Ontem, no final da manhã, Márcia Regina de Andrade Prado, 40, foi morta atropelada por um motorista de ônibus que, imprudentemente, tentou ultrapassá-la em sua bicicleta, que trafegava corretamente pelo lado direito da pista, na Av. Paulista, cidade de São Paulo. Em homenagem à cicloativista (que assinou o "Manifesto dos Invisíveis" participando do movimento da bicicletada) e como forma de protesto contra o descaso da Prefeitura Municipal de Belém, cerca de 50 cicloativistas paraenses realizaram a Bicicletada "Márcia Prado" nessa quarta-feira à noite no bairro da Terra Firme.

Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, (art. 201) deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta é infração média e (art. 220) deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito (inciso XIII) ao ultrapassar ciclista é infração grave.

A Bicicletada é um movimento onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. Serve para divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.
Um dos lemas do movimento é "um carro a menos", usado principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades. Outro slogan levantado é "nós somos o trânsito". A idéia é conscientizar motoristas que a bicicleta é apenas mais um componente da mobilidade urbana e que merece o devido respeito.

Os e as militantes por um transporte consciente iniciaram a implantação de uma ciclo-faixa na recém-asfaltada Av. Perimetral, palco do VIII Fórum Social Mundial (VIII FSM), cobrindo cerca de um terço da via. Somente com estêncil, tinta, rolo e boa vontade foi realizado o trabalho que a Companhia de Trânsito de Belém (CTBel) se recusa a fazer, expondo um grande número de cidadãos e cidadãs, que utilizam a bicicleta como meio de transporte, à riscos de acidentes.

Os moradores da área aprovaram e participaram da ação, muitos queixam-se da autoridade municipal pelo fato da maior concentração de ciclistas da cidade (residentes dos bairros do Guamá e Terra Firme) não contar com uma ciclovia sequer. Nem a realização de um evento internacional, com investimento de centenas de milhões em obras, como o VIII FSM, foi suficiente para a Prefeitura de Belém investir na segurança dos habitantes da área.

Dando continuidade ao processo, foi marcada uma reunião aberta à todas e todos os ciclistas, no sábado, dia 17 de janeiro, a partir das 14h, na Oca do Memorial dos Povos Indígenas no Complexo Ver-o-Rio, onde serão definidos as próximas ações da Bicicletada/Pará, especialmente em relação ao VIII FSM.

A bicicletada no Pará conta com o apoio da Equipe de Aventura Ratos de Trilha (EART) que foi criada em 2003 buscando agregar ao esporte, o convívio intenso com a natureza de nossa região, programas de conscientização e preservação ambiental, atividades sócio-culturais e beneficentes, atraindo novos adeptos ao ciclismo. O sítio www.eart.esp.br, onde são divulgadas as atividades, conta com mais de 500 usuários registrados no fórum de debates. Atualmente a EART organiza trilhas quinzenais (diurnas e noturnas) por vários municípios paraenses, e passeios noturnos em Belém, todas as quartas-feiras.