Oaxaca sofreu ontem uma onda de repressão, em umas das jornadas mais violentas contra a Assembléia Popular do Povo de Oaxaca, APPO, desde o começo do conflito. Três mortos, incluindo o ativista do Centro de Mídia Independente Nova-Iorquino Will Bradley e um professor, muitos feridos, mais de cinquenta desaparecidos ou assaltados, foi o resultado dos ataques lançados por Ulises Ruiz e perpetuados pelos paramilitares, polícia municipal à paisana, membros do partido PRI e mesmo autoridades com o presidente do município de Santa Maria Coyotepec.

Hoje, às 8 da manhã, o presidente Vicente Fox anunciou ter enviado a Oaxaca a Polícia Federal, PFP, um grupo criado especificamente para atuar como a polícia, porém com métodos e treinamento militares. Radio Universidade, uma rádio nas mãos dos estudantes e da APPO, recebeu ligações e relatos de seis boeings(aviões) que chegaram no aeroporto de Oaxaca trazendo elementos da Polícia Federal e equipamentos. Às onze algumas mídias anunciaram que Ulises Ruiz se encontrou com o Secretário do Governo Carlos Abascal. Então, durante a tarde, o Secretário do Governo pediu para a APPO sair das ruas e praças, com a desculpa de garantir a segurança da população.

Duas pessoas foram presas por serem suspeitas no caso do ativista do CMI Nova Iorque, Will Bradley. Muitos meios mostraram imagens e vídeos do tiroteio, o que ajudou a indentificar os agressores. Eles são Abel Santiago Zurita, da Segurança Pública, e Manuel Aguilar, chefe da tropa de Santa Lúcia del Camino, pondo em evidência o fato de que membros da polícia e autoridades estão tomando partido nos ataques contra os membros da APPO.

Cerca de quatro da tarde, na Cidade do México, uma marcha começou no Hemiciclo a Juarez, um monumento próximo ao centro com o objetivo de chegar à residência oficial do Los Pinos, no entanto foram parados pela polícia em trajes anti-motim. Mesma quando a exibição da segurança era grande, não houve grande tensão em partes por causa dos meios pacíficos da marcha e porque os manifestantes eram menos de três mil. Mesmo assim, a demonstração teve música ao vivo com baterias e trajes que deram um caráter alegre ao ato. Algumas pessoas também mostraram manchas de tinta vemelha em suas roupas e rostos, simbolizando o sangue derramado em Oaxaca. Os manifestantes pediam solução para o conflito por parte do presidente Fox e do governo federal, o qual eles responsabilizam pela violência e por apoiarem um criminoso como Ruiz Ortiz. Mais uma vez o povo declarou que a renúncia do governador é a a demanda principal e que eles não pararão até terem levado a cabo seu objetivo.

De volta ao Hemiciclo a Juarez, onde alguns professores fazem greve de fome, uma barricada simbólica foi construída, clamando as milhares que se alastraram por Oaxaca. Essas barricadas construídas com tijolos, pedras, sacos de areia e cordas, são a única defesa do povo contra o ataque da "caravana da morte", caminhonetes cheias de indivíduos desconhecidos vestidos de preto usando munições pesadas como AR-15 e rifles AK-47. Ontem três pessoas tiverem que parar de participar da greve de fome porque já estavam em um mal estado e precisaram ser levadas ao hospital. Este sábado será o décimo-quarto dia de greve de fome. O médico do acampamento nos disse que os grevistas estão sofrendo de pressão baixa, precisando de solução de alumínio, solução de magnésio, água, mel ou solução eletrolítica.

Fora do país várias ações de protesto aconteceram em suporte ao movimento de Oaxaca, em Santiago, Chile, em Berlim, Alemanha, em Nova Iorque, Tuczon e São Francisco nos EUA, em Brasília e também na Bolívia, França e Espanha.

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