIMOS NÓS COM NOSSAS MÃOS"

Esse foi o entendimento mais do que justo que fez com que essas famílias pobres ocupassem o terreno abandonado da empreiteira Muschioni. O direito à moradia é um direito constitucional, mas ele definitivamente não é garantido, pois sobre ele pesa a prioridade da especulação imobiliária. O direito à propriedade, que só deveria ser garantido caso esta cumprisse sua função social, quase sempre sobrepõe o direito à moradia, mesmo o imóvel estando completamente irregular e há anos sem cumprir sua função social.

E nessa lógica perversa, famílias trabalhadoras ora vão sendo crucificadas em aluguéis cada vez mais caros, em bairros cada vez mais distantes do centro, ora vão sendo humilhadas por morarem de favor em casa de parentes, ou então ficam à mercê do cruel destino de não terem onde morar.

Essas famílias sem ter onde morar, então, fizeram de um terreno abandonado que servia para estupros e desova de cadáveres, uma comunidade viva, unida, cheia de hortas, animais, crianças, árvores, espaços comuns de vivência. Fizeram deste terreno o que o governo não faz: a garantia da moradia digna para centenas de crianças, trabalhadoras, trabalhadores e idosos.

COM LUTA, COM GARRA, A CASA SAI NA MARRA!

Mas definitivamente não foi (e não é) fácil a vida de uma ocupação urbana. Dos barracos de lona de 2013 às casas de alvenaria de hoje em dia, foram inúmeras as assembleias comunitárias, as reuniões de coordenação, os atos, caminhadas, trancamentos, manifestações, ocupações de prédios públicos, negociações, as decisões coletivas com advogados para os passos caminhados na justiça.

E não só com a luta da própria comunidade a ocupação se mobilizou: também se solidarizou com outras lutas na cidade, como com as ocupações da Izidora, fazendo dois atos de trancamento e estando presente na própria Izidora nos momentos de iminência de despejo. Felizmente, a Izidora continua firme e forte, como a GK!

UM ANTIGO SONHO DA COMUNIDADE

A GK sempre primou pelos espaços comuns, e um sonho antigo da comunidade é o do seu Centro Social. Em 2014, eventos e atividades de arrecadação para a construção do Centro Social foram realizados, junto a FTA - Frente Terra e Autonomia e às Brigadas Populares. Com essa arrecadação, a comunidade conseguiu construir a fundação do lote que abrigará o Centro Social, em mutirões coletivos feitos pelos moradores mais apoiadores externos.

Em 2015 e 2016, quando por vários momentos a questão jurídica da comunidade esquentou, a ocupação acaba não dando continuidade à construção do centro social, mas manteve viva a ideia e resguardou o local para que, num futuro próximo, fosse dado continuidade à sua construção.

Enfim chegou a hora: estamos retomando a campanha afim de arrecadar o que falta para que esse antigo sonho da GK se torne realidade! E optamos por contar com a solidariedade de não só todas e todos aqueles que conhecem e apoiam a GK, mas também de todas e todos que se estremecem de revolta com as injustiças sociais e que sabem que essa é uma luta muito digna e necessária!

O CENTRO SOCIAL

O Centro Social será um espaço comum da ocupação, que acolherá as assembleias e reuniões comunitárias, além de diversas outras atividades, oficinas, eventos que houverem na comunidade.

A ocupação sente a falta de um espaço que ofereça uma estrutura melhor para oficinas, encontros e atividades que precisam seja de um teto, seja de um espaço reservado.

São vários os projetos que a ocupação já pensou, ou mesmo que o apoio externo está disposto a oferecer, mas que precisam de uma estrutura mínima que garanta ao menos a privacidade necessária e um teto. Dentre outros, estão a ideia do cinema comunitário, de um coletivo de mulheres, oficinas com crianças, aulas de reforço / cursos comunitários e mesmo cooperativas de moradores.

Sem o Centro Social, nada disso é possível. Então pedimos a sua solidariedade com uma ajuda para que tudo isso e mais um pouco possa ser realizado!

Esperamos conseguir alcançar essa meta, e que possamos, ainda nesse semestre, poder receber todas e todos que contribuíram com a campanha em nosso Centro Social, numa grande festa comunitária de comemoração dessa mais nova conquista!

Solidariedade é mais que palavra escrita!
Viva a Ocupação Guarani Kaiowá!
Com luta, com garra, a casa sai na marra!

ORÇAMENTO

oradores da ocupação pensaram juntos como o Centro Social deveria ser, e então os pedreiros se juntaram e pensaram o orçamento para a construção desse projeto:

- Construção: R$ 6.000,00

Para levantar o galpão, que contará com um salão, uma dispensa e um banheiro, levando em conta areia, cimento, brita, tijolos, ferro, telhado, reboco, fiação, encanamento e pintura, o orçado foi R$ 6.000,00.

- Gastos eventuais, ajuda com os brindes e porcentagem do Catarse: R$ 2.100,00

Se preocupando com a inflação e a mudança de preços que tem sido mais frequente, entenderam que seria melhor que houvesse uma "gordura" a mais para garantir a compra dos materiais, além dos gastos eventuais também podem ocorrer. Junto a isso, calculamos também um valor para contribuir na confecção e entrega dos brindes da campanha e também referente à porcentagem passada ao Catarse (13% do arrecadado), uma vez que a comunidade não tem possibilidade de tirar do seu próprio bolso. A esse montante, arredondamos portanto o valor de R$ 2.100,00 e o somamos no projeto.

Dessa forma, a nossa meta é de R$ 8.100,00!

Esperamos conseguir alcançar essa meta, e que possamos, ainda nesse semestre, poder receber todas e todos que contribuíram com a campanha em nosso Centro Social, numa grande festa comunitária de comemoração dessa mais nova conquista!

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