Hoje, dia 23 de março, a partir das 9h da manhã, o Movimento Passe-Livre de São Paulo (MPL-SP) realiza um ato no centro da cidade. Com concentração no Teatro Municipal, o ato ocorre frente da Secretaria Municipal de Transportes, onde acontece uma reunião entre militantes do movimento e assessores do Secretário de transportes.

Na quarta-feira passada, 15 de março, mesmo dia em que foi anunciado o corte de 1/3 das linhas de ônibus de São Paulo, militantes do MPL ocuparam a Secretaria Municipal de Transportes. Exigiam mais transparência e maior participação da sociedade civil nos processos decisórios relativos à gestão dos transportes coletivos paulistanos, além de uma audiência pública com o Secretário Municipal de Transporte. Após uma reação violenta e desproporcional dos seguranças do prédio e da guarda civil metropolitana, que usou spray de pimenta, agrediu fisicamente alguns militantes e chegou a apontar uma arma para um dos estudantes, o movimento foi recebido por assessores do Secretário, que agendaram a nova reunião.


O OPORTUNISMO DA UJS, UBES, UNE (e dessas coisas)


Naquilo que chamado pelos seus organizadores como “Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre”, no dia de ontem, 22 de março, em cerca de 40 cidades do País ocorreram passeatas em favor do passe-livre para estudantes. A UBES convocou o ato e acredita ter mobilizado 110 mil pessoas. Em São Paulo, houve confusão e seis jovens foram detidos. A maioria das manifestações foi considerada pacífica. O que poderia ser, de fato, um momento de mobilização não passou de mais uma tentativa de organizações como a UBES, UJS, UNE e adjacentes cooptar mais jovens para serem utilizados apenas (e somente apenas) como massa de manobra.

Há muito tempo já é constatado que essas agremiações não se preocupam com quaisquer reivindicações (estudantis ou não) em defesa da sociedade. O apoio que fornecem à Reforma Universitária neoliberal do governo Lula é um exemplo de tal situação lamentável. O que foi constatado nas cidades onde ocorreram as passeatas em favor do passe-livre, no dia 22 de março, foi a utilização inescrupulosa, por parte da UBES, de milhares de jovens apenas como “garotos-propaganda” dos organizadores das passeatas. Não era o passe-livre que estava sendo defendido, mas sim a UBES que estava fazendo auto-propaganda.

O que explicita essa atitude vergonhosa para qualquer pessoa comprometida com reivindicações sociais foi o fato de a UJS divulgar em seu site a meta de chegar a pelo menos 50% de filiações em todas as passeatas do país. De acordo com Júlio Veloso, Diretor Nacional da UJS, “para que isso aconteça, no final das manifestações a UJS deverá convidar a moçada a participar de uma grande plenária da nossa organização, lá devemos apresentar a UJS e convidar a todos para se filiarem na nossa entidade”. Dessa forma, percebe-se que a preocupação de tais organizações não é com nenhuma luta pelo passe-livre, mas sim adquirir um maior número de filiados para si mesmas. Para elas, o passe-livre é apenas um meio de se auto-promover.

Recentemente, a UNE lançou sua “campanha” pelo passe-livre se utilizando do símbolo utilizado pelo MPL ( www.mpl.org.br ). O que pode parecer uma situação sem maiores problemas, configura-se em mais uma postura execrável de organizações desse tipo quando é constatado que a UNE não participa do MPL. Além disso, ela não comunicou em nenhum momento que se utilizaria do símbolo do MPL. Ainda mais grave é o fato da UNE não mencionar a existência do MPL, mesmo se utilizando de um símbolo do movimento. Novamente, sem quaisquer surpresas, o que se explicita é um sintoma típico de organizações que não participam de lutas em benefício da sociedade: o oportunismo rasteiro e desmedido, onde o único interesse é se utilizar das lutas de outros movimentos para fazer auto-promoção por meio de atitudes “vampirescas”.


O MPL É QUEM REALMENTE LUTA POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRANSPORTE EM BENEFÍCIO DA POPULAÇÃO.


O histórico de lutas do MPL ao longo de todo o território nacional pode ser encontrado em www.mpl.org.br . Por todas as regiões do Brasil, o movimento cresce por meio de lutas reais que, entre outros méritos, possui como agente a própria população, sem se utilizar das pessoas como “fantoches” ou “out-doors”.

Na cidade de São Paulo, o MPL se coloca contra as crescentes restrições ao uso do Bilhete Único; contra a ausência de democracia na tomada de decisões quanto às mudanças que vêm sendo implementadas no sistema de transportes coletivos da cidade; e contra a pressão exercida pelos empresários do transporte sobre a Prefeitura, através da tentativa de “rescisão amigável” dos contratos, como forma de obter aumento de repasses.

Justamente por estar realmente construindo a luta pelo passe-livre junto à sociedade, o MPL não possuiu quaisquer relações com as passeatas realizados do dia 22 de março. O MPL acredita que a luta pelo passe-livre é de toda a sociedade, defendendo, para tanto, uma nova forma de organização: horizontal, apartidária e independente.

CONTRA O CORTE ARBITRÁRIO DE 1/3 DAS LINHAS!
CONTRA O OPORTUNISMO DE ENTIDADES ESTUDANTIS, QUE TRATAM ESTUDANTES COMO GADO, VISANDO APENAS A AUTO-PROMOÇÃO, SEM PARTICIPAR OU CONSTRUIR QUAISQUER LUTAS EM BENEFÍCIO DA POPULAÇÃO!
POR UM PROCESSO DEMOCRÁTICO E TRANSPARENTE NA TOMADA DE DECISÕES!
POR TRANSPORTE GRATUITO E COM CONTROLE PÚBLICO!

Movimento Passe Livre.
www.mpl.org.br

São Paulo, 23 de março de 2006.