Niterói, julho de 2007


Desde o dia 23 de abril,ou seja, há mais de dois meses, a reitoria da UFF se encontra ocupada por setores que compõem o Movimento Estudantil (M.E.). Trata-se do Acampamento Maria Júlia Braga ? o quilombo do século XXI- e o Grupo de Trabalho de Moradia do Centro Acadêmico de História, conhecidos, respectivamente, pelas siglas AMJB e GT de Moradia do CAHIS. Ao longo de um mês tais setores construíram uma passeata rumo ao Conselho Universitário (CUV) que ocorreu no dia 25 de abril e que trazia como uma de suas palavras de ordem principais a frase ?Assistência Estudantil: Um direito que só se conquista na Luta!? (1)
A passeata em questão foi marcada por uma expressiva combatividade o que pode ser facilmente comprovado ao assistirmos o vídeo que registrou tal evento. Após um verdadeiro arrastão que passou por diversas salas de aula do Gragoatá, os estudantes tomaram às ruas de Niterói ao canto de ?Roberto\ Ingrato\ Troca Assistência por Privatização\ Roberto\ Ingrato\ Promete a Moradia e nem dá o Colchão\ Mas eu vou Cobrar\ O que tu prometeu\ Sou Movimento Popular\ Eu quero o que é meu!? ocupando, por conseguinte, o CUV e após o seu término, o sétimo andar da reitoria. Neste espaço, durante uma plenária que avaliava a manutenção da ocupação do sétimo andar, os estudantes vinculados aos Coletivos Estudantis Tradicionais (CET's) Nós Não Vamos Pagar Nada e Romper o Dia (2) (hegemonizados pelos militantes do PSOL vinculados às correntes Enlace e CST respectivamente), UFF Que Queremos (hegemonizado pelo PSTU e Reage Socialista) (3) na figura de seus militantes assumiram, diante das câmeras, o compromisso político de se juntarem à ocupação do saguão da reitoria que tem como norte político só acabar quando as pautas por Assistência Estudantil ( concurso público para professor e funcionário, conserto do ar condicionado da Biblioteca Central do Gragoatá, criação de novos laboratórios de informática etc...) forem atendidas (com destaque para a construção da Moradia Universitária da UFF). Todavia, tais coletivos políticos romperam, mais uma vez, com o compromisso por eles assumido, demonstrando, assim, o quanto é inexistente a coerência entre o discurso que fazem e suas práticas!
O caso da Ação Direta Estudantil (ADE) é ainda mais gritante. Os membros que compõe essa organização política na UFF procuraram os companheiros do acampamento durante o ato do dia 17 de abril no Rio e propuseram a eles a ocupação da reitoria! Como tal ação já havia sido pensada pelos acampados, decidiu-se por realizá-la com a participação de tal organização, inclusive em sua manutenção. Todavia, para a surpresa daqueles que se encontram mantendo a ocupação, os militantes da ADE não estão mantendo o compromisso político para com esse movimento o que demonstra, mais uma vez, a incoerência, até mesmo destes, para com a luta real que tanto enaltecem! (4)
Independente de tal questão, a Ocupação da reitoria da UFF continua e para o desespero de todas as CET's a todo momento tomamos conhecimento de várias universidades que estão com suas reitorias ocupadas com reivindicações semelhantes as do M.E da UFF tendo a Ocupação da USP sido o caso mais divulgado dado o número de aderentes, fato este que fez com que boa parte da mídia televisiva noticiasse tal questão. Diante deste fato, os setores acima citados não sabem como se comportar. Ou apóiam a Ocupação da UFF e por conseguinte se guiam pela política correta de um Movimento o qual nunca respeitaram ou prosseguem em seu ?BOICOTE? improdutivo! Segue abaixo nossa avaliação de tal processo e as táticas usadas por estes setores para ?SABOTAREM? o Movimento representado pelo Acampamento e o GT de Moradia do CAHIS!

O início do ano de 2007 ( Acampamento Maria Júlia Braga - O quilombo do século XXI - completa um ano de Resistência e Luta !)

O primeiro semestre de 2007 iniciou suas atividades no mês de março tendo a reitoria promovido uma questionável atividade que recebeu o nome de ?Acolhimento Estudantil?. Tratava-se da primeira investida promovida em nome da gestão de Roberto Salles e Emmanuel para cooptar lideranças oportunistas (tendo sido divulgado no site da UFF a participação da corrente estudantil ?Nós Não Vamos Pagar Nada? em tal evento, fato este que, lamentavelmente, fomos obrigados a presenciar) (5) apresentando por meio deles uma Universidade que não existe, ocultando assim, os diversos problemas relativos à Assistência Estudantil na UFF.
Por causa do atraso na posse da atual gestão do DCE-UFF (atraso este que contribuiu, decisivamente, para que a Calourada só fosse promovida um mês após o início do semestre e com um tema questionável (6) se tomarmos como parâmetro o contexto neoliberal que precariza agudamente as instituições públicas), as lutas estudantis ficaram engessadas uma vez que a principal entidade dos estudantes nada apresentava de concreto na organização das ações.(7)
Concomitante a este período, os ativistas políticos reunidos em torno do AMJB, organizaram um calendário de atividades que pudesse servir para politizar a recepção dos mais diferentes estudantes que ingressaram recentemente na UFF. Após o dia 04 de abril, quando o Acampamento Maria Júlia Braga completou um ano de Resistência e Luta (8), ficou evidente que cabia fundamentalmente ao AMJB, na qualidade de movimento, promover as ações necessárias para pressionar a reitoria uma vez que a política desenvolvida pelos ?Paganadistas? demonstrou ser impotente para alcançar os objetivos propostos pelo Movimento, pois, há muito tempo constatamos o fato de o ?Paga Nada? direcionar suas ações para a via burocrática dos gabinetes, fenômeno este evidenciado na ampla propaganda divulgada no primeiro boletim do D.C.E. há cerca dos recursos que mendigaram do PDI ainda que os mesmos fossem oriundos de um relacionamento promíscuo com a Fundação Euclides da Cunha conhecida pela sigla FEC .(9)
Fazendo a leitura correta de que o momento para ação aproximava-se, nós enquanto OELI, propomos aos companheiros do Acampamento organizar um grande ato, semelhante ao promovido no ano de 2003 pelo Fórum de Luta pela Moradia na UFF, e emprestamos nossa experiência para que tudo ocorresse como este coletivo almejou. Após o GT de moradia do CAHIS ter promovido sua primeira reunião, os membros do acampamento organizaram com ele as ações inerentes a construção do ato do dia 25 de abril tendo este como pauta a Assistência Estudantil na UFF. Em um último esforço para medirmos o grau real de adesão dado a este chamado, conclamamos todos os setores do ME a participar das reuniões de organização do ato que ocorreram no tablado do ICHF durante as duas semanas anteriores à passeata e acreditávamos que as demais correntes estudantis que compõem o ME auxiliariam na construção deste uma vez que a pauta em questão é um ponto consensual entre os coletivos que apóiam ou se opõem à política desenvolvida pelo Governo Lula. Todavia, tal perspectiva não se materializou na medida em que estes além de não participarem das reuniões, sequer reproduziram os cartazes e panfletos como haviam prometido. O que serviu para comprovar, mais uma vez, o quanto tais correntes se encontram em um amplo processo de degeneração em que a única coisa que lhes restaram é o desejo megalomaníaco de estarem a frente de todas as entidades representativas (estando ela dentro ou fora da UFF) ainda que isso em nada interfira ou produza em termos de Movimento Real. As CETs preferem manter um eloqüente discurso mesmo que este em nada corresponda a suas práticas cotidianas e pensam que dessa maneira poderão um dia estar a frente de uma revolução socialista. As CET's restringiram-se a burocratizar, alienar, engessar e degenerar o ME da UFF de diferentes maneiras, o que nos cabe é transformá-lo de acordo com os parâmetros do socialismo libertário !
Graças a ação de Ocupação da reitoria promovida pelo Acampamento e endossada pelo GT de moradia do CAHIS garantimos a pressão sobre a reitoria, assim como demos um tempero a mais ao ato do dia 25 de abril, o resto já é conhecido dos estudantes. Por isso nós da OELI chamamos a palavra de ordem ?TODO APOIO A OCUPAÇÃO DA REITORIA DA UFF, ABAIXO OS SABOTADORES!? Pois entendemos que a mesma representa o símbolo da luta contra a Privatização, Precarização e pela Qualidade do Ensino Superior! E aqueles que lutam por essas bandeiras estão, certamente, ao lado desta Ocupação!
Infelizmente, durante a última assembléia da noite do curso de História UFF um destacado membro da juventude do PSTU na frente de dezenas de estudantes colocou que seu partido não defende tal movimento, sendo a segunda vez que este rapaz promove um absurdo como esse! (10) Logo, de que lado eles estão? Onde fica a tão falada ?SOLIDARIEDADE DE CLASSE? quando, DE FATO, precisamos dela? É DESSA MANEIRA QUE IREMOS COMBATER A REFORMA UNIVERSITÁRIA?! Pensamos que não!

A lógica Neoliberal e as Reformas

Desde a década de setenta, com o advento da revolução tecno-científica, profundas transformações vem acontecendo na estrutura social em virtude da mudança de paradigma no funcionamento do sistema capitalista (11), levando os mais diferentes governos nos mais diversos países, a adotarem políticas que visam restringir e retirar direitos conquistados, fundamentalmente, ao longo dos últimos dois séculos pelo conjunto da classe trabalhadora mundial, tendo a mesma sido vítima de um violento ataque. Cresce a massa de seres humanos atingidas pelo desemprego estrutural que em busca de sua sobrevivência é envolvida pelo processo de proletarização agudo precipitando, assim, no crime organizado, vendendo balas nos sinais de trânsito, ganhando a vida como podem. Suportam a sistemática violência e covardia promovida CONTRA ELES pelos órgãos de repressão do Estado. Perdem, enfim, toda dignidade e perspectiva de viver acabando por se transformar em uma massa de seres desumanizados. ESTE QUADRO É A VERDADEIRA A EXPRESSÃO DA BARBÁRIE!
A Universidade perdem cada vez mais sua autonomia e identidade. E para manter suas atividades acaba por ceder às investidas do mercado que através de seus agentes e governos almejam transformar tal instituição numa espécie de fábrica. Trata-se de entendermos que o espaço acadêmico encontra-se em uma disputa de projetos que se manifestam em interesses classistas antagônicos.
Hoje, um forte setor no interior da UFF organiza-se em torno de uma política voltada para interesses mercantis. Desde o início da década de noventa, estes segmentos executam todo o receituário neoliberal em tais instituições, tendo tal fenômeno, uma de suas característica mais significativa, o ?enxugamento? da máquina estatal. Como conseqüência, assistimos a mais profunda desobrigação do Estado enquanto ?PROVEDOR? dos investimentos na área educacional e social como um todo. A solução encontrada por uma parte dos que compõe a chamada ?COMUNIDADE ACADÊMICA? foi a de encontrar uma espécie de ?SUBSTITUTO? para este no ?MERCADO?, transformando em mera ?MERCADORIA? o conhecimento produzido em todos os cursos que passam a ser, em maior ou em menor grau, impelidos a buscar nestes os recursos indispensáveis para a produção acadêmica.
Em virtude disso percebemos, de maneira TEÓRICA e PRÁTICA, alterações substanciais na estrutura universitária fazendo com que tenhamos que conviver, de maneira passiva ou contestatória, com uma verdadeira PRIVATIZAÇÃO do espaço público. Isto gera, por conseguinte, uma mudança no modelo de universidade que deixa de ser gerida como uma ?INSTITUIÇÃO SOCIAL? e passa a ser entendida como uma ?ORGANIZAÇÃO SOCIAL?. Consiste em transformá-la em uma espécie de ?EMPRESA?!
Lamentavelmente, muitos são os ?PROFESSORES? que em busca de melhores ?VENCIMENTOS? aderem a tal perspectiva, incorporando, paulatinamente, práticas cada vez mais ?COMPETITIVAS? nos espaços que atuam concretamente, acabando por institucionalizar, entre seus pares, um forte espírito de discórdia coletiva para não mencionarmos a corrupção de todo tipo. Hoje, a reforma universitária defendida pelo governo Lula representa o coroamento deste projeto de classe!
Concomitantemente, percebemos uma forte mobilização da CLASSE TRABALHADORA assim como dos ESTUDANTES que ORGANIZADOS em DIVERSOS MOVIMENTOS buscam combater tais projetos que tanto precarizam as instituições públicas, retirando DIREITOS dos trabalhadores e a assistência dos estudantes! É importante enfatizar, que o conjunto de direitos hora existentes, ao contrário do que podem pensar alguns, não foram concedidos ao longo da história, por um ?BOM SENSO? dos diferentes governos que estiveram a frente do poder institucional brasileiro mas sim, arrancados destes através de muita MOBILIZAÇÃO e LUTA. Tal processo contribui para ampliar a compreensão de que, estando inserida em um contexto social marcado pela desigualdade produzida dentro de uma estrutura capitalista, as universidades tendem a manifestar, em proporção diversificada, as relações de micro poderes e conflitos de classes que permeiam a sociedade como um todo. Cabe a BASE influir efetivamente nos rumos da sociedade e não se subordinar aos desígnios da classe dominante e de seus dirigentes.

GREVE

Estamos diante de mais uma greve dos servidores federais, dentre os quais destacamos os da UFF, sendo este um momento privilegiado para analisarmos as questões inerentes a este processo de luta. A greve tem sido, por mais de dois séculos, o meio consagrado pela classe trabalhadora para fazer patrões e governos aceitarem suas reivindicações ou então recuarem em suas políticas de ataques sociais, ao mesmo tempo em que possibilitou ao conjunto da população conquistar direitos básicos para sua qualidade de vida.
Hoje, não é difícil constatar o que herdamos após um pouco mais de uma década de políticas neoliberais: privatizações, perda de direitos sociais e ampla precarização das instituições e serviços públicos. Com isso, a população caminha de mal a pior em um contexto social extremamente fragmentado, no qual, a identidade coletiva cada vez mais perde significado devido a lógica individualista do ?cada um por si e o deus mercado por uns poucos? cabendo a nós colocar nossa perspectiva de solução desta e outras questões que permeiam nosso cotidiano.
Partimos da premissa de que devemos apoiar a greve dos servidores por uma série de razões. Em primeiro lugar por ser uma greve que se opõe às políticas neoliberais que atingem igualmente a todos os segmentos que na sociedade se encontram subjugados ao poder do capital. Em segundo lugar por ser a greve um instrumento intermediário entre a ação política pacifica e violenta entre trabalhadores e patrões, atividade esta ainda reconhecida pela lei burguesa (apesar de o atual governo querer torná-lo ilegal). Em terceiro lugar por ser um momento dialéticamente importante. Podendo ocorrer, por meio de uma intervenção conseqüente, um processo de reeducação segundo os parâmetros de um socialismo libertário de parte dos que nela estejam inseridos. E em quarto lugar, porque como socialistas reivindicamos, de maneira teórica e prática, a solidariedade entre a classe operária.
Enganam-se aqueles que acreditam que nossa adesão ao movimento grevista se dá de maneira acrítica. Acreditamos que seja inerente, a qualquer movimento social, possuir contradições que se não tratadas no momento devido proliferam como um verdadeiro câncer a espalhar por todo organismo até que não há mais como lhe conter. Por isso nossa participação em qualquer movimento pressupõe uma compreensão crítica e reflexiva de todo o processo por entendermos ser este um pré-requisito para todos os que esperam ver o movimento vitorioso. Para tal, apresentamos nossas formulações para que as mesmas sejam confrontadas com todas as demais teses existentes, sejam elas convergentes ou divergentes das defendidas por nós.
Entendemos que a sociedade na qual estamos inseridos se encontra envolta em um conflito de classe permanente mas, muitas vezes, ele parece inexistir, dado o esforço promovido por diferentes veículos de informação para ocultar os mais diversos problemas e suas causas concretas. Quando há a greve, tais polarizações ficam evidenciadas e a posição que cada segmento social tem sobre a mesma.
Em tais momentos é muito comum haver críticas ao movimento grevista, mesmo por parte de uma fração dos trabalhadores que por falta de consciência de classe ou mesmo por se encontrarem em uma situação que lhes pareça privilegiada frente aos demais trabalhadores, capitulam em prol do projeto das classes dominantes. Acreditamos que tal momento de conflito seja inevitável e que devemos tentar problematizar os valores inculcados pela ideologia burguesa com o intuito de dissipá-los e assim trazer os segmentos proletários e proletarizados para o nosso lado, todavia, não podemos nos iludir com aqueles que mesmo estando ciente do projeto de poder em curso optaram por lutar ao lado de nossos históricos opressores, restando a nós combatê-los até a morte! Não tememos este conflito, pelo contrário, o reivindicamos pois se eles estão incomodados é sinal de que em alguma proporção a luta está sendo percebida como algo palpável.
Uma das críticas que tem sido apresentadas por alguns é a de que a greve não serve mais como instrumento de pressão mas nos cabe fazer uma pergunta: se a greve não é mais esse instrumento então qual tomou seu lugar? Percebemos que os mesmos a levantar essa questão são os que, na prática, nada promovem de concreto, se limitando a adaptarem-se ao estado de coisas ou encaminhar uma solução individual a problemas coletivos, não se propondo a, juntamente com os demais lutadores, organizar a luta dos oprimidos!
Reafirmar a greve como um dos instrumentos de luta da classe trabalhadora não exclui, como acima afirmamos, o direito de criticarmos aquilo que julgamos de errado na condução da mesma mas, sim, diferenciarmos a crítica legítima da ilegítima.
Por isso apoiamos a greve dos servidores da UFF apesar de toda a crítica que temos a conduta, muitas das vezes, aparelhista, apresentada pela corrente do PSOL conhecida como CST, que promoveu e ainda promove toda forma de boicote as atividades promovidas pelo AMJB como a Ocupação da reitoria da UFF por entendermos que esta em jogo o avanço do combate contra as políticas privatizantes representadas pelo governo Lula da Silva. Temos o entendimento que a greve não pertence a nenhuma corrente específica mas, sim, a todos os servidores e caso a mesma seja derrotada tal fenômeno se refletirá em todos os setores combativos que compõe o movimento na UFF fortalecendo, assim, as políticas neoliberais ora em curso!
Por isso chamamos a palavra de ordem ?Todo Apoio aos Grevistas em Luta, Abaixo os Sabotadores!?






Histórico recente da luta Estudantil na UFF: A criação do AMJB

Desde 04 de abril do ano passado, um conjunto de estudantes assumiu a árdua tarefa de tornar a luta pela Moradia Universitária na UFF uma causa de ampla visibilidade e pressão junto a reitoria. Nascia o AMJB (12) tendo este a finalidade de ser o espaço de Discussão, Reflexão, Organização e Ação política objetiva visando, assim, a conquista da Moradia Universitária na UFF.
No início, o hoje extinto ?UFF Levantou Poeira? coletivo estudantil hegemonizado pelo PSTU, promoveu uma política de boicote e ataque velado ao AMJB enquanto movimento político (13) Já o ?Paga Nada? vivia internamente uma relação esquizofrênica com setores que apontavam para uma aproximação com o AMJB e por conseguinte, radicalização com proposições para a ocupação de um prédio da UFF e outros que apontavam para a via ?BUROCRÁTICA? por meio de conchavos junto a gestão de Cícero Fialho e Peçanha. A Ação Direta Estudantil (ADE) teve um papel insignificante ao longo de todo o ano de 2006 participando, unicamente, das poucas atividades promovidas pelo Comitê Contra a Máfia dos Transportes (CCMT) não cabendo sequer ser citada novamente neste documento! (14)
Tratando-se de um ano eleitoral as CET's nada promoveram de efetivo no que tange as pautas por Assistência Estudantil na UFF, exceto o ?Paga Nada? que como já afirmamos, passou a flertar com a reitoria na busca das migalhas que venham a cair da mesa do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). (15)
Durante o segundo semestre do ano de 2006, militantes das CETs dedicaram-se integralmente às campanhas de seus candidatos durante a farsa das eleições burguesas em detrimento das questões de interesse comum dos estudantes, deixando assim o DCE UFF, que em tese deveria ser o espaço organizador das lutas, em segundo plano, entregue às moscas e às baratas! (16) Neste interim os estudantes despejados da Casa do Estudante Fluminense (CEF), apoiados pelos companheiros secundaristas do Colégio Estadual Liceu Nilo Peçanha e demais estudantes da UFF, não permitiram que a luta sucumbisse resistindo bravamente a todas as adversidades climáticas (chuva, sol, vento forte, frio e calor) e às diversas acusações e ataques políticos promovidos por setores conservadores e reacionários que compõem a UFF!
Após longa reflexão sobre o profundo quadro de degeneração política institucionalizado nas práticas das CETs percebemos que o espaço do Acampamento Maria Júlia Braga havia se transformado numa verdadeira escola de ?QUADROS POLÍTICOS? tendo este parido uma poderosa ferramenta política estudantil. Nascia a Organização dos Estudantes em Luta Independentes (OELI) com a finalidade de defender os reais interesses proletários no interior da UFF! (17)
Participamos das eleições para o DCE - UFF por se tratar de um momento de grande vulnerabilidade política vivida pelo AMJB que corria um forte risco de desaparecer no fim do segundo semestre, na medida em que tal Movimento não pôde contar com a solidariedade e apoio efetivo de nenhuma organização existente no seio do ME. Com um programa realmente comprometido com as bandeiras anti-privatistas e ao mesmo tempo denunciando a lógica perniciosa disseminada por boa parte das CETs, apresentamos uma chapa intitulada Vamos Construir, As Transformações Começam pela Base! a qual tinha a finalidade de se contrapor à concepção baseada na lógica provedora em que a base espera sentada pela solução de seus problemas enquanto suas pseudo lideranças os resolveriam e em retribuição por este nobre gesto receberiam os votos como moeda de troca!
Conquistamos 11% dos votos o que, segundo a regra da proporcionalidade, nos garantiu três cargos na estrutura do DCE, um no Conselho Universitário e um no Conselho de Curadores.
Durante o pleito, fomos taxados de uma chapa esquizofrênica pelo fato de termos agregado um grupo de estudantes vinculados ao Diretório Acadêmico Octávio Catanhede (DAOC, Diretório das Engenharias), uma vez que estes, historicamente, apresentaram uma prática de adesão aos projetos privatistas ora em curso em nossa universidade. Entretanto, as demais chapas que assim nos taxavam, exceto a composta por militantes ligados ao PSTU, assediaram os estudantes do DAOC uma vez que do ponto de vista estritamente eleitoral, a Engenharia representa o maior colégio eleitoral estudantil. Ao contrário, propomos a estes um papel efetivamente protagonista e uma prática diametralmente oposta a das CET's. Infelizmente, a superação de contradições na sociedade, muitas vezes, demoram a serem superadas, fato este comprovado após as eleições quando os estudantes vinculados ao DAOC romperam com o programa defendido por nossa chapa em prol da manutenção de antigas práticas fetichistas e corporativistas disseminadas em seu seio ao longo de anos de ME degenerado, o que gerou, inevitavelmente, a nossa ruptura.
Para poder assegurar a continuidade do Acampamento, os ativistas políticos que conosco aceitaram o desafio de construir uma chapa para o DCE (destacando os estudantes do Ensino Médio e vestibulandos) a qual não significava um fim em si mesma mas, sim, elaborar uma intervenção que possa contribuir para a reeducação baseada numa transformação radical da sociedade, assim como dos que promovem tal ação. Entendemos que o AMJB tem cumprido tal papel, uma vez que empiricamente temos observado a transformação qualitativa daqueles que o compõem, possibilitando assim que estes possam rever uma série de práticas viciadas que adquiriram ao longo de suas trajetórias de vida, tendo a UFF (e o conjunto dos movimentos políticos nela inseridos) muito a aprender com a experiência daqueles que constituem tal movimento, na medida que esta Universidade se encontra completamente afastada da realidade presente para além de seus muros, com intelectuais que muito falam e nada praticam para materializar seus discursos e pensamentos.
Para dar continuidade a luta pela Moradia Universitária na UFF, os acampados precisaram resistir a todas as intempéries e passar o período das festas de fim de ano, assim como todo o carnaval, momento em que todo os demais estudantes se encontravam em casa, tendo que aprender a lidar com essa importante experiência nunca antes promovida por nenhum setor do ME contemporâneo dessa Universidade!
OELI e as críticas a ela dirigidas:

Um espectro ronda o M.E. da UFF, o espectro da Organização dos Estudantes em Luta Independentes conhecida pela sigla OELI. As CET's, a por eles definida ?Malucada,? uma fração dos estudantes ?independentes? não vinculados a nenhuma organização política, professores e servidores reacionários se juntam em uma Santa Aliança contra nossa Organização e o movimento ao qual estamos apoiando de maneira mais orgânica que é o acampamento. Duas questões depreendemos daí: a OELI já é reconhecida como uma poderosa ferramenta para a luta política e o acampamento Maria Júlia Braga como o principal foco de Resistência e Luta real contra as políticas neoliberais e por assistência estudantil para os setores historicamente alijados que chegam a esta universidade. Já iniciou o período de superação do protótipo arcaico e degenerado institucionalizado no M.E e social como um todo. Cabendo a nós, por meio de uma prática conseqüente,darmos um fim ao quadro ora apresentado.
A seguir algumas críticas imputadas a nossa organização e como as mesmas se mostram facilmente refutáveis:

Monopolização da Luta por Moradia.

Acusam o AMJB de monopolizar a luta por moradia em nossa universidade e a OELI de o aparelhar. Agora, cabe uma pergunta: Que meios tem os ativistas vinculados ao AMJB para impedir um indivíduo ou um coletivo de pessoas de lutar por essa ou qualquer outra pauta do M.E.? Tal tese é infundada e o que é pior, revela o mau caratismo de quem a formula. O conjunto do ME sabe que se depender da reitoria a moradia e demais pautas de assistência não ganharão materialidade. Por diversas vezes foi apresentada pelos acampados a necessidade do M.E. ocupar um prédio da UFF. Passou um ano de acampamento e isso não ocorreu e agora que o AMJB se encontra a frente da Ocupação do prédio da Reitoria tentam, inutilmente, criar intrigas que possam contribuir para retirar a legitimidade do movimento pois sabem que o mesmo, dialeticamente, evidencia a impotência das CET's e de sua política superestrutural e burocrática! Quanto ao fato de a OELI promover alguma forma aparelhamento sobre o acampamento é outra questão falaciosa. Os fóruns do acampamento sempre foram abertos a todos os membros da comunidade acadêmica e de Niterói que se propuseram a participar dele. Não existe se quer votação durante as plenárias e os encaminhamentos acerca do processo de luta são amplamente debatidos em reuniões que se referenciam pelo modelo da Democracia Direta entre todos que participam da luta. Quando estamos entre os acampados somos apenas ativistas que nos propomos a contribuir para ampliar a luta e nos centralizamos pelos propósitos do AMJB Logo, não existe nenhuma forma de aparelhamento da OELI em tal espaço.

Cobrança demasiada ao conjunto dos estudantes!

Não é novidade para os ativistas desta organização política, enfrentarem acusações e estigmas que visam inferiorizar a luta por eles desenvolvida. Mesmo antes de compor a OELI, membros de nossa organização já tiveram que rebater ataques e argumentos infundados sobre eles. Ao observar o movimento empreendido pelo acampamento numa crescente, muitos se lançam numa campanha de promoção de calúnias e críticas infundadas contra o mesmo. A origem desta reação (literalmente reacionária) é diversa.
Muitas correntes políticas quando se sentem ameaçadas em seu LÓCUS de atuação, empregam meios escusos como forma de disputar o movimento. Tal prática revela o vício e a degeneração disseminado em vários setores do M.E. e social como um todo. Tratamos especificamente das CET's, setores que por estarem, muitas vezes, vinculados à gabinetes de políticos profissionais e seus respectivos partidos ou por aparelharem entidades classistas tais como sindicatos, D.C.E.'s , associações de moradores e demais espaços, dispõem de meios FINANCEIROS para impor a sua política e se reproduzirem como verdadeiras ?PRAGAS? no seio do movimento de massas! (18) Tais correntes estão voltadas para garantir unicamente seus próprios interesses ainda que esses entrem completamente em choque com as demandas dos estudantes proletários tomada de uma perspectiva socialista. Mas, é importante ressaltar que o desenvolvimento e a propagação dos estigmas não é exclusividade dos membros das CET's, mesmo os setores que em tese possuem uma visão crítica sobre estes últimos, acabam por reproduzir uma ?campanha de inferiorização? da OELI e da política por essa organização empreendida. Tais estudantes se mostram impelidos em ?criticar a tudo e a todos? sem, no entanto, enxergar as incoerências e contradições presentes em suas próprias práticas. Acreditam que podem extirpar vícios sem agirem concretamente sobre a realidade que dizem querer subverter, defendendo, assim, uma tolerância sem fim para com os demais estudantes que optaram pela passividade ou semi-passividade quase que apolítica. A estes últimos, vistos enquanto passíveis de conversão, não cabe criticar, apontar incoerências e contradições. Deve-se pegar leve com o ?estudante comum? para assim atraí-lo. Mas nós, da Organização dos Estudantes em Luta Independentes, nos pautamos por uma política que exige comprometimento e coerência de todos aqueles que no discurso defendem uma proposta transformadora da sociedade. Para nós, mudar a realidade é um compromisso sério, não vale ?brincar de militante?.
Um caso interessante de ser analisado é o da conhecida ?Malucada? do ICHF (19) grupo de estudantes oriundos da classe média ou identificados com seus valores pequeno burgueses, que apenas se propõe a ?NEGAR? as CET's sem, contudo, construir ações organizadas que se proponham a apresentar um projeto coerente e alternativo de intervenção na realidade visando, assim, a superação da ordem social ora reinante. Estes, não tendo como refutar as críticas realizadas em assembléias por ativistas vinculados a OELI e ao acampamento, acusam-nos de promover choques inter-pessoais entre os estudantes. Esse é o debate realizado por todos aqueles que não sendo capazes de apresentarem uma crítica coerente rebaixam o teor da discussão, abrindo margem para os oportunistas de plantão tentar promover a corrosão do movimento combativo. Não podemos cair em polêmicas ?secundárias? e ?pessoais?, pois sabemos que tais conflitos ocorrerão, mesmo em uma sociedade cuja luta de classes já tenha sido superada. É irresponsabilidade e descaso com a luta a prática de todos aqueles que em virtudes de desavenças pessoais buscam legitimidade para se opor a condução das lutas que tenham como foco combater o inimigo comum representado nas classes dominantes e em seus governos corruptos e privatistas.
Cabe, ao conjunto daqueles que almejam lutar contra a lógica mercantil dominante, amadurecer ao ponto de separar as questões de natureza estritamente pessoal das políticas. O pré-requisito para lutarmos contra o projeto capitalista e seus defensores não é de maneira nenhuma termos uma ótima relação inter-pessoal entre todos nós mas ,sim, construirmos um consenso para o avanço da causa socialista e realizarmos as ações inerentes a essa luta!

Cresce, por todo país, a luta contra o projeto neoliberal!

O ano de 2007 promete ser um ano de grandes levantes sociais e devemos analisar corretamente o caráter dos movimentos ocorridos até aqui.
Em várias universidades estaduais e federais os estudantes promoveram, promovem ou prometem promover ocupações de reitoria, ação essa também incorporada por categorias de trabalhadores em greve nas universidades, o que evidencia que só com muita luta e pressão contra reitores subservientes ao governo federal e contra este, conquistaremos os nossos direitos e barraremos o conjunto das reformas neoliberais em curso. Temos que ir para as ruas e demonstrar a nossa indignação a toda a população agregando suas pautas específicas em um amplo movimento nacional. Aqui na UFF estamos dando a nossa contribuição, participando da Ocupação da reitoria, promovendo ato, apoiando a greve dos trabalhadores em luta, enfim, promovendo, a partir da base, as transformações!
Graças a pressão realizada pelos estudantes no ato do dia 25 de abril no CUV A reitoria da UFF foi obrigada a sinalizar com a criação de uma comissão para discutir e encaminhar o projeto da moradia. No último conselho tivemos um avanço simbólico na medida em que este fórum, apesar de seu caráter altamente reacionário, ter votado, novamente, pela construção da moradia. Ao contrário das CET's (que após a assinatura do reitor assumindo, formalmente, que iria ?SE EMPENHAR? no atendimento das pautas saíram cantando vitória e acabaram com a ocupação do sétimo andar ) o Acampamento e o GT de Moradia do CAHIS continuará Ocupando a reitoria pois aprendemos que os reitores, por diversas vezes, não cumpriram com suas palavras e que, portanto, só na luta conquistaremos efetivamente nossas pautas!
Cabe agora, aos demais setores que compõe o DCE-UFF, a ADUFF e o SINTUFF reverem sua política e apoiarem efetivamente esse movimento, política e logisticamente! Sabemos que não poderemos contar com os setores que compõe o PT e o PC do B uma vez que estes tem o rabo preso com o Governo Federal e desempenham o papel de correia de transmissão desses junto a base.
Cabe, fundamentalmente, um chamamento da base de todos os cursos a apoiar esse movimento que sem sombra de dúvida esta combatendo no discurso e na prática a política privatista estabelecida em nossa universidade. A vitória em nossas bandeiras dependem, fundamentalmente, da adesão na luta de estudantes como você. Não esperem que façam por você, pois nada cairá do céu de mão beijada. Venha Construir com a Gente. As transformações Começam pela Base!

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Notas:

1-A passeata em questão foi, posteriormente, incorporada como uma das atividades do Calendário de Lutas do Comitê de Luta Contra a Reforma Universitária da UFF e apoiada pelo D.C.E da mesma universidade. Todavia, como as palavras só ganham materialidade quando quem as proferiu promove as ações inerentes a sua execução, percebemos que se não fossem os ativistas do Acampamento e do GT de Moradia arregaçarem as mangas e agir, o dia 25 de abril, simplesmente, não teria ocorrido como desejamos uma vez que esses militantes sequer fizeram passagem em sala com o intuito de mobilizarem para o ato. Até o presente momento os companheiros não foram ressarcidos pelo DCE-UFF dos gastos que tiveram com a compra dos materiais para a feitura das faixas, panfletos e alimentação dos ocupantes da reitoria. A corrente majoritária do DCE foi, após a última Assembléia Geral dos Estudantes, que ocorreu no penúltimo mês de aula, obrigada a reconhecer formalmente a Ocupação e lhe prestar apoio, ainda que no plano da superestrutura . Objetivamente nada mudou!
2-Ocorreu, recentemente, um racha neste ?quase? coletivo estudantil tendo o mesmo se dividido em duas correntes. ?Vamos a Luta? hegemonizados por militantes da CST e outro ainda sem nome, composto por militantes independentes do PSOL e simpatizantes. O segundo agrupamento declarou durante a última Assembléia Geral dos Estudantes da UFF sua adesão a Ocupação da reitoria. Só nos resta observar a conduta destes no dia a dia da luta.
3-Os militantes vinculados as C.E.T.'s sempre nos acusam de sermos ?sectários? e de nunca construirmos alianças táticas e atividades em comum com as demais correntes políticas. Na verdade, apesar de todo o combate que fazemos às práticas políticas degeneradas disseminada pelas C.E.T.'s, estaremos em qualquer atividade de luta real que tais correntes promoverem. Mas a prática contemporânea de tais militantes tem se restringido a promover ações de cunho superestrutural e neste sentido, não estamos dispostos a perder o nosso tempo com atividades fantasiosas que em nada mudarão a política colocada pelo Governo Federal. Não adianta escrevermos panfletos com os dizeres ?PARA DERROTAR A REFORMA UNIVERSITÁRIA DO GOVERNO LULA!? se não promovemos, na prática, as ações que garantirão a nossa vitória. O acampamento e a ocupação da reitoria são provas concretas do que acabamos de afirmar!
4-Os militantes da ADE quando a ocupação entrou em sua terceira semana, foram ao acampamento e se retrataram por sua ausência nesse movimento alegando que parte de seus membros se encontravam com tarefas com o emprego ou atividades outras, mas assumiram novamente o compromisso de apoiarem a ocupação. Novamente romperam com sua palavra e o que é pior, veladamente questionaram o caráter da ocupação qualificando a mesma como uma mera ?Vigília? na reitoria da UFF. Estes não se cansam de atirar nos próprios pés o que ficou evidenciado quando um de seus militantes criticou, erroneamente, a greve dos servidores sem no mínimo participar de um de seus atos. Só podemos lamentar por essa falta de discernimento político dos mosqueteiros em questão! Temos filmagens destes assumindo os compromissos acima citados.
5-Tal evento se deu no período de inscrição em disciplinas dos calouros quando os ?paganadistas? de plantão pintaram seus rostos de branco e de viola na mão entoavam a então célebre canção de Raul Seixas, ?Nós não vamos pagar nada?. Além de se auto-implodirem contribuíram decisivamente para tornar a música de Mr. Raul um agouro maldito. Acertarão contas com o mesmo no inferno!
6-O tema selecionado pela corrente majoritária do DCE foi ?Violência? em detrimento do debate sobre Assistência Estudantil. Só mesmo um coletivo hegemonicamente constituído por militantes pequeno-burgueses, com práticas pequeno-burguesas e voltado, unicamente, para contemplar em sua política os interesses de parte dos estudantes de origem pequeno burguesa que não tenham rompido com sua classe de origem e vícios da mesma, proporia uma calourada com esse tema em meio a uma conjuntura neoliberal.
Enquanto isso, boa parte dos estudantes de origem proletária se encontram com suas matrículas trancadas, evadem a universidade ou escolhem o ?dia? da semana que poderão vir a UFF para que o parco orçamento que dispõe possa não lhes faltar!
7-O que não significa que defendemos a apatia por parte dos estudantes quando sua principal entidade não corresponde às demandas que justificam sua existência. Tal situação só confirma a tese que defendíamos em nosso material de campanha quando afirmávamos que o voto não muda nada, indicando no máximo a intencionalidade de projeto deste ou daquele coletivo político.
8- Hoje, após muita, DISCUSSÂO, REFLEXÃO, ORGANIZAÇÃO e como não poderia faltar, AÇÃO, estamos edificando a OELI, sendo a mesma uma importante ferramenta para auxiliarmos as lutas das classes subalternas, Coerentes com o nosso discurso estamos a frente da luta pela moradia, noss@s ativistas atuam organicamente junto ao ACAMPAMENTO MARIA JULIA BRAGA: O QUILOMBO DO SÉCULO XXI que completará 1 ano de RESISTÊNCIA NO PRÓXIMO DIA 04 DE ABRIL, dia este em que, COVARDEMENTE, o Governo do Estado do Rio de Janeiro com a conivência da REITORIA da UFF colocou para fora da CASA DO ESTUDANTE FLUMINENSE (CEF) mais de 20 estudantes proletários numa VERGONHOSA AÇÃO DE DESPEJO! Este ato representou o mais profundo ATAQUE a um dos últimos bastiões dos estudantes, afinal a CEF, existente desde 1949, havia resistido a ataques de natureza semelhante desde o período do regime militar! Hoje, a Casa ainda existe, todavia, seu espírito crítico e revolucionário, de lá fora expulso junto aos estudantes combativos que lhe davam materialidade. E vale lembrar que foi a postura combativa dos estudantes a real razão daquele despejo! Mas tanto o Governo quanto a Reitoria, (para não dizer uma parcela considerável do ?Movimento Social? da UFF) não esperavam que o espírito da CEF fosse se manifestar fora daquele espaço, ledo engano!
Contradizendo todas as expectativas, um forte Movimento eclodiu dessa tragédia: O Acampamento Maria Julia Braga (A.M.J.B.) surgiu da necessidade de levarmos às últimas conseqüências a Luta pela Moradia Universitária na UFF. Em seu início, diversos setores ligado tanto ao M.E. e Sindical de dentro e fora da UFF estabeleceram um forte laço de ?SOLIDARIEDADE? com o Acampamento.
Todavia, concomitantemente ao período de tal expulsão, uma parcela dos ativistas de correntes políticas tradicionais concorria às eleições para Reitor tendo a expulsão sido um prato feito para as candidaturas de oposição exporem uma das principais mazelas da UFF que é a falta de Moradia Estudantil! Porém, terminado o primeiro turno das eleições, e confirmada a derrota eleitoral de um dos candidatos que efetivamente apontava para um programa ?CLASSISTA?, a relação que a partir de então passou a existir entre as correntes tradicionais e o Acampamento ficou cada vez mais inexistente na medida em que foram, paulatinamente, retirando todo o apoio financeiro, apoio este indispensável à manutenção dos ativistas que debaixo de chuva, sol, vento e frio tiveram que manter a luta de pé! Pouco a pouco, aqueles que atualmente estão à frente (OU SEJA, SUAS DIREÇÕES) de entidades respeitosas como O SINTUFF e a ADUFF passaram a literalmente desconsiderar qualquer relação com o Acampamento. Isso quando não chegava ao conhecimento dos Acampados declarações desqualificadas sobre este processo de luta. Agora, tendo estes combativos lutadores conseguido permanecer no Campus do Gragoatá após o recesso de fim de ano e carnaval, recomeça um novo semestre e com ele a necessidade de tod@s nós impulsionarmos essa importante bandeira por assistência estudantil na UFF!
Temos o entendimento de que a experiência vivida pelos estudantes que no próximo dia 04 de abril completarão um ano de Resistência é importantíssima para a história do M.E. da UFF na medida em que muda todo o paradigma de luta que era promovido até então! Ao invés de optarem pela via burocrática ou usar o espaço do DCE-UFF como moradia, parte dos estudantes injustamente expulsos da CEF, apoiados pelos estudantes secundaristas do Colégio Estadual Liceu Nilo Peçanha, os quais hoje também, compõem a OELI, arregaçaram as mangas e não deixaram a peteca cair, mostrando para quem quiser ver e ouvir, que ainda é possível fazer M.E. realmente combativo e de Luta! (extraído do manifesto da O.E.L.I.)
9-A política burocrática representada pelos ?paganadistas? é um traço herdado do hoje extinto ?UFF em Movimento?, coletivo político composto de militantes da corrente Democracia Socialista (DS), tendência interna do PT. Com a intensificação dos conflitos políticos no interior de seu antigo partido, vários militantes romperam com a DS, mas não com suas práticas, construindo o P-SOL e neste a corrente ?Liberdade Vermelha? que teve seu nome mudado duas vezes e hoje é conhecida como ?Enlace?.
10-A primeira vez que este militante promoveu ato semelhante foi na assembléia dos estudantes de história do mês de novembro de 2006, tendo ele se oposto a uma proposição de apoio por meio de uma moção apresentada por um militante do PC do B ao acampamento. Após nossa chapa ter questionado este fato durante o debate para as eleições do DCE-UFF, tal indivíduo se retratou, reconhecendo, na época, seu erro.
11-Este fenômeno é classificado pelo termo reestruturação produtiva do capital, que a grosso modo consiste em priorizar a produção de bens de alta tecnologia (e de alto custo) em detrimento da produção em massa de mercadorias de menor valor. Oriunda desta mudança é a profunda diminuição da mão-de-obra empregada, a qual passa a ser cada vez mais especializada e recrutada nas universidades e instituições de ensino técnico. É adotada a dinâmica da produção flexível em contraposição à lógica fordista. Diversas áreas deixam de existir nos postos de trabalho, levando a ampliar a massa de trabalhadores desempregados.
12-Maria Julia Braga é o nome da mulher que era proprietária da Casa do Estudante Fluminense. Segundo os relatos históricos, a mesma tinha a prática de hospedar estudantes proletários vindos dos subúrbios e de outros estados e quando morreu deixou em testamento que a casa se transformasse em uma instituição sob a guarda do Governo do Estado que deveria prover sua manutenção. Em homenagem a essa mulher o acampamento recebeu o seu nome!
13-O PSTU apriori sempre, no meio estudantil da UFF, optou por boicotar todas as iniciativas de luta que tenham como referencial a ação direta dos estudantes, por nunca conseguir dirigi-lá, priorizando assim, acordos superestruturais em eleições para D.C.E, D.A.s e C.A.s.
14-Contradizendo o que acabamos de afirmar, fomos obrigados a abrir uma exceção, a Ação Direta Estudantil contribuiu para que ocorresse o único ato de rua promovido pelos estudantes da UFF ao longo de 2006, sendo este, puxado pelo Comitê de Luta Contra Máfia dos Transportes, justificando, assim, essa nova citação. Em tal época, a Organização dos Estudantes em Luta Independentes (O.E.L.I.), ainda não existia, tendo os ativistas reunidos em torno do Acampamento aderido ao ato.
15-O Plano de Desenvolvimento Institucional nada mais é que um engodo criado pela reitoria com o propósito de apresentar uma pseudo ?democratização? do debate orçamentário no interior da Universidade. Consiste em transformar, a exemplo do que diz Hobbes em o Leviatã, em verdadeiros lobos em busca dos parcos recursos existentes. Isso para não mencionarmos a relação promíscua que tal espaço tem com a FEC.
16-Este fenômeno se repete sempre que entramos em período eleitoral para o parlamento burguês. Durante o primeiro semestre de 2006, os ?Paganadistas? construíram o 2º Congresso Estudantil que serviu de palanque para o então candidato ?Babá?, (da corrente C.S.T vinculada ao P.S.O.L.), lançar sua candidatura a deputado Federal pelo RJ. Este candidato foi um dos debatedores na mesa ?Reforma Universitária? exatamente no 1º dia oficial de campanha. Será que não havia outra pessoa para discutir tal tema?! No mais, o congresso foi só festa! Nenhuma de suas resoluções ganharam efetiva materialidade.
17-Antes de constituirmos uma ORGANIZAÇÃO, @s ativistas que hoje compõe a ORGANIZAÇÃO dos ESTUDANTES em LUTA INDEPENDENTES, conhecida pela sigla (OELI), pouco conheciam da dinâmica política da UFF! Exatamente como já deve ter ocorrido ou está ocorrendo com VOCÊ, muitos foram os convites para nos juntarmos A ESSE OU ÀQUELE COLETIVO ESTUDANTIL! Todos se diziam comprometidos com a transformação da realidade vigente, como também com a tomada de consciência do proletariado para alcançar sua própria libertação frente aos males provocados no interior do sistema capitalista!
Alguns entre NÓS, tomando como referência, unicamente, os belos ?DISCURSOS? cada vez mais ?COERENTES E PERSUASIVOS!? de tais ?CORRENTES ESTUDANTIS TRADICIONAIS? já participaram de ALGUMAS dessas correntes, sendo, pouco a pouco, enredados pelos projetos desses pseudo-socialistas e quando se deram conta já estavam participando de ELEIÇÕES PARA DA's, CA's e DCE(s) acreditando que aquelas fossem, em si mesmas, ?A SOLUÇÃO PARA O CONJUNTO DE PROBLEMAS OSSIFICADOS NO SEIO DO M.E. DA UFF E DE OUTRAS UNIVERSIDADES?! A PRÁTICA nos possibilitou enxergar o que concretamente PRODUZEM esses coletivos tradicionais quando os mesmos se revezam a frente de tais entidades. A atual LÓGICA DOMINANTE no seio do M.E. da UFF, assim como das universidades brasileiras , infelizmente, encontra-se preso a uma dinâmica perversa que, muitas das vezes, acaba por afastar boa parte dos estudantes sinceros! Tais correntes tradicionais acabam por reproduzirem no dia a dia do M.E. muitos dos vícios aos quais elas próprias dizem combater. Isso demonstra como a prática desses grupos está em plena contradição com seu discurso político!
Estaríamos sendo HIPÓCRITAS se não admitíssemos que diante de ?TANTA SUJEIRA E FALTA DE ESCLÚPULO? já não entramos, de maneira individual, em crise, pensando, por conseguinte, em entregar os pontos! Todavia, esses momentos foram de suma importância para superarmos a visão ?INGÊNUA? e ?ROMÂNTICA? sobre o M.E. e o movimento social como um todo.
Através de toda essa experiência acumulada foi possível encontrar uma maneira alternativa para ao mesmo tempo, atuarmos no seio do M.E. e combatermos tal lógica perniciosa! Após muitos de nós sustentarmos uma tese equivocada acerca de participamos ou não de eleições para DA's, CA's e DCE percebemos que o cerne da contradição não residia nestas entidades mas sim na lógica que permeia as mesmas. Durante alguns anos ajudamos a construir espaços alternativos de luta tais como o Fórum de Luta pela Moradia Universitária na UFF e o Comitê Contra a Máfia dos Transportes, nos quais também atuavam os militantes na época ligados a Ação Direta Estudantil (ADE) dentre outros.
Temos total acordo com a construção de tais espaços alternativos de luta e com sua atividade independente seja de DCE ou DA's ou CA's. Todavia, hoje, não mantemos a visão reducionista dos que avaliam que apenas estes dariam conta de boa parte das demandas existentes no M.E.. Acreditamos que a eleição para os espaços estudantis seja importante desde que não seja criada em torno da mesma uma áurea ilusória de que só através dela mudaremos, substancialmente, os problemas do M.E.. Para mudar concretamente algo na realidade, são necessárias ações efetivas dos estudantes interessados nas transformações da sociedade, estejam eles ou não inseridos em tais entidades estudantis.
Quando a base do Movimento Estudantil não participa de maneira efetiva nas LUTAS SOCIAIS, seja em função de tais ?vanguardas tradicionais estéreis? ou de sua própria apatia, a própria base se degenera, passando a simbolizar um ?CADÁVER MAL CHEIROSO? tal qual muitas vezes citou Rosa Luxemburgo!
Concordamos com @s ativistas da ADE quando os mesmos avaliam que a prática dessas correntes tradicionais equivale, muitas vezes, a um mero ?PARLAMENTARISMO ESTUDANTIL? fazendo com que o movimento fique refém de ?BUROCRATAS? os quais fazem dos ?GABINETES? de Reitorias e parlamentares o seu lócus de reprodução e atuação preferidos. Entretanto, não concordamos com estes quando os mesmos decidem, deliberadamente, boicotarem toda e qualquer eleição estudantil.
Ao contrário das ?ELEIÇÕES PARA O PARLAMENTO BURGUÊS?, o DCE e demais entidades são espaços classistas que podem e devem ser usados a serviço da causa do proletariado organizado! Pensamos que seja equivocada e nada construtiva a prática sistemática do boicote eleitoral aos espaços estudantis, pois deixamos estes à revelia para que os ?RATOS DO M.E.? possam fazer a festa e usarem tais entidades como verdadeiros trampolins políticos para que certos ?LACAIOS?, vinculados a determinados partidos ditos de esquerda, ascendam em suas ?CARREIRAS AO PARLAMENTO BURGUÊS?. Portanto, se abandonarmos tais entidades, acabaremos por fortalecer o projeto que tanto combatemos (Vide o fato de a prefeitura de Niterói ter muitos ?ativistas? que iniciaram sua carreira no M.E da UFF!).
Neste sentido, o que defendemos é a PARTICIPAÇÃO AUTOGESTIVA dos estudantes nestes espaços. Contudo, para isso ocorrer é necessária uma real reivindicação da base estudantil, sendo esta uma tarefa extremamente difícil de se materializar na UFF como um todo, pois, sendo a universidade uma instituição policlassista seria um tanto quanto improvável que uma parte considerável dos estudantes que aqui se encontram deseje efetivamente aplicar esta importante bandeira do movimento socialista libertário!
Isso, contudo, não nos impede de continuarmos problematizando e dialogando sobre nossos projetos no interior desta instituição tendo, no entanto, a certeza de que a mesma só será uma bandeira realmente implementada, quando for uma reivindicação efetiva da base social e não algo para satisfazer o ego pseudo-revolucionário de determinados grupos de ativistas. Mas esses objetivos só poderão ser plenamente alcançados, provavelmente, em uma sociedade estruturada em outros moldes, com uma universidade essencialmente comprometida com o projeto proletário. Assim sendo, temos que nos organizar para retirar, de uma vez por todas o poder econômico e ideológico representado pela burguesia e implementarmos o Socialismo Libertário! (Extraido do manifesto da O.E.L.I.)
18-Eis aí um verdadeiro exemplo de aparelhamento amplamente utilizado por tais organizações políticas.
19-O termo ?Malucada? foi cunhado pelos militantes das C.E.T.'s na década de noventa para definir as práticas promovida pelo conjunto dos estudantes ativos porém não reunidos em nenhuma das agremiações políticas existentes e sem um projeto político definido. Aos poucos, dado algumas práticas ?libertinas? e ?autodestrutivas?, estes passaram a justificar tal nomenclatura. Dada a degeneração representada pelas C.E.T.'s, muitos estudantes, por não verem opção para uma ação saudável se precipitam na ?malucada? ou acabam assimilando uma total apatia para com o processo de luta.