Primeiro de maio: de 1886 à 2017, o que mudou?

Primeiro de maio: de 1886 à 2017, o que mudou?

Maio 01, 2017 - 23:37
Publicado em:
0 comments

Jornadas de trabalho excessivas, direitos escassos, “negociação” patrão e empregado sobrepondo-se à leis trabalhistas, pouco tempo para almoço… incrivelmente, o contexto atual no Brasil é extremamente semelhante a aquele que deu origem ao dia que hoje é o feriado conhecido como primeiro de maio. Mais que um dia para faltar ao trabalho e à escola, ou um dia de saldar o trabalhador, o dia primeiro de maio é um dia histórico de luta, conquista e sangue. 

Foi em 1886, nos Estados Unidos, mais especificamente em Chicago, que trabalhadoras e trabalhadores rebelaram-se principalmente com a alta jornada diária de trabalho, que na época era de 13 horas. Houve uma grande greve geral em todo o país, e a classe foi às ruas exigir a diminuição para as atuais 8 horas. A resposta do governo veio com uma brutal repressão que terminou na morte de diversos manifestantes. 
        Mesmo após a batalha sangrenta do começo de maio, as e os grevistas não se intimidaram e continuaram nas ruas, confrontando a polícia. Houve até mesmo um enfrentamento no qual a polícia atacou com munição letal a marcha, e numa luta que marcou para sempre a História, os trabalhadores conhecidos como mártires de Chicago foram mortos, junto com 7 policiais. Essa radicalização acabou trazendo aos/às trabalhadoras a jornada diária de 8 horas. 
        Hoje, no Brasil, o contexto acaba por tornar-se semelhante. Tramitam no congresso e na câmara 3 projetos de lei que trazem de volta políticas anti-povo extremamente retrógradas. A reforma trabalhista, que visa entre outras coisas aumentar a jornada diária para 12 horas, diminuir o período de almoço para 30 minutos, tornar a “negociação entre patrão e empregado” prioritária às leis trabalhistas, já foi aprovada pela câmara. Também foi aprovada a terceirização, permitida agora para todas as atividades da empresa, inclusive as atividades-fim. E por último, e não menos importante, a reforma da previdência tenta aumentar o tempo mínimo de contribuição para 49 anos, fazendo com que uma pessoa que começou a trabalhar, por exemplo, com 18 anos só possa aposentar-se com 67, tendo o/a cidadã, que começar a trabalhar com 16 para manter sua aposentadoria aos 65 anos. 
        Tudo isso vem ao mesmo tempo, em um grande ataque muito bem articulado dos setores neoliberais contra os/as trabalhadoras. Há anos, vinha-se organizando uma ofensiva autoritária para radicalizar a exploração capitalista no país, e utilizando de manipulação midiática, manobras políticas e do notório fracasso da social-democracia, a direita consegue retroceder centenas de anos em apenas alguns meses. 
        Para responder a isso, assim como em 1886, vem sendo articuladas greves gerais, como a da última sexta-feira, realizada também em um dia histórico no qual 100 anos atrás houve a primeira greve geral do Brasil. O que viu-se nas ruas foi, além do número gigante de adesão, a combatividade latente do/da trabalhadora, que cansada/o da política formal e da exploração sistemática busca novas formas de organização e luta, radicalizando cada vez mais. 
 
        No Rio de Janeiro, foram 9 ônibus e 1 carro do metrô-rio incendiados, diversas vidraças de banco quebradas e barricadas montadas em uma das maiores resitências à repressão policial dos últimos tempos na cidade. A articulação e o ataque da direita fazem a esquerda de base radicalizar cada vez mais, e o contexto tende a permanecer até o fim da ofensiva capitalista. 
        De 1886 para 2017, não foi muita coisa que mudou. A tecnologia evoluiu, houveram muitas guerras, entre elas duas mundiais, houve um crescimento urbano e industrial, alguns avanços na legislação trabalhista, mas a exploração, a opressão e o parasitismo das elites sobre a classe trabalhadora permanece. 

Comentar

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Endereços de sites e e-mails serão transformados em links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são gerados automaticamente.