Conhecer a verdade sobre a mulher no passado é uma tarefa um tanto difícil, pois o verdadeiro se omiscui no analfabetismo a que estavam condenadas pelos homens. Nos documentos datados até 1914, que chegam até nós, todos foram escritos por homens, principalmente os dos tribunais da Santa Inquisição. Mas qual a causa de tanto horror fóbico pelas mulheres?


CARTA À EFÉSIOS - 5:21,24

"SEJAM SUBMISSOS UNS AOS OUTROS NO TEMOR À CRISTO. MULHERES, SEJAM SUBMISSAS A SEU MARIDOS, COMO AO SENHOR. DE FATO, O MARIDO É A CABEÇA DE SUA ESPOSA, ASSIM COMO CRISTO, SALVADOR DO CORPO, É A CABEÇA DA IGREJA. E ASSIM COMO A IGREJA ESTÁ SUBMISSA A CRISTO, ASSIM TAMBÉM AS MULHERES SEJAM SUBMISSAS EM TUDO AOS SEUS MARIDOS.".

TIMÓTEO - 2:9,15 (PALAVRAS DE pAULO DE tARSO)

"QUANTO ÀS MULHERES, QUE ELAS TENHAM ROUPAS DECENTES E SE ENFEITEM COM PUDOR E MODÉSTIA. NÃO USEM TRANÇAS NEM OBJETOS DE OURO, PÉROLAS OU VESTUÁRIO SUNTUOSO; PELO CONTRÁRIO, ENFEITEM-SE COM BOAS OBRAS, COMO CNVÉM ÀS MULHERES QUE SE DIZEM PIEDOSAS. DURANTE A INSTRUÇÃO , A MULHER DEVE FICAR EM SILÊNCIO, COM TODA SUBMISSÃO. EU NÃO PERMITO QUE A MULHER ENSINE OU DOMINE O HOMEM. QUE ELA CONSERVE O SILÊNCIO. PORQUE PRIMEIRO FOI FORMADO ADÃO, DEPOIS EVA.E NÃO FOI ADÃO QUE FOI SEDUZIDO, MAS A MULHER QUE, SEDUZIDA, PECOU. ENTRETANTO, ELA SERÁ SALVA PELA SUA MATERNIDADE, DESDE QUE PERMANEÇA COM MODÉSTIA NA FÉ, NO AMOR E NA SANTIDADE".

Se a mulher soubesse o quanto já padeceram, suas ancestrais, em poder da violência machista da Igreja Católica, sequer passariam diante da porta de uma. Quem levar ao pé da letra o que está escrito em Timóteo é a favor da demissão de todas as professorinhas do nosso Brasil. Há uma aproximação entre a doutrina cristã e islâmica. O Taleban e muitos estados islâmicos proibiram e ainda proibem o acesso das mulheres à instrução. Do passado medieval até os dias atuais houveram muitas "rupturas' na mentalidade da cultura ocidental. Já os povos islamizados, cujo profeta Maomé posou para a posteridade portando armas, prevaleceu a "permanência" do predomínio da fé e do dogma sobre a razão e a dúvida.

(A Igreja controlava mais a sexualidade das mulheres do que a dos homens), exceto quando se tratou de homossexualidade masculina. Hoje em dia não é diferente, vide as milionárias indenizações que o Vaticano reluta em pagar às vítimas dos padres tarados.

(A mulher estava condenada a pagar eternamente pelo erro de Eva, a primeira fêmea, que levou Adão ao pecado e tirou da humanidade futura a possibilidade de gozar da inocência paradisíaca. a mulher tinha que ser permanentemente controlada, pois partilhava da essência de Eva). Os homens encontravam justificativas para escravizar a mulher na rotina doméstica e partilhar de várias amantes, assim como fazem os muçulmanos. (Os maridos não podiam ser demasiado ardentes para com suas esposas) pretensas Marias, só se realizando completamente com as amantes, muitas escravas que se enfeitavam com pérolas e jóias, cujo valor ultrapassava em 3 vezes o da negra que o carregava.

(As mães incitavam as meninas a contrair matrimônio cedo, após a primeira menstruação), para que não concebesse o prazer como finalidade do sexo, e sim a reprodução das obras de Deus. (Aflitas, as meninas se casavam na Igreja, que permitia matrimônios tão precoces, para logo se tornarem mães e exercerem seu papel de Maria.

Foi proibido o exercício da medicina em Portugal, nos séculos XVI e XVII), o que refletiu em sua principal colônia. (Os médicos desconheciam completamente o funcionamento dos órgãos sexuais femininos. Os demais países europeus orientavam suas pesquisas pela experimentação científica. Em Portugal prevalecia a crença na ação diabólica. Seus métodos mais pareciam tratados de feitiçaria, tais como tomar um cão preto, pendurando-o com os pés para cima, bem seguro, no ramo de uma árvore, e começar a açoitá-lo para fazê-lo enraivecer muito. Então, cortavam-le a cabeça de repente, a qual se metia numa panela nova até deixar bem tostada a ponto de se reduzir a pó fino, e com estes, se pulverizam as feridas). Com relação às "madres", afirmavam possuir testículos mais pequenos que o dos homens.

(As mulheres que possuíam conhecimento de como tratar o próprio corpo, também passavam a tratar o das outras), pois até o pajé da tribo mais próxima era mais recomendado do que um médico português. Estas mulheres eram chamadas de benzedeiras e feiticeiras, capazes de detectar e dissuadir as manifestações de Satã nos corpos doentes. (Em casos complicados, as sangrias matavam as parturientes, prova da incompetência dos médicos. Uma mulher arriscava-se muito ao cometer adultério, pois a lei), sob as bênçãos da bisparia, (previa que o homem poderia matá-la.

Também os padres aproveitavam-se do confessionário para tentar seduzir algumas paroquianas. Em 1752, um vigário foi surpreendido em Goiás atracado na moça com tão cega fúria que lhe rasgou a saia; devido aos gritos, pessoas a acudiram e o padre justificou-se dizendo ser ela mulher casada que vivia em lassidão. Não hesitou e propôs: "como vóz cometeis adultério com homem casado, também o podeis fazer comigo. Uma da maneiras delas violarem, trangredir e se defender estava justamente em refugiar-se no amor de outra mulher. A homossexualidade era severamente punida com o confisco dos bens pela Coroa. Em 1638, um holandês observou que "elas se vestem e se enfeitam só para serem vistas pelas suas amigas e comadres. No século XVIII, Luís dos Santos Vilhena relata que as mulheres são extremamente amigas de suas amigas. Comocasavam cedo a sexualidade também era despertada cedo) - um tiro pela culatra - (e, enquanto o casamento não se realizava, as meninas e adolescentes praticavam sexo como podiam. Assim, metade das mulheres acusadas pela Inquisição, no Brasil, de homossexualismo, na década de 1590, confessaram ter cometido tal pecado entre os 7 e 15 anos de idade. Uma delas, Maria Rangel, disse que aos 14 anos o fizera com juma vizinha, mas também com outras moãs igualmente pequenas e algumas de doze anos. Só uma, Guiomar Pinheiro, fora violada aos oito anos por uma adulta, Quitéria Seco, casada com um alcaide. Tudo se passava em círculos restritos de amigas e vizinhas, e muitas vezes nem era preciso sair de casa. Aproveitavam-se a hierarquia e a intimidade em que conviviam senhoras e escravas. Guiomar Pícaro, por exemplo, confessou que tivera experiência sexual aos 12 ou 13 anos com uma escrava de 18. Mas nenhuma mulher chegou a ser queimada pela Igreja, acusada de homossexualismo, pois na cultura misógina), fóbica em relação ao sexo oposto, ( o ato sexual só podia ser compreendido com a presença toda poderosa do pênis. Entretanto, os inquisidores consideravam um agravante o uso de qualquer instrumento penetrante, como a que usava aquela mulher apelidada de "a do veludo"

O último lugar onde se poderia esperar manifestação da sexualidade feminina seria na cela do conventos, pois ali as mulheres deviam ser como "esposas de Cristo". devendo renunciar aos prazeres sensuais. A vida religiosa era decidida pelo pai por t^rês motivos: ter filha no convento ostenta certo status social; no convento, a filha não herdaria o que se destinava ao filho varão; a filha recolhida num convento seri a proclamação pública da religiosidade da família). Puro maquiavelismo.

(O arquivo do convento de Santa Clara do Desterro, Salvador, em atividade desde 1677, revela o comportamento das freiras transbordando de sexualidade, e homossexualidade. Uma vez no convento, a sexualidade reprimida em casa podia agora se extravasar de mil maneiras, algumas sutis, engenhosas, ardilosas mesmo, outras sem maior rebusco, sem maior cuidado, sem pudor algum. As freiras sabiam de tudo o que se passava do lado de fora do convento e mantinham contatos íntimos com o mundo externo. Uma legião de homens, apropiadamente chamados de "freiráticos", cultivava naquela época a vaidade de seduzir freiras. Elas são que, a bem dizer, seduziam os homens. O "freirático" tinha que passar pelo "ralo", placas cheias de furinhos, onde os dois falavam, mas não se viam, e pela "grade", barras que ainda os separavam, mas não impediam apalpos e carinhos, e também a "roda dos ventos", onde trocavam bilhetes e presentes. Muitos encontros de freiras se davam com vários amantes ao longo do dia, em que muito delas tratavam vários homens como se fossem um, como se fosse o mesmo. Os padres residentes e visitantes também se aproveitavam da condição privilegiada que lhes dava trânsito livre dentro da clausura do convento. Tudo em segredo.

Aquelas mulheres, hoje são pó, são nada, ao contrário de sua dor, seus momentos de prazer, seus sentires que nos chegam aos pedaços).

Enfim, a Proclamação da República separa o Estado da Igreja, cria cartórios e cemitérios, substituindo as bulas batismais pelas certidões de nascimento, pondo fim ao controle burocrático e monopolizador que os padres exerciam sobre o serviço funerário e sobre a herança dos falecidos.

É na Primeira Guerra Mundial que se inicia uma série de rupturas que, quanto mai recentes, mais aceleradas se tornam. A mulher tinha que passar mensagens, assumir o lar na morte do marido, se emancipar.

Cada vez mais os pastores correm atrás das ovelhas e se perdem com elas. Rock, samba, forró, tidos no passado como obrtas do diabo, hoje é um dos principais chamarizes ao povo para ingressar no comércio, templo adentro. Os novos tempos obrigam adaptações à novidade do pragmatismo e ao fortalecimento da velha dinastia do individualismoque se impõe como traço padrão de forma fulminante. Individualismo este fartamente explorado por pastores nos templos, inclusive televisionado ao vivo, prometendo dinheiro e sucesso àqueles que se manterem fiéis e pagarem devidamente o dízimo.