O Anarquismo clássico tem duas principais vertentes (quem quiser ler sobre todas as vertentes do Anarquismo, vai ler um livro e não um blog ? recomendo Woodcook): o Anarquismo Comunitário e o Anarquismo Individualista. O primeiro postulava uma sociedade sem Estado e Capital, organizado em comunidades (comunas?) sem estruturas hierárquicas, tudo baseado na autogestão. O segundo postulava uma sociedade sem Estado e Capital, organizado em grupos de indivíduos reunidos com a mesma vontade individual de serem livres. A diferença maior entre os dois está onde dão a ênfase dos bloqueios à liberdade. O primeiro enfatiza na oposição à perda da liberdade gerada pela repressão do Estado e do Capital. O segundo enfatiza na oposição à perda da liberdade gerada pela repressão social.

O Anarquismo do século XXI (é meio cedo pra falar ?DO? Anarquismo do século XXI, mas falaremos do anarquismo que foi gerado no final do século XX e início do XXI, o tipo 3) é uma fusão dos dois anarquismos clássicos com algumas filosofias do século XX. Com a derrota do socialismo no séc. XX, o Anarquismo perdeu um pouco da ênfase na oposição ao Estado e ao Capital, ressaltando mais os aspectos da oposição à repressão individual. Neste sentido, o ANARQUISMO ONTOLÓGICO se assemelha mais ao anarquismo individualista. Porém, a repressão destacada pelo anarquismo moderno não é a repressão externa realizada pelas estruturas e instituições sociais, mas a repressão interna realizada pelo próprio indivíduo.

Assim sendo, o ANARQUISMO ONTOLÓGICO se assemelha muito mais à magia do Caos do que ao anarquismo clássico. A magia do Caos prega a utilização de um meta-modelo para realizar suas magias, ou seja, o critério para utilização de um sistema mágico (Hermetismo, Cabala, Thelema, etc) seria seus resultados. A crença, desta maneira, é um meio, não um fim. Assim, acreditar em um modelo de realidade é uma questão arbitrária. Por isso, a expressão que sintetiza esse pensamento: ?NADA É VERDADEIRO. TUDO É PERMITIDO.?

A palavra ?ontológico? da expressão, significa estudo do ser. Logo, o ANARQUISMO ONTOLÓGICO seria uma forma de conceber a anarquia como forma de existir no mundo. O objetivo deste anarquismo seria a libertação ou liberação (mesmo que momentânea, como nas insurreições ou TAZs ? Zonas Autônomas Temporárias) dos modelos de realidade utilizados de forma hipnótica. Algo como uma expansão da consciência (?Satori? para os budistas, ?Revolução do dia-a-dia? para os situacionistas, ?Gnose? para os caoístas etc.). Obviamente, ainda há a resistência a todas as formas de repressão realizadas pelas instituições sociais e estruturas do Estado e Capital. Mas apenas como meio para libertação dos modelos internalizados por estas instituições e estruturas, uma vez que elas são responsáveis pela socialização do indivíduo.

A palavra Anarquismo vem da expressão grega ?sem governo?. O Anarquismo Clássico fazia a questão de diferenciar entre a anarquia e o caos. Já o Anarquismo Ontológico iguala os dois termos. Caos é Anarquia. E Anarquia é Caos. Porém Caos aqui, não é entendido como desordem, mas como uma ordem mais elevada, o conjunto de todas as ordens, uma ordem além de nossa compreensão realizada através da utilização de nossos modelos de realidade hipnóticos. Enfim, o que o Anarquismo Ontológico busca no fundo, é sair do estado hipnótico e repressivo da consciência habitual. Ver a magia da existência se libertando da realidade aristotélica.

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