Com a crise econômica e o eterno aumento nos gastos com 'defesa' (o custo das guerras no Afeganistão e Iraque desde 2001 já ultrapassaram US$900 bilhões de Dólares), os estados e municípios cortam cada vez mais os seus orçamentos para os setores de educação, transporte, saúde etc. Na Califórnia, os cortes no setor de educação vem provocando aumentos abusivos nos custos de matrículas, demissões, encerramento de atividades extra-curriculares, aumento de alunos nas salas de aula, entre outras coisas. No final do ano passado, ocorreram várias manifestações contra esses cortes, dentre elas a ocupação do prédio de administração da faculdade de Berkeley em Setembro, manifestações organizada pelos professores nas ruas de Los Angeles e outras manifestações em campus da Universidade da Califórnia por todo o estado.

No dia 24 de Outubro do ano passado foi realizada uma conferência na Universidade de Berkeley, onde participaram mais de 800 representantes de estudantes e trabalhadores do setor de eduacação de todo o estado. Nessa conferência foi lançado um chamado por um dia de Greve e de Ação para o 4 de Março de 2010. Centenas de escolas de toda a Califórnia reagiram ao chamado e realizaram ações de protesto contra os cortes catastróficos, demissões e o aumento da matrícula dos cursos. Em San Francisco mais de 20 mil pessoas marcharam até a porta da prefeitura, a marcha contou com a presença de estudantes (primário, secundário e universitário), pais, professores e apoiadores da sociedade civil.

No final do ano passado a Universidade da Califórnia anunciou um aumento de 32% na tarifa de matrícula. O valor é absurdo, um exemplo seria o custo da matrícula na Universidade da California de Santa Cruz que subiu para US$12.000 Dólares. A faculdade, City College, anunciou o encerramento de todo o seu programa de verão devido aos cortes, essa faculdade é a única opção para os jovens de baixa renda conseguirem ter acesso a um ensino superior. Sem uma opção pública de ensino superior e com o aumento nas taxas de matrículas e cortes no orçamento, o ensino superior torna-se um sonho impossível para centenas de milhares de jovens, na Califórnia.

Na última semana de Fevereiro, foi anunciado a demissão de mais de 900 professores e funcionários de escolas primárias e secundárias de San Francisco. Isso faz parte de um plano de corte no orçamento para as escolas de San Francisco de US$113 milhões de Dólares, mais de 25% do orçamento. Enquanto isso, desde 2001, a cidade de San Francisco repassou para o orçamento que mantém as guerras no Iraque e Afeganistão mais de US$3 bilhões de Dólares.

Ainda citando como exemplo a cidade de San Francisco, além dos cortes no setor de educação há também os cortes no transporte, que já provocou um aumento nas passagens no ano passado (passou de US$1,75 para US$2 Dólares a passagem) e que aumentará novamente em Maio deste ano para US$2,50 Dólares. Além disso, a cidade planeja também diminuir a quantidade de veículos circulando no transporte público.

E não podemos deixar de mencionar os dados sobre as pessoas desempregadas nos EUA. De acordo com o Bureau of Labor Statistics para o ano de 2009 o número de desempregados é de 14,2 milhões.

E o que fez o governo federal para resolver a crise econômica? Entregou entre US$9 trilhões e US$11 trilhões de Dólares para os banqueiros e aumentou o orçamento para as guerras (que está ligado ao aumento de tropas no Afeganistão promovido por Barack Obama). É por isso que as pessoas que marcharam no dia 4 de Março contra os cortes no setor de educação, marcharão também no dia 20 de Março contra as guerras. Para o dia 20 de Março estão sendo organizadas grandes manifestações em San Francisco, Los Angeles e Washington DC contra as guerras, que levam como lema "Dinheiro para Educação, Saúde e Empregos e não para as guerras". Não precisa ser nenhum 'expert' para entender que todas essas políticas de cortes estão relacionadas aos gastos infinitos com guerras e 'táticas de defesa da democracia' dos EUA, que incluem o aumento de bases militares na América Latina (Colômbia), a reativação da Quarta Frota, a militarização do Haiti e ações indiretas como o apoio ao golpe de estado em Honduras.