Militares expõem “indícios veementes” de sabotagem ao VLS


Os coronéis reformados Frederico Soares Castanho e Roberto Monteiro de Oliveira, membros da Associação dos Militares em Reserva do Paraná (Asmir-PR), apontam indícios veementes de sabotagem na explosão do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1) no último dia 22 de agosto, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Essa hipótese é levantada cada vez mais por especialistas, militares e políticos.

Já no mês de março os coronéis apresentaram documento em que apontavam “indícios veementes de sabotagem nos fracassos dos lançamentos dos protótipos VLS-V01 e V02”, ocorridos em 1997 e 1999, com a suspeita de ser o governo dos Estados Unidos o principal suspeito pelas falhas dos dois primeiros protótipos do VLS. O primeiro lançamento aconteceu em 2 de novembro de 1997, com o objetivo de pôr em órbita um satélite de sensoriamento remoto do INPE e o segundo em 11 de dezembro de 1999, que colocaria em órbita o satélite Saci-2, também do INPE. As denúncias foram publicadas em artigo do jornal “O Imparcial”, do Maranhão.

Significativamente, a empresa privada norte-americana que foi contratada para fazer o revestimento no primeiro protótipo do VLS segurou o máximo a entrega.

O VLS é um foguete muito mais barato que os demais concorrentes. E, por sua localização privilegiada, a 2 graus da linha do Equador, os lançamentos a partir da Alcântara permitem economizar mais combustível, o que nos dá outra séria vantagem comercial. Além do mais, vale lembrar que todas as empresas norte-americanas de lançamento de foguetes são ligadas ao cartel bélico norte-americano, que não tem o mínimo interesse que o Brasil desenvolva essa tecnologia.

Quanto à recente explosão do VLS-1, o professor do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA) Edison Bittencourt sugeriu a hipótese de onda eletromagnética disparada do espaço ou pequeno dispositivo, inserido no motor e controlado à distância. Em nossa última edição, a partir de informações de fontes militares, havíamos aventado essa possibilidade, agora reafirmada pelo especialista do CTA.

Os cientistas Anatoliy B. Roytman (ucraniano) e Alexandre Gainer (russo) também não descartam a hipótese de sabotagem: “Nós não temos dados suficientes para descartar essa hipótese e achamos que ela deve ser investigada como as demais”. Especialista em vibrações mecânicas e eletromagnéticas, Roytman lembrou ser possível o acionamento à distância através de fontes estáticas de rádio: “Elas emitem ondas eletromagnéticas, que podem excitar o sistema de ignição e, com isso, pode ser criada a descarga elétrica artificial”, acrescentando que “há ainda a possibilidade de situação criada para que o isolamento falhe depois de certo tempo, mas antes do período previsto para o lançamento. Nesse caso, são utilizadas substâncias químicas que diminuem a vida útil do isolamento”.

Segundo a Asmir-PR, na explosão do segundo protótipo do VLS a hipótese de sabotagem é ainda maior, ocorrendo um atraso de quase dois meses no lançamento provocado pelo defeito em uma das peças - de fabricação norte-americana - do satélite Saci-2”.


VALDO ALBUQUERQUE


Hora do Povo - ed. 02 de Setembro 2003


Índice
 http://www.horadopovo.com.br/indice.htm


 http://www.horadopovo.com.br



======= ======== ======== ======== ======== =======



Defesa começa inquérito sobre as causas da explosão do VLS


O inquérito para investigar as causas da explosão do Veículo Lançador de Satélite (VLS) já foi iniciado por determinação do Ministério da Defesa. Equipe coordenada pelo comandante Cerri, do Instituto de Aeronáutica Espacial (IAE), tem o prazo inicial de 30 dias para apresentar o seu relatório.

O comandante do Centro de Lançamento de Alcântara, major-brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, afirmou que a hipótese de falha da equipe é praticamente inexistente - nenhum membro dela cuidava dos motores do foguete (foguetes auxiliares) no momento em que um deles entrou em ignição. O oficial não descartou a hipótese de sabotagem, embora, em sua opinião, ela seja remota.

Fontes militares ouvidas pelo HP referiram-se a ondas eletromagnéticas de origem desconhecida, que poderiam ter deflagrado a ignição. Segundo relataram, por ocasião da última tentativa de lançamento, essas ondas foram detectadas, assim como a sua captação por um satélite dos EUA estacionado sobre Belém. No entanto, apesar dos esforços da FAB, não foi identiticada a fonte das emissões.

Nos dias anteriores à explosão do VLS, segundo informações divulgadas na imprensa do Maranhão, também ondas eletromagnéticas teriam sido percebidas em Alcântara, o que teria feito com que o lançamento fosse adiado.

As fontes ouvidas pelo HP referiram que, desde a primeira tentativa de lançamento, teria sido aventada a possibilidade de sabotagem, com a destruição do veículo por controle remoto.

Outra hipótese levantada para o trágico acidente seria um defeito na ignição de um dos quatro motores do corpo principal do foguete, o que teria levado à explosão na plataforma de lançamento.

O Brasil é o único país da América Latina com capacidade tecnológica para lançamento de foguetes.


Redação


Hora do Povo - ed. 29 de agosto 2003


Edições anteriores
 http://www.horadopovo.com.br/capadir/biblioteca/bibliot.htm