O povo indígena Ashaninka da comunidade Apwtxa da região do Alto-Juruá no Estado do Acre vem se destacando nacional e internacionalmente pelas suas ações de preservação dos recursos naturais de seu território, tornou-se um exemplo de sustentabilidade para outras comunidades indígenas e não indígenas.

Na década de 1980, os Ashanika enfrentaram invasões mecanizadas de madeireiras em seu território que afetaram profundamente a organização social e cultural da comunidade e causaram importantes danos ao meio ambiente, cerca de 1/3 da área foi desmatada pelo ex-governador do Acre, Orleir Cameli.

O Ministério Público entrou com apelação cível em 1996 contra os réus. Os Ashaninka obtiveram ganho de causa em todas as instâncias até o processo chegar no Tribunal Regional Federal da Primeira Região. O problema é que desde o ano de 2000, ou seja, há sete anos, o Processo está parado nas mãos do Juiz Relator, o Desembargador João Batista Gomes Moreira, da terceira turma do TRF.

De acordo com a Constituição Federal Brasileira é de direito dos índios o usofruto exclusivo das riquezas do solo das terras de sua ocupação tradicional. Também é direito dos índios a preservação de seus recursos naturais e ambientais e a preservação sem interferência externa indevida, de sua organização social e costumes. A Constituição Federal de 1988 reconheceu aos índios o direito as terras como um direito originário. E ao direito a demarcação e proteção, como garantias materiais do estabelecimento da certeza jurídica sobre todos os demais direitos, corresponde o dever da União de alocar meios e recursos de garantir tal direito.