A bola da vez
Greve geral recorde paralisa 75% da população de Portugal

O plano de austeridade em discussão em Portugal, se aprovado, levará muitos trabalhadores a miséria e ao desemprego, sem nenhuma assistência

26 de novembro de 2010


Grécia, Irlanda, França, Inglaterra... Na última semana, Portugal se somou aos países onde a reação aos pacotes de austeridade pegou fogo.

A greve geral que começou em Portugal paralisou 75% da população ativa do país e já é considerada uma das maiores da história do país. Os protestos são contra o governo do Partido Socialista e o pacote de austeridade que será imposto ao país.

A greve afetou principalmente o setor de transportes com metrôs, barcos e portos completamente paralisados. Os aeroportos também paralisaram, apenas fazendo o percurso para os arquipélagos do próprio país como Açores e da Madeira. Os trens urbanos foram totalmente fechados.

As escolas também aderiram à mobilização com mais de 90% de suas instalações fechadas, com a adesão de professores e alunos à greve. Serviços de recolhimento de lixo, e até mesmo os funcionários dos tribunais aderiram à greve geral.

Proporcionalmente ao tamanho do país, foi uma das maiores greves da Europa neste último período, com a adesão de diversos setores do funcionalismo estatal e de empresas privadas.

Mesmo a polícia, que é proibida por lei de entrar em greve no país, não foi capaz de oferecer resistência ao movimento grevista.

A crise em Portugal é uma das mais profundas da Zona do Euro, e o pacote de austeridade que será aplicado tende a acentuar bastante a miséria no país e o crescimento do desemprego.

O governo pretende atacar principalmente os salários e os benefícios que os trabalhadores adquiriram em numerosas lutas no passado. Os cortes nos salários dos funcionários públicos serão de 10% e as aposentadorias serão congeladas. O pagamento de auxílio desemprego e maternidade será cortados, além do grande número de demissões previsto em todos os setores do funcionalismo estatal.



A pressão dos trabalhadores levou os sindicatos, inicialmente contrários à idéia de uma greve geral, a aderir ao protesto. Os trabalhadores terão dois desafios para não serem vítimas dos planos de austeridade. Derrotar o governo e as próprias direções sindicais conciliadoras, para evitar a miséria.

As greves contra os planos de austeridade na Europa são uma demonstração clara de que os trabalhadores estão colocando em prática a palavra de ordem de ?não vamos pagar pela crise capitalista? e da necessidade de uma verdadeira direção revolucionária, operária e comunista, para que sua luta se desenvolva plenamente. Somente um governo dos próprios trabalhadores será capaz de atender às necessidades da classe operária sobre a qual os governos burgueses de direita e seus capachos ?socialistas? e ?social-democratas? tentam passar.