Após um período de quase duas semanas de relativa tranquilidade, policias comandando um numeroso grupo de capangas encapuzados e armados voltaram a invadir, destruir e incendiar todos os barracos e materiais da ocupação 17 de maio, de famílias sem-teto. A ação criminosa aconteceu entre as 22 horas do dia 07/07 (segunda) e as 2 horas do dia seguinte. Os antecedentes do caso estão em mensagens anteriores e no link  http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/06/257449.shtml.

Durante esta fase em que as incursões e ameaças da polícia diminuiram, os sem-teto aproveitaram para recuperar e reconstruir os barracos, e avançar na organização da ocupação, que foi batizada de "17 de maio", em homenagem à data em que começou. O barracão coletivo também foi reconstruído e as primeiras doações de alimentos, roupas e materiais de construção puderam enfim começar a ser guardadas na própria área ocupada. Foi decidido a realização de uma festa julina no dia 19/07, em comemoração aos dois meses da ocupação e à luta do povo. Na altura do ataque de segunda-feira, cerca de 130 barracos já estavam erguidos e outros em início de construção, e um número maior de lotes já havia sido marcado.

O primeiro sinal que algo ia voltar a acontecer foi a presença de Paulo Sérgio, um dos supostos donos do terreno, junto com dois policias militares no dia 06/07 (domingo). Cumprindo um papel que deveria caber aos policiais, Paulo Sérgio disse que havia uma queixa crime contra alguns ocupantes por roubo de mourões e arame na 56a DP (Comendador Soares), mas não apresentaram nenhuma intimação oficial.

A ação de 07/07 foi comandada pelo sargento Almeida e pelo soldado Sales, da PM, que se encontravam numa viatura cuja identificação não pôde ser feita. Junto vieram uma kombi sem placa e uma pick-up, que levavam um total de cerca de 20 homens armados e encapuzados. Os PMs antes passaram em frente e pararam de forma ameaçadora diante da casa de pessoas supostamente envolvidas na organização da ocupação, no vizinho conjunto Pantanal. Os ocupantes que estavam nos barracos e no barracão coletivo (homens, mulheres - incluindo uma grávida - muitos idosos, e crianças) fugiram assim que avistaram os agressores.

Os bandidos fardados ou encapuzados passaram então a destruir sistematicamente tudo, jogando gasolina e botando fogo. Sem nenhuma intervenção policial, fizeram isso durante aproximadamente quatro horas. Aparentemente, a gasolina acabou durante o "serviço", pois os últimos barracos foram destruídos mas não incendiados. A certeza de impunidade parece tanta que eles deixaram no local evidências como os galões utilizados para levar a gasolina.

Além dos barracos, os capangas destruíram e incendiaram ferramentas, roupas e sapatos que haviam sido doados, cerca de 100 kg de alimentos (arroz, feijão, legumes, etc) também doados. Um fogão e rádios a pilha também foram destruídos. O fogão era utilizado para preparar as refeições coletivas principalmente para os idosos, mulheres e crianças. Também não pouparam o material utilizado nas ligações elétricas (fios, bocais, lâqmpadas, etc)

O que não foi destruído foi roubado. Policiais e capangas levaram algumas ferramentas (cavadeiras, enxadas, martelo, machadinhas, facões, etc) e 8 panelas que eram utilizadas na cozinha coletiva.

Ao final, os agressores deixaram o local dando tiros para o alto e soltando fogos.

É preciso ressaltar que os ocupantes seguiram todos os caminhos legais tanto para encaminhar a questão da terra quanto para denunciar a violência e ameaças. Procuraram o Iterj (Instituto de Terras do Rio de Janeiro) e seguiram suas orientações. Denunciaram as ameaças e agressões ao Ministério Público, Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Corregedoria e Ouvidoria, mas nehum desses órgãos tomou as medidas urgentes necessárias. Estarão esperando alguém morrer para agirem?

Essa é a quarta vez que os capangas e policiais contratados pelos empresários grileiros atacam e destroem material da ocupação, logo após cada uma foi tudo denunciado aos órgãos "competentes" e à imprensa, mas nenhuma atitude foi tomada.

Os ocupantes resolveram responsabilizar o governo do estado pelas perdas sofridas, já que a ação foi comandada por funcionários do estado (os policiais militares). Irão exigir da governadora a reposição do material (madeiras, telhas, lonas, lâmpadas, fios, bocais, etc), das ferramentas , equipamentos e alimentos destruídos ou roubados. E a punição dos agressores. E continuarão no terreno até a conquista da moradia.