Rio de Janeiro-RJ: Ato em memória da chacina da Candelária - Julho Negro

Rio de Janeiro-RJ: Ato em memória da chacina da Candelária - Julho Negro

Julho 19, 2017 - 16:13
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Nesta terça-feira, dia 18, foi realizada uma manifestação em memória à chacina da Candelária, ocorrida 24 anos atrás. O ato fez parte da programação do Julho Negro, uma série de eventos que visa denunciar o racismo e a violência estrutural contra a população pobre.

O protesto teve concentração na Candelária por volta das 16 horas, onde pessoas estenderam faixas e bonecos em homenagem à vítimas da violência estatal nas periferias e denunciando esta violência.

Em entrevista ao CMI, Ana Paula Oliveira, mãe de um rapaz de 19 anos morto por um policial militar da UPP de Manguinhos disse:

Nós, mães que perdemos os nossos filhos pelo braço armado do Estado, sabemos que pro Estado não basta apenas matar os nossos filhos, é preciso criminalizar. Para mim foi uma segunda morte ver meu filho sendo criminalizado, sabendo que meu filho era inocente e ainda assim foi criminalizado para tentar dar legalidade à esta ação terrorista e assassina da polícia. E foi a partir daí que eu procurei me encontrar com outras mães, buscar força na luta em busca da memória, verdade e justiça. Não só pelo meu filho, mas também por outros filhos. E hoje nós estamos aqui, na Candelária, porque esse ano completam 24 anos da chacina, e a gente está aqui hoje para gritar pela memória dos meninos que foram mortos aqui e para dizer que as chacinas não cessaram. As chacinas continuam acontecendo. O extermínio continua acontecendo. O Julho Negro é uma articulação não só dos familiares de vítimas do Estado do Brasil, mas de outros países também, como Haíti, Estados Unidos, México. Estamos nos articulando desde o ano passado, que foi quando aconteceu o primeiro julho negro para dizer que essa luta precisa ser mundial! Cada vez mais precisamos ter força para gritar ainda mais alto! E acima de tudo o julho negro, como o nome já diz, precisamos destacar o racismo existente não só no Brasil. Nos EUA também é bem visível que quando a polícia mata geralmente são pessoas negras. Acima de tudo há um racismo. Quem são esses meninos, quem são essas pessoas que estão sendo mortas? É o povo negro! Por isso dizemos que há um genocídio. Porque há um alvo nestes assassinatos. Então estamos aqui poque não podemos deixar que esqueçam o que está acontecendo nas favelas. A gente precisa gritar, por mais que as pessoas estejam vendo e finjam que nada está acontecendo.

O ato caminhou pela avenida Presidente Vargas até a Central do Brasil, gritando palavras de ordem contra a UPP, contra o racismo e contra a guerra às drogas. No encerramento, diversas pessoas falaram o nome de entes queridos mortos pela violência policial, que foram homenageados.

Dias antes, houve um evento pré Julho Negro na Mangueira, onde ativistas exibiram vídeos sobre os recentes acontecimentos que tiraram tragicamente a vida de uma criança de 10 anos no Lins, e também sobre a situação do metrô-mangueira, que vive um clima de intensa repressão. Houve microfone aberto e denúncia contra a violência policial e às UPP's.

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