Pela Paz

Internet facilita movimento anti-guerra

Carlos Gustavo Yoda
 yoda_sv@uol.com.br

A Internet transformou-se em um indispensável meio para construção do mundo globalizado. No meio de tanta informação, as pessoas que têm acesso à grande rede digital se vêm encurraladas, no meio de um fogo cruzado, sendo bombardeadas por vídeos, fotos e textos sobre a Invasão no Iraque.
É verdade que a parte da população mundial que tem acesso à Internet ainda é muito ínfima. Mas, a grande rede se torna fonte obrigatória de consulta, devido à liberdade de busca e à facilidade de acesso.
O mundo se tornou ao alcance de todos. Com um clique no mouse, por exemplo, foi possível defender o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) de um massacre, em Chiapas, no México, em 1999. O subcomandante insurgente Marcos, que retoma a imagem romântica do guerrilheiro. Num mundo que vive da imagem, Marcos aproveitou-se dela, retomando na mentalidade comum a figura que Che Guevara representou para a revolucionária geração de 60. Em 1999, sob a ameaça de uma invasão das tropas governistas em Chiapas, Marcos enviou uma mensagem via Internet pedindo ajuda para os moradores da Cidade. A mensagem e a causa se espalharam rapidamente pelo mundo, evitando o massacre em Chiapas.
O movimento anti-guerra, e, conseqüentemente, anti-americano, cresce a cada dia, ou melhor, a cada minuto na rede, pois um dia é tempo demais na evolução da informação. Através da Internet é possível assinar lista a ser encaminhada ao presidente norte-americano, George Walker Bush, mesmo ele não estando muito aberto a conversas, ou assinar o ?Referendo Popular Anti-Guerra?.
Uma peculiaridade dessas manifestações é a disparidade de protestantes, um possível sinal de que os protestos estariam sendo feitos por diferentes segmentos da população. Essa popularização seria devido à Internet que está sendo usada como uma importante ferramenta de organização com suas centenas de sites anti-guerra e listas de discussão.
A vida humana passa a se tornar comum, em uma espécie de uma mundialização englobada pela tecnologia, que resulta em uma maior preocupação humana com o próximo, mesmo distante e isolado, sem poder tocá-lo e senti-lo. As marcas deste povo, a cybersociedade, estão entrelaçadas, em prol de um outro mundo possível.

Lado de lá
Através deste advento, que, da mesma forma que pode ser utilizado por uma causa justa, pode manipular informações de interesses impuros, este repórter entrevistou duas jovens norte-americanas, para saber como está o sentimento da população que hoje está sendo cada vez mais hostilizada pelo resto do mundo. Via ICQ (programa que possibilita troca de mensagens simultâneas) foi possível conversar com Maria Theo e Kristin Unger.
Maria Theo tem 18 anos, estuda Biologia, sempre viveu em Nova Iorque e deixou claro desde o início da conversa que é ?totalmente contra Bush?. Quando aconteceu o atentado de 11 de setembro de 2001, Maria conta que estava na escola, que fica a poucos quilômetros do World Trade Center: ?Eu pude ver claramente tudo o que aconteceu?.
Após o 11 de setembro, o espírito patriótico norte-americano aumentou, segundo Maria. Perguntei se ela acredita que, se não houvesse acontecido o atentado, talvez não estaria acontecendo este ataque ao Iraque. Maria respondeu: ?A decisão de Bush (de atacar o Iraque) não foi baseada no 11 de setembro. No entanto, talvez se o atentado não tivesse acontecido, as pessoas não estaria apoiando a Guerra. A situação é ridícula?.
A jovem ainda condena as razões de Bush: ?Ele diz que tudo isto é pelo bem das pessoas, mas eu não acredito?. Maria ainda questiona as pesquisas que apontam 70% da população norte-americana a favor da Invasão. ?Não sou especialista, mas eu não vejo isto com os meus dois olhos?, conclui.
Kristin Unger vive em uma cidade chamada Atascadero, que fica entre Los Angeles e São Francisco, na Califórnia. A jovem estudante, de 17 anos, também não apóia as ações de Bush, considerando-as ridículas: ?Guerra não é a melhor resposta para nada. Na verdade, Bush só está terminando o que seu pai começou?.
Questionada sobre o tratamento que os professores nas escolas estão dando a respeito da Invasão, Kristin afirma que ?a maioria dos mestres apóia Bush e não lida muito com este assunto. Eles apenas nos falam sobre a situação e temos psicólogos que eventualmente nos apóiam?.
A família e os amigos de Kristin também são contra a Guerra. A estudante conta que ?um conhecido que está fazendo parte da Armada apóia completamente as idéias de Bush?.
A garota de Atascadero teme que Guerra gere mais miséria para as pessoas do Iraque e que muito dinheiro seja desperdiçado (o Ataque norte-americano está orçado em US$ 90 bilhões). ?Depois, sobrará um país em ruínas. As pessoas terão que pensar o que os outros querem. Eles não terão certeza do que o amanhã poderá trazer para eles. Se eu pudesse, eu chutaria a bunda de Bush e diria o quão estúpidas são as ações dele?, concluiu Kristin.

P.S. - Kristin, se precisar de ajuda é só avisar. Good Bye! Maybe the future will reserve for us a little bit of peace!

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Para quem quiser enviar uma mensagem para George Walker Bush, o endereço é  president@whitehouse.gov.