As belas épocas burguesas e gentrificação no Rio (1/2)

As belas épocas burguesas e gentrificação no Rio (1/2)

Julho 25, 2018 - 15:10
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La Belle Époque, em francês "Bela época", foi uma expressão artística e cultural nascida na Europa no final da Guerra Franco-Prussiana e durou até meados de 1914, durante a eclosão da primeira guerra mundial. O período foi marcado por umdesabrochar da cena cultural, avanço da tecnologia e efervescência de novas concepções filosfóficas e políticas. O cinema surgiu nessa época junto ao cancan, os cabarés, mais adiante, os meios de comunicação e transporte.

Na segunda parte desse mesmo artigo demonstrarei com exemplos como no município do Rio de Janeiro o contexto em que o desenvolvimento tecnológico e as demandas do capitalismo atualmente tem contribuido para o processo que nomearemos de gentrificação. Nesta primeira parte, contudo, nos disporemos de entender La Belle Epoqué napoleônica e a herança carioca com Pereira Passos.

Uma política que conhecemos por Gentrificação, pode ser explicada como o processo de mudança de composição social de um espaço, desde ampliar o comércio até construção de edifícios, o que valoriza o bairro. Quando falamos de gentrificação é certo dizer que é uma apropriação da burguesia sobre a tecnologia que gere a cidade. Falamos de um urbanismo que atende à classe dominante.

A Bela Época foi um marco de controle social através da arquitetura. Em Paris, Barão Haussmann[1] foi escolhido por Napoleão III para ser o prefeito de Paris(1853-1870) e liderar o planejamento urbano na grande capital. O papel de Haussmann era tornar uma Paris moderna e transformada para a elite e apaziguar o período conturbado da luta de classes.

As ruas de Paris nunca mais seriam as mesmas, cerca de 19.730 prédios históricos foram demolidos[1]. O formato geográfico das ruas de paris antes do projeto permitia à insurretos terem controle sobre as pequenas ruas se mirassem nas tropas do Estado de cima de seus telhados. O maior passo que o projeto arquitetônico pode dar foi, com a demolição dessas residências, construir amplas avenidas que tornariam as barricadas populares mais visíveis e vulneráveis sob ataque de canhões de tiro à distância. Na ocasião da Comuna de Paris as condições eram muitas para o processo revolucionário não ter se firmado por mais do que 10 dias, e não é impossível se afirmar que o plano arquitetônico poderia ter influenciado o enfim fracasso.

 

Bela Epoca Brasileira

No Brasil, o período conhecido como Belle Époque Sulamericana ganhava expressão tanto na região do Ciclo da Borracha como na Região cafeeira. Foquemos mais especificamente no Rio.

Em 1906 era a vez do Centro do Rio. cortiços eram demolidos e quem ali vivia ou ia para a periferia, ou para os morros, como exemplo o do Castelo (desmobilizado em 1922 pelo prefeito Carlos Sampaio[2]). A primeira favela, o morro da providência, expandiu sua comunidade local com as reformas na zona portuária[2]. cerca de 3 mil residências no centro do Rio foram demolidas e deu abertura para o projeto das largas avenidas semelhante às em Paris de Haussmann. A Avenida Presidente Vargas foi resultado de demolições que desmantelaram a Praça Onze, berço do samba carioca.

Na zona portuária, as obras de Pereira Passos atropelaram vários sítios arqueológicos próximos á região que ficava a Igreja Santa Rica. Os que foram documentados, revelavam a antiga presença de um cemitério de Pretos Novos (mortos na chegada ou no percurso até o Rio na época do escravagismo). Hoje, a zona portuária voltou a ser espaço para especulação imobiliária devido à "revitalilazação" do Porto Maravilha.

 
Por Alfredo Lima

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