A democracia não democrática, ao contrário, é ditadora, pois num regime democrático, em tese, há imposição da vontade da maioria sobre a minoria. Diz-se em tese porque na democracia burguesa é a minoria parasitária que impõe sua vontade sobre a maioria trabalhadora. Se a democracia fosse a subordinação da minoria à maioria, os salários no Brasil não seriam tão baixos, já que a vontade da maioria é ter um salários menos pior do que este salário de fome que a minoria parasitária e privilegiada paga aos trabalhadores.

Já a ditadura do proletariado é a subordinação da minoria parasitária à vontade da maioria trabalhadora. Em sendo assim, a ditadura do proletariado é mais democrática do que a democracia burguesa.

Entretanto a ditadura do proletariado é apenas uma fase histórica, pois com o advento do socialismo, as classes sociais serão extintas e sem classes sociais a tanto a democracia quanto a ditadura perdem sua razão de existir e definharão.

Em Estado e Revolução, Lenin escreveu:

"A supressão do Estado é igualmente a supressão da democracia e o definhamento do Estado é o definhamento da democracia.

À primeira vista, essa afirmação parece estranha e ininteligível; alguns poderiam mesmo recear que nós desejássemos o advento de uma ordem social em que caísse em desuso o princípio da submissão da minoria à maioria, que, ao que se diz, é o princípio essencial da democracia. Mas, não! A democracia não se identifica com a submissão da minoria à maioria, isto é, a organização da violência sistematicamente exercida por uma classe contra a outra, por uma parte da população, contra a outra.

Nosso objetivo final é a supressão do Estado, isto é, de toda violência, organizada e sistemática, de toda coação sobre os homens em geral. Não desejamos o advento de uma ordem social em que caducasse o princípio da submissão da minoria à maioria. Mas, em nossa aspiração ao socialismo, temos a convicção de que ele tomará a forma do comunismo e que, em conseqüência, desaparecerá toda necessidade de recorrer à violência contra os homens, à submissão de um homem a outro, de uma parte da população à outra. Os homens, com efeito, habituar-se-ão a observar as condições elementares da vida social, sem constrangimento nem subordinação."

Na mesma obra, o antecitado autor escreveu também:

"Só na sociedade comunista, quando a resistência dos capitalistas estiver perfeitamente quebrada, quando os capitalistas tiverem desaparecido e já não houver classes, isto é, quando não houver mais distinções entre os membros da sociedade em relação à produção, só então é que "o Estado deixará de existir e se poderá falar de liberdade". Só então se tornará possível e será realizada uma democracia verdadeiramente completa e cuja regra não sofrerá exceção alguma. Só então a democracia começará a definhar - pela simples circunstância de que, desembaraçados da escravidão capitalista, dos horrores, da selvajeria, da insânia, da ignomínia sem-nome da exploração capitalista, os indivíduos se habituarão pouco a pouco a observar as regras elementares da vida social, de todos conhecidas e repetidas, desde milênios, em todos os mandamentos, a observá-las sem violência, sem constrangimento, sem subordinação, sem esse aparelho especial de coação que se chama o Estado."