Desenvolvendo Estratégias de Movimentos de Mídia

Desenvolvendo Estratégias de Movimentos de Mídia

Junho 18, 2017 - 10:27
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Tradução do texto do Coletivo de Mídia It´s Going Down, sobre a importância da mídia autônoma para movimentos sociais.

Aqui no IGD nós falamos muito sobre estratégia, sobre construir nossa capacidade, e sobre crescer como força material em nossas comunidades. Uma coisa sobre a qual não falamos muito é a necessidade de mais pessoas se esforçarem para criar a contra-informação e mídia alternativa onde estão. Como nossos amigos apontaram no [Puget Sound Anarchists, uma plataforma que vem crescendo para os anarquistas no noroeste do Pacífico, que, enquanto o crescimento de plataformas como o IGD tenha sido ótimo, cabe também às pessoas no nível local começarem e construir suas próprias plataformas regionais e locais de mídia autônoma; caminhando para descentralizar tanto mídia que consumimos quanto quem está criando ela.
 
Como outras pessoas já escreveram -> https://itsgoingdown.org/counter-info-guide/  seria nosso sonho se projetos de mídia autonoma no terreno social crescessem e proliferassem; alimentando-se do IGD e crescendo de forma autonoma dele. E como nossos amigos do CrimethINC. apontaram -> https://itsgoingdown.org/igdcast-crimethinc-trump-syria-repression-road-ahead/, parte da construção da nossa luta e nossa capacidade, não está apenas nas táticas e estratégias que usamos nas ruas e em nossas comunidades, mas também na maneira como passamos nossas narrativas, nossas ideias e visões, e argumentos dessas lutas, enquanto elas acontecem. Não fazer isso é dar terreno para liberais, reformistas e elementos recuperativos que nos varrerão, nos atacarão e nos venderão.
 
Há também a evidente realidade de que nossos inimigos na extrema-direita têm uma enorme vantagem em termos de plataformas de mídia, do Twitter para a transmissão ao vivo, para os canais do youtube. Por exemplo, enquanto o IGD, em abril de 2017, obteve mais de 700 mil telespectadores unicos originais, outro recorde para nós, isso ainda é fichinha comparado com os milhões que The Daily Stormer, um dos maiores sites neonazis recebeu, isso sem falar de coisas como InfoWars.
 
Uma das razões pela qual a a extrema direita e o Alt-Right vem crescendo na mídia, é que para tudo que acontece, eles fazem publicações para interpor suas idéias no diálogo, empurrando o quadro do debate cada vez mais para a direita. Em suma, parte de sua estratégia de mídia está em construir o poder de intervenção dentro da conversa mais ampla que acontece no ambiente público; e embora costumem usar "notícias falsas", informações erradas e racistas para fazer isso, recorrentemente funciona.
 
Em suma, precisamos de mais pessoas criando mídia - e todos os tipos dela. Precisamos de tudo, desde pessoas que fazem vídeos sobre saúde e fitness anarquistas, mais editoriais sobre eventos atuais, mais análises e relatórios, e mais podcasts. Mas acima de tudo, precisamos de meios de comunicação que visem deslocar tanto a narrativa quanto o debate em torno de coisas que estão afetando nossas vidas o tempo todo; que procure manter um diálogo com o mundo mais amplo, e não apenas uma pequena cena isolada.
 
Para ser claro, isso não é simplesmente um chamado para fazer pessoa migrarem de lutadoras e organizadoras para produtoras de conteúdo, mas ao invés disso para argumentar que a criação de conteúdo precisa se tornar parte de nossas estratégias amplas de organização geral à medida que nos comprometemos com a luta, tanto quanto lidar com a repressão ou apoiar os prisioneiros.
 
O que muitas pessoas não entendem
 
Uma das primeiras coisas que vemos muitas pessoas não etenderem, é que geralmente sua interface com o público tem poucas informações sobre o que o grupo faz, sobre o que é e o que tem feito. A mídia social é preenchida com uma variedade de anarquistas, IWW, antifa e outros grupos que simplesmente compartilham links e memes. A principal razão pela qual devemos ter uma presença on-line é envolver as pessoas no trabalho de organização que estamos fazendo. Isso não significa que não devemos compartilhar artigos, mas se nossos únicos centros de distribuição on-line são simplesmente lugares onde os links são publicados, então é tudo o que eles acabarão sendo. Precisamos nos tornar bons em mostrar às pessoas o que estamos fazendo, o que estamos organizando e divulgar conteúdos e mídias originais que estamos criando.
 
Isto nos leva à próxima questão que as pessoas entendem errado: elas muitas vezes não escrevem sobre as coisas legais que estão fazendo! E nós entendemos, escrever às vezes pode envolver muito tempo gasto e para algumas pessoas, pode ser intimidador. Precisamos primeiro nos lembrar que você não precisa ser a melhor pessoa escritora do mundo para dizer algo inteligente. Além disso, é muito importante que o mundo saiba o que você e seu grupo estão fazendo. Em resumo, isso permite que o resto de nós saiba que não estamos sozinhos, dá às pessoas novas idéias e também nos inspira. Mas se você não está produzindo essa mídia; se você não está usando 30 minutos para escrever aquele relato, aquela reflexão ou fazer aquele vídeo, então nada será feito.
 
Muitos grupos também não publicam sua história dentro de um prazo que é rápido o suficiente. Como anarquistas, nós geralmente estamos na linha de frente das mnanifestações, greves, ocuopações e lutas que acontecem no mundo todo. Isso significa que muitas vezes estamos em situações em que muitos jornalistas só estão olhando de fora. Isso também significa que estamos em condições de contar algumas das histórias mais vibrantes e emocionantes possíveis. Mas se não nos comprometermos a soltar essa história em tempo hábil, o impacto maciço que nossa análise e reflexão sobre os eventos atuais poderia ter muitas vezes se perde. Por fim, precisamos trabalhar na apresentação do nosso conteúdo no melhor que pudermos. Se você não possui uma habilidade específica, como conhecimento ou acesso ao photoshop, peça ajuda à uma pessoa amiga ou encontre recursos gratuitos on-line. Parte de ganhar a guerra da mídia significa colocar amor e atenção nos detalhes de nosso trabalho.
 
Desenvolvendo uma estratégia de mídia para nossa organização
 
Quando organizamos, iniciamos uma campanha, iniciamos um projeto ou entramos em uma ação, levamos várias coisas em consideração. Desde reuniões, contato com advogados e suprimentos médicos, tentamos e conseguimos colocar tudo em ordem. Mas, muitas vezes, a mídia é a última coisa em nossa lista. Em vez de confiar nos jornalistas tradicionais e liberais para contar nossa história, queremos construir a capacidade de falar por nós mesmos. Enquanto o IGD, claro, é um recurso, sem pessoas no chão gerando conteúdo, não teremos nada para publicar. Então, que cara poderia ter a estratégia de mídia?
 
Primeiro, precisamos estabelecer plataformas locais para alcançar as pessoas. Isso significa configurar contas de redes sociais no Twitter e no Facebook e também sites atualizados regularmente.
 
Em segundo lugar, precisamos relatar e discutir nossas ações e esforços de organização, e também discutir a análise por trás dessas ações.
 
Em terceiro lugar, significa entrar em ações, campanhas e lutas, sabendo com quem e como as pessoas podem obter informações sobre o que está acontecendo. As pessoas vão fazer transmissão ao vivo, fazer vídeos, tweet, ou fazer atualizações em tempo real? Como as pessoas protegerão quem não quiser aparecer nas imagens? Quem pode escrever coisas antes e depois das ações? Como as pessoas usarão a mídia para repelir os ataques da grande mídia, liberal e de extrema-direita?
 
Por último, também temos que trabalhar em moldar nossas ações e passar nossa narrativa para o público em geral. Isso significa criar mídia que atravesse nossos argumentos para o maior número possível de pessoas.
 
Não ter medo de começar
 
Uma das melhores coisas de fazer um projeto como o IGD é ver a vasta gama de ações e projetos que acontecem no vasto território da chamada América do Norte. Da organização de trabalhadores, a construção de infraestrutura, a luta contra oleodutos e destruição da natureza, o apoio a prisioneiros rebeldes, a resistência às deportações, a brigas com os facho, ver muitas pessoas diferentes fazendo coisas diferentes é inspirador. Quanto mais criamos uma cultura de fazer mídia autônoma e ampliando nossas vozes, mais pessoas prestarão atenção no que temos a dizer e participarão da conversa. Algumas ideias para começar:
 
- Configure um site de contra-informação. Não sabe muito sobre a criação de um site? Blackblogs é um bom lugar para começar.  https://blackblogs.org/ *nota da tradução: o milharal é uma boa opção local para blogs -> https://milharal.org/
- Configure contas de redes sociais para o seu grupo. Atualiza as pessoas sobre o que você está fazendo e os próximos eventos.
- Produza algum tipo de publicação, video ou podcast para cobrir análises mais profundas e idéias.
- Relate as ações e campanhas e também trabalhe para escrever análises e críticas da situação local e nacional.
- Faça uma rede com outros grupos e pessoas no seu local de luta ou região. Desenvolva a capacidade de se juntar para ampliar o conteúdo que você está produzindo.
 
Como diz o velho ditado do Indymedia - faça mídia, faça problemas!
 

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Cabe se perguntar em primeiro lugar, se quem está propondo isso está moralmente em uma posição autorizada para fazer esse tipo de sugestão. Considerando que o CMI - e vai saber quem mais - passou a defender abertamente o imperialismo, se alinhando inclusive de forma parasitária a sua estratégia de reconquista do "Pátio Traseiro", como se pode ver aqui:

https: //midiaindependente.org/?q=node/295

apoiando o massacre de afrodescendentes como na época dura da inquisição, como vemos aqui:

http : // www .telesurtv.net/news/Muere-joven-quemado-vivo-en-protesta-opositora-en-Venezuela-20170604-0008.html

e impedindo inclusive que os comentaristas citem páginas da internet como referência, numa estratégia de censura implícita descarada, fica difícil que esse grupo se apresente com temos como "autônomos", "anarquistas" e com intenções de benevolência popular. Acaba, isso sim, herdando todas as características do amo imperial.

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