[Buenos Aires-AR] Memória e direitos ameaçados

[Buenos Aires-AR] Memória e direitos ameaçados

Fevereiro 05, 2018 - 21:56
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A Associação das Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, vem sofrendo várias intervenções por parte do governo argentino. Nesta semana, uma equipe de oficiais de justiça tentou confiscar o arquivo da organização, que guarda documentos dos desaparecidos políticos da última ditadura cívico-militar. A ação foi considerada abusiva e ilegal pela presidente da entidade, Hebe Bonafini, ativista histórica, que aos 90 anos continua na luta por justiça, memória e liberdade.

Buscando burlar o estado de sítio estabelecido pelo regime portenho (1976-1983) que proibia reuniões de três ou mais pessoas, 14 mães decidiram começar a dar voltas ao redor de um monumento em forma de pirâmide que existe na praça. Com lenços brancos bordados com os nomes dos filhos desaparecidos, andavam de duas em duas, tentando marcar uma audiência com o ditador Jorge Rafael Videla.

O movimento virou símbolo de resistência à repressão e de defesa dos direitos humanos na Argentina. Por 40 anos, a marcha se repete a cada semana no mesmo lugar, como forma de homenagem aos 30 mil desparecidos políticos do país.

Entre as medidas da atual gestão Macri consideradas controversas pelo grupo, está a reforma da Praça de Maio, que vem impedindo a realização da caminhada das quartas-feiras. "Você não pode apagar a história fazendo uma praça novamente. A história está lá, a história existe e, felizmente, as Mães nunca param de chegar. Nós não queremos perder a história de nossos filhos, o que eles fizeram, como eles deram suas vidas, nós não queremos que isso seja perdido”, afirma Bonafini.

Além disso, a Universidade Popular das Mães da Praça de Maio (UMPM), fundada há 18 anos, com o objetivo de dar continuidade à luta da associação, permanece sem recursos. A instituição, que oferece cursos de licenciatura em Trabalho Social, Direito, História, entre outros, vem sobrevivendo com a ajuda do corpo docente.

Fotos e vídeo: madre.org

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