De lá para cá, políticos de 12 partidos foram investigados e alguns presos. Mas o alvo principal da AP 470, sem dúvida, era o PT. A ministra Rosa Weber do STF, que era assistida pelo juiz Sérgio Moro, o mesmo que hoje chefia a operação Lava Jato, deu o parecer que resultou no voto que condenou José Dirceu ?Não tenho prova cabal contra Dirceu ? mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite?.

Na verdade o se queria, na época, era destruir o homem mais forte do PT, provável sucessor de Lula. Aliás, a Lava Jato tenta, o tempo todo, envolver Lula. Já citaram o filho a nora, o amigo tudo, num reality show, com alta cobertura da mídia, mas sem qualquer prova. Aliás, a mesma mídia que tenta atingir Lula através do filho, da nora, do amigo nada fala de crimes cujos autores são reconhecidos e incontestes como A Compra de votos da reeleição, aeroporto de Claudio, Trensalão, Zelotes, Swssileaks, FIFA, a Lista de Furnas entre outros.

Aliás, para esses crimes nem precisaríamos recorrer ao direito alemão ou aos procuradores americanos, ou qualquer auxilio estrangeiro! Eles ficam enganando o povo, dizendo-se querer acabar com a corrupção, mas não é verdade porque não prende nenhum tucano, apesar dessa corrupção descarada. Eles só querem acabar com a esquerda brasileira, que o PT representa.

Agora estamos assistindo à extradição de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, condenado também na AP 470 a 12 anos de prisão. O princípio que predomina na AP 470, mensalão, é o ?Dominio dos Fatos?, trazido do direito alemão, cuja aplicação é contestada por alguns penalistas como Alaor leite ?O STF fez uma utilização própria do domínio do fato, usurpou o nome da teoria e aplicou outra coisa?.

Na folha de 22/09/13. ?Dirceu foi condenado sem provas?, diz Ives Gandra...Quem diz isso não é um petista fiel ao principal réu do mensalão, e sim o jurista Ives Gandra Martins, 78, que politicamente sempre divergiu de Dirceu. Até porque todos sabem que, no Brasil, o que sempre prevaleceu para condenar alguém é a prova material.

Mas se o domínio dos fatos serviu para condenar os envolvidos na Ap 470, os procuradores americanos usados para ajudar a punir a Petrobrás, qual a teoria que está sendo usada para julgar o mensalão tucano, que é anterior ao do PT ? A teoria utilizada para julgar o mensalão tucano é a do ?Engavetamento?, teoria altamente aplicada por Geraldo Brindeiro, quando Procurador Geral da República, indicado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

E sem nenhum alarde, para ninguém perceber, em contradição com o caso Pizzolato, que é o foco principal da mídia, o mensalão tucano está prescrevendo.

Vale registrar que o juiz Sérgio Moro, que participou da AP 470, o mesmo que aplicou o ?Domínio dos Fatos?, de origem alemã, contrário a nossa legislação, agora trás ao Brasil os procuradores americanos para ajudar a punir a Petrobrás.

Talvez o juiz Sérgio Moro não saiba, e também nem queira saber, mas a Chevron petroleira americana país de origem dos procuradores trazidos ao Lava Jato foi denunciada em 2009 pelo Wikileaks, através de telegramas trocados, entre o então candidato tucano José Serra, e a executiva da petroleira, onde Serra prometia favorecer a Chevron, caso fosse eleito. Serra, que perdeu as eleições, agora tenta no Senado favorecer a Chevron novamente, através da PLS 131/15.

A Globo, para dar mais dramatismo ao caso Pizzolato, publicou o sentimento de uma passageira: 'Deu vontade de pular em cima', diz passageiro sobre Pizzolato. Gostaria de ver a mídia e principalmente a Globo, nas ruas, perguntando às pessoas o que acha da prescrição do mensalão tucano!

Pizzolato, José Dirceu e outros do mensalão, apesar dos disparates jurídicos, estão respondendo por seus crimes, se é que houve. Diante desses fatos, pergunta que não quer calar: no Lava Jato, como no mensalão, os tucanos vão continuar blindados?

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2015

OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.

Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

 http://emanuelcancella.blogspot.com.