Eu conheci o Brad em algum momento em 2002 nas mobilizações do movimento de resistência global. Brad tinha sido despejado de uma ocupação em Nova Iorque, processou a polícia por abuso e com o dinheiro que recebeu empreendeu uma longa viagem pela América Latina. A esta viagem em 2002 depois seguiram-se outras e ele acompanhou de perto nos últimos anos todos os acontecimentos importantes do continente: as mobilizações contra os organismos multilaterais em Fortaleza e Quito; a resistência do movimento sem-teto em Goiânia; as mobilizações dos Aymara em El Alto, na Bolívia; os piquetes e as assembléias populares na Argentina e, finalmente, a comuna de Oaxaca, no México.

Brad estava perseguindo a história do nosso continente e sua morte, aparentemente por forças paramilitares que reprimiam a comuna, é de uma injustiça dolorida. Toda morte parece inexplicável para os que ficam, mas a morte de um jovem, a morte por assassinato e a morte pelos ideais é especialmente imperdoável.

A morte de Brad não deixa de ser digna das opções que fez. Brad morreu tentando mostrar ao mundo o que a mídia empresarial não mostra; morreu apoiando os companheiros de Oaxaca que estão construindo a democracia direta; morreu na América Latina que é onde estavam as suas esperanças. Se pudesse ter escolhido um lugar, uma causa e uma circunstância, possivelmente teria escolhido morrer assim: em Oaxaca, na América Latina; na defesa do processo revolucionário e com uma câmera na mão.

Saudades, camarada, saudades!