A atual composição dos acionistas da Aracruz é: o grupo Lorentzen 28 %;
Banco Safra 28 %; Votorantim 28%; BNDES 12.5 %, e outros 3.5 %.
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Caro Ministro da Cultura Gilberto Gil

Desde 1987 decidi que a minha vida era arte e que a partir dali iria apenas registrar evidências do meu estar viva no mundo. No desenvolvimento desse trabalho naturalmente a vida de todas as pessoas começou a me interessar muito, especialmente a vida daqueles que sofrem limitações e restrições profundas para se manterem vivos nesse mundo. Eu falo dos indígenas, dos pequenos agricultores, dos quilombolas que lutam a vida toda para manter o seu modo de vida e não serem jogados nas favelas das grandes cidades servindo como mão de obra barata nas casas e empresas dos grandes senhores desse país.

No dia 20 de agosto foi lançada a segunda etapa da campanha institucional da Aracruz, conduzida pela agência de publicidade WBrasil onde o senhor novamente emprestou a sua música "Bale de Berlim", para ser usada na campanha.

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Estou escrevendo essa carta de artista para artista. O senhor sabia que a organização de direitos humanos FASE argumenta que a Aracruz adquiriu terra através de falsas promessas, ameaças e a destruição das fontes de subsistência da população local da Bahia e Norte do Espírito Santo. A organização afirma que antes da expansão da Aracruz, em 1967, havia 40 vilarejos indígenas na área onde a Aracruz atuava. Após a Aracruz ter estabelecido todas as suas plantações de eucalipto na área, restaram somente três vilarejos. (1)

Alguns dos pontos importantes do relatório que se refere à Aracruz estão resumidos abaixo:
_ Os efeitos na Mata Atlântica
Todas as empresas mencionadas acima foram acusadas de cortar grandes extensões de mata. Organizações ambientalistas e biólogos também afirmam que o programa de recuperação das florestas pelas corporações é muito limitado para preservar a biodiversidade da região.
_Aquisição de terra ilegal e de forma não ética.
Segundo os críticos a aquisição de terra é altamente problemática mesmo quando é feita de forma legal. A Aracruz é acusada de apropriação ilegal de terras de grupos indígenas e de camponeses afro-brasileiros. Essa apropriação ocorreu principalmente no norte do Espírito Santo nos anos 70. Na Bahia, a terra foi acima de tudo adquirida por grandes pecuaristas. Entretanto, a SwedWatch obteve testemunhos de camponeses que afirmam que as empresas de papel e celulose tentaram comprar a sua terra, mesmo sendo ilegal, já que eles têm a propriedade coletiva da terra.
_ A perda ou ganho mínimo de oportunidades de emprego.
Os críticos da indústria de papel e celulose argumentam que ela gera poucos empregos, apesar dos enormes recursos do estado que são investidos no setor.
_ A rápida expansão das plantações de eucalipto
Existe um medo generalizado de que as plantações das empresas de papel e celulose irão continuar a se expandir dramaticamente. Os críticos estão convencidos de que a construção das fábricas da Aracruz e da Veracel irá exigir uma expansão substancial das plantações.
_ A diminuição do acesso à água
Um grande número de estudos mostra que o eucalipto consome enormes quantidades de água. Os resultados desses estudos coincidem com as declarações dos camponeses locais, que afirmam que as plantações de eucalipto drenaram cursos de água e abaixaram o nível da água do subsolo.
_ O problema das fábricas de papel
A rede de organizações ambientais que se opõem à expansão das corporações de papel e celulose, A Rede Alerta Contra o Deserto Verde, e muitos representantes da população local afirmam que as fábricas de papel causam danos ao meio ambiente e às condições de vida da população local.
_ A influência política do setor de papel e celulose
Há também uma crença geral, por parte dos opositores à indústria de papel e celulose de que os seus recursos financeiros e poder político são extensos e que eles conseguem influenciar e controlar decisões políticas a nível regional, estadual e federal.

A Casa Real da Suécia retirou seus investimentos da Aracruz Celulose (50% dono da Veracel, com a Sueco-Finlandesa Stora-Enso) após a desocupação violenta da Polícia Federal de duas aldeias indígenas Tupinikim/Guarani (Olho d´Água e Córrego d´Ouro) em 20 de janeiro de 2006.
A ação (cumprimento de reintegração de posse) foi totalmente ilegal (o MPF/ES entrou com ação contra a União pedindo indenizar as comunidades); e teve a participação ativa da Aracruz Celulose que forneceu a Casa de Hóspedes como quartel-general da PF e tratores da Aracruz (veja fotos) para ajudar a destruir completamente as casas e as roças dos índios. 13 índios ficaram feridos, um gravemente. (segue foto de um dos feridos).

"Existe um lugar para os relatórios, lobbys, protestos e disputas legais, mas quando se segue as regras do jogo determinada pelo estado isso simplesmente retarda o inevitável. A ação direta, ao contrário, desafia a onipotência do estado e o poder da indústria. Táticas que tem um efeito direto nos lucros fazem as empresas sentar e prestar atenção.? - Robert Allen, Republican News

Quando as mulheres da Via Campesina destruíram as mudas trangênicas de pinho e eucalipto na Aracruz em março desse ano, estavam seguindo uma tradição histórica do seu papel na sociedade. Em todos os tempos as mulheres foram sempre responsáveis pela defesa e proteção da vida desde a preservação das sementes até a nutrição do próprio ser humano.

Quando as mulheres da Via Campesina destruíram as mudas trangênicas no Rio Grande do Sul estavam agindo em meu nome também.
Foi uma ação de arte e vida de conteúdo profundo vinda genuinamente de indivíduos afetados direta ou indiretamente. Uma grande lição de onde a arte deve estar.
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Gostaria de fazer uma sugestão a você Gil, na próxima campanha da Aracruz leia o relatório anexo ou consulte a página da Sweedwatch,  http://www.swedwatch.org/swedwatch/in_english/reports,pense muito sobre a responsabilidade do artista com a vida e as pessoas do mundo e então decida o que achar melhor.

Um forte abraço,

Ana Amorim