[México] Nota de repúdio as agressões contra a Caravana do Conselho Indígena de Governo

[México] Nota de repúdio as agressões contra a Caravana do Conselho Indígena de Governo

Fevereiro 04, 2018 - 18:27
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Repudiamos as agressões contra a Caravana do Conselho Indígena de Governo (CIG) e os Jornalistas que os acompanham”

 

Rede de Auxiliares do CIG no Estrangeiro “Com Marichuy Sem Fronteiras” nos Estados Unidos, Canada, Centroamérica, Sudamérica e Europa

 

À Midia

 

À sociedade civil mexicana e à comunidade internacional

 

No ultimo domingo 21 de Janeiro, recebemos com indignação a noticia de agressão contra a Caravana do Conselho Indígena de Governo (CIG) e sua porta-voz Maria de Jesús Patricio Martinez. CIG e Patricio Martinez representam a primeira resolução indígena de disputar às próximas eleições presidenciais no México. O CIG, por sua vez, é resultado de um processo de articulação do Congresso Nacional Indígena (CNI), fundado em 1997, reunindo mais de 60 comunidades indígenas no México, representadas por 141 membros do Conselho. A campanha da CIG segue os sete princípios zapatistas e não visa o poder, mas construir uma estrutura horizontal que represente adequadamente a vontade das pessoas e, em particular, das comunidades indígenas. Atualmente o comprometimento da CIG é arrecadar mais de 800 mil assinaturas, exigidas pelo STE (Superior Tribunal Eleitoral) para que um candidato independente possa entrar na cédula eleitoral. Contudo, o objetivo da Caravana do CIG e Marichuy não é somente arrecadar assinaturas, mas coletar testemunhos de violência e opressão que os povos indígenas sofrem no México e construir vínculos entre comunidades e bairros, entre a cidade e o campo. Somente ao construir uma rede de base forte, sería possível fazer uma mudança real.

Esta campanha tem sido sistematicamente desafiada pela falta de recursos, censura deliberada por parte da mídia e obstáculos tecnológicos, uma vez que o registro das assinaturas requer um telefone celular de alta tecnologia e uma boa conexão de internet, ao qual muitas pessoas no México não têm acesso. No ultimo domingo, 21 de Janeiro, conforme denuncia do CIG, a Caravana foi interceptada durante a viagem para a comunidade Nahua de Santa María Ostula rumo a Paracho, no estado de Michoacán, que é um dos estados mais afetados pelo crime organizado e pela violência do Estado. Uma Honda CR-V cinza com cinco homens com armas de alto calibre forçaram a parada do último veículo da Caravana, em que viajavam os jornalistas independentes Daliri Oropeza, Aldabi Olvera y Cristián Rodríguez. Cristian y Aldabi foram forçados a descer do carro, ameaçados e os homens armados pegaram à força seus equipamentos: câmeras e telefones celulares.

Para México 2017 foi o ano mais violento contra jornalistas e ativistas de direitos humanos, particularmente os que defendem os territórios das comunidades indígenas. Somente nas duas primeiras semanas deste mês, Carlos Domínguez, jornalista em Tamaulipas e Guadalupe Campanur, uma ativista indígena de Cherán, Michoacán, foram assassinados.

Por tudo isto, rejeitamos e denunciamos com veemência os atos de assédio e intimidação que geram um clima social e político de incerteza, desconfiança e terror entre os cidadãos. O ataque contra a Caravana só faz reafirmar nossa suspeita de obstrução sistemática da campanha da CIG. Esses ataques violam o direito a uma imprensa livre, à liberdade de expressão e à liberdade de reunião, conforme a Constituição mexicana institui e o Estado deve garantir.

Por estas razões, responsabilizamos pelos ataques todos os níveis de governo, federal, estadual e local. Exigimos garantias de segurança aos jornalistas que estão cobrindo as atividades da CIG, a María de Jesús Patricio Martínez e aos membros do conselho da CIG.

Nós, os signatários desta carta, somos cidadãos mexicanos que vivem no exterior, incluindo estudantes, professores, profissionais, ativistas, migrantes forçados. Somos partidários e voluntários do CIG, rejeitamos e denunciamos perante a comunidade internacional este ataque covarde. Também chamamos de direitos humanos e organizações comunitárias independentes, bem como cidadãos do mundo para condenar este ataque.

Rede de Assistentes Internacionais da CIG “Con Marichuy Sem Fronteras”.

 

Barcelona (Catalunha), Bruxelas (Bélgica), Cali (Colômbia), Donostia / São Se-bastião (País Basco), Dortmund (Alemanha), Exeter (Reino Unido), Filadelfia PA (EUA), Fortaleza (Brasil), Gold Coast (Austrália) Grand Rapids Michigan (EUA), Guatemala, La Haya (Holanda), Londres (Reino Unido), Lyon (França), Madrid (Espanha), Marselha (França), Norristown PA (EUA), Quito (Equador), Rio de Janeiro (Brasil), Santiago (Chile), São Paulo (Brasil), Sevilha (Espanha), Sherbrooke (Canadá), Valência (Espanha), Zaragoza (Espanha)

 

Organizações de apoio:

 

Red de Apoyo à Partida de Mulheres e Pueblos Indígenas de Barcelona

Desde Europa com Marichuy

Coalición Fortaleza Latina PA, EUA

Assembléia de Solidariedade com México no País Valência

Londres México Solidariedade

Despiertos y Actuando, Red solidaria de Mexicanos en Bélgica

Colectivo Y Aposentado, Madrid

 

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