Nos últimos dias de novembro estudantes secundaristas da redação do jornal "A Defesa", ligado às ocupações escolares e lutas estudantis em São Paulo publicaram um jornal de apoio. Esse jornal tem o objetivo de servir como meio de comunicação entre as ocupações, interligar as lutas, promover o apoio recíproco entre as mesmas. A divulgação do jornal em várias escolas (ocupadas e não-ocupadas) teve também o objetivo de buscar apoio e estabelecer o diálogo entre todos(as) os(as) interessados(as), sejam grupos ou militantes individualmente considerados.

O jornal foi criado por estudantes que estão em duas escolas ocupadas. Foi uma ação espontânea, expressando suas experiências (inclusive lutas estudantis prévias) e suas preocupações com a interferência de políticos e manobras do governo contra o movimento. Alguns dos estudantes que estavam em uma das ocupações foram buscar apoio para o jornal e só o pessoal da Revolução Universal respondeu positivamente (um amigo conhece um grupo deles). A grande maioria dos apoiadores procurados, ou eram gente com interesse eleitoral ou ligadas a esse tipo de gente, e que por isso mesmo, não viu com bons olhos crítica a sindicato, partido e ONG. Não estavam ali pela luta, mas para se servir da luta segundo seus fins eleitorais. Ou para conquistar a chefia de algum sindicato, organização estudantil, e por aí vai...

Na edição do jornal, já há o alerta sobre a "suspensão" da "reorganização" escolar de Alckmin como uma manobra contra o movimento. Também há o aviso sobre a interferência dos políticos no movimento, que o aproximariam de tudo, menos do seu sucesso. A divulgação do jornal em algumas escolas facilitou a saída dos sindicalistas da APEOESP, realizada pelos próprios estudantes, de dentro das ocupações. Tirar os sindicatos das ocupações não era cortar vínculos com o restante da classe trabalhadora, mas o contrário: abrir as escolas para todo e qualquer apoio vindo de trabalhadores e não de "representantes" que sempre vinham na frente, diziam falar em nome dos trabalhadores e por isso mesmo, impediam o acesso de trabalhadores às scolas ocupadas. Para eles, os trabalhadores não precisavam estar nas ocupações: seus representantes auto-eleitos estavam lá e assim, podiam substituí-los. Isso quando, de forma irritante, não ficavam o tempo todo fazendo propaganda de vereadores e sindicalistas do PT que fariam tudo por nós, sem ninguém precisar levar luta nenhuma nas ruas.

E nós estávamos lá, ameaçados pela polícia, com diretores e supervisores de ensino falando asneiras, a mídia jogando contra e os pais de alguns chegando a medidas extremas, como expulsar de casa 2 dos nossos. Os sindicalistas e pessoal de partido (incluindo também UNE e Upes),tudo com a vida ganha, dizia para não sermos "radicais", que eles lá em cima nos tribunais e com seus amigos vereadores, sindicalistas e deputados resolveriam tudo para nós, igual promessa de recompensa do papai do céu feita para criancinhas obedientes.

A PM passava os dias espancando mais e mais estudantes, alguns dos nossos já estavam nas ruas quando gente da comunidade começou a ajudar e a galera do "Revolução Universal" providenciava e nos ensinava a fazer material de ataque que iríamos usar nos enfrentamentos seguintes. Não somos masoquistas e aí ficamos de prontidão para devolver à polícia tudo o que ela deu aos estudantes durante a semana.

O governador só reagiu do jeito que reagiu quando as lutas aconteceram nas ruas e as ocupações aumentaram. A rua aumentou o impacto das ocupações e vice-versa.

Cientes disso, nós da redação do jornal procuramos vários meios virtuais para divulgar o material denunciando as manobras do governador e dos políticos, além de chamar à ação direta e ao fortalecimento das lutas. Whats'App, Facebook, Twitter, mídia alternativa...procuramos todos os meios possíveis para soltar a propaganda do material, especialmente quando o Secretário de Educação caiu.



TEXTO NA ÍNTEGRA:




A DEFESA Nº1, NOVEMBRO DE 2015
* * PORTA-VOZ DAS OCUPAÇÕES ESCOLARES * *

ESSE INFORMATIVO NÃO PERTENCE A NENHUM PARTIDO, SINDICATO ,ONG OU IGREJA

 comitedeapoiolocal@bol.com.br

Importante mencionar que a propagação desse jornal há dias atrás em algumas escolas ocupadas fez os estudantes expulsarem o sindicato APEOESP (chefiado pelo PT) de dentro da ocupação e agora, quando o governador anuncia a "suspensão" da "reorganização" escolar em São Paulo, esses mesmos estudantes afirmam que vão manter as escolas ocupadas e que a luta prossegue, já que sabem qual é a manobra do estado.



114 ESCOLAS OCUPADAS EM SÃO PAULO (atualmente são aprox.220)


PRIORIDADE DO MOMENTO: MANTER E PROPAGAR AS OCUPAÇÕES!!!

Desde o mês de outubro, quando o governador Alckmin (de ?direita?), incentivado e autorizado pelos cortes de verbas impostos pelo governo federal (de ?esquerda?) anunciou o fechamento de escolas, remoção forçada de estudantes e professores, superlotação e sucateamento ainda maiores da rede de ensino estadual, uma onda de lutas estudantis envolvendo piquetes, passeatas e ocupações vem ocorrendo em várias escolas estaduais; conseguindo apoio até em outros estados do país e também em outros lugares do mundo, como Europa e Oriente Médio. Essa onda de lutas não ocorre por acaso: ela faz parte de todo um esforço da classe trabalhadora e explorada no Brasil e no mundo para enfrentar a ofensiva de miséria imposta por patrões e governantes em nome da crise que eles mesmos criaram. Desta forma, houve um aumento nas greves do funcionalismo, nas greves de caminhoneiros, nas mobilizações de trabalhadores rurais e indígenas, além da greve de professores em São Paulo, a maior desde 1989. Como sempre, os aliados do sistema, que infiltram o movimento para depois entregá-lo para as autoridades em mesas de negociação ou em troca de lucros eleitorais (sindicatos, partidos, ONGs, organizações ditas ?estudantis?), já vêm realizando todo um esforço para se apoderar da luta social encabeçada pelos estudantes, ou seja por filhos de trabalhadores e trabalhadores em idade escolar. Vejamos as medidas realizadas pelo inimigo e como poderemos contra-atacar:

A OFENSIVA DO ESTADO:

- Em todos os lugares dizem que o secretário de educação (o secretino) anunciou a ?suspensão? do fechamento das escolas. Suspensão não é cancelamento das medidas, mas uma pausa, uma coisa temporária pra ganhar tempo contra os estudantes. Estão fazendo isso para todos desistirem, entrarem no clima de ?já ganhou? e encerrarem as ocupações. Enquanto não sair uma resolução ou um decreto cancelando a chamada ?Reorganização? das escolas, toda suspensão é armadilha. A imprensa, o governo e os partidos de ?esquerda? estão comemorando a tal ?suspensão?.

- As Diretorias de Ensino estão passando sigilosamente ordens para diretores e supervisores de ensino fecharem as escolas, impedirem aproximação até de pais, controlarem rigorosamente os portões e entradas e transferirem/cancelarem as atividades de fim de semana.

- Estão espalhando que as ocupações estão sendo feitas por ?infiltrados?, pessoas ?estranhas?, etc., como forma de denegrir o movimento.

- Foram dadas ordens de transferir na surdina móveis e documentos das escolas que serão fechadas.Muita atenção com isso!!!

- O governador cortou o SARESP nas escolas ocupadas.

A RESISTÊNCIA DAS OCUPAÇÕES
- Chamar a comunidade para dentro das escolas, realizar passeatas e ações de propaganda (whatsapp, redes sociais, panfletagens, cartazes, pinturas em muros) esclarecendo a importância do movimento e do apoio de todos, assim o isolamento é quebrado.

- Unificar as ocupações enviando representantes às outras escolas. Nenhuma confiança em partidos políticos, sindicalistas e entidades que dizem falar em nome dos estudantes. São todos profissionais da política e vão se alimentar do movimento enquanto for interessante para eles como moeda de troca com as autoridades. Contatar as pessoas realmente avançadas (não os conciliadores ou gente disposta a se vender para o Estado) nas ocupações para formar um comitê de luta. As ocupações devem estar interligadas.

- Não confiar em promessas de governantes ou em sentenças de juízes: tudo o que fazem é ganhar tempo contra nós. Só a luta vai trazer resultado.

- Nas escolas que foram despejadas ou desocupadas, entrar de novo! A PM será derrotada pelo cansaço. Aproveitar fins de semana, abertura da escola pelo caseiro, horários de entrada e sempre com visual a caráter (mochila, uniforme ou roupa parecida).

BOICOTE O SARESP!!!!!!
ESTUDANTE: NÃO COMPAREÇA NOS DIAS 24 E 25/11 OU SE COMPARECER, NÃO FAÇA A PROVA(OU FAÇA PARA ERRAR!). PROFESSOR(A): DÊ FALTA MÉDICA OU DOE SANGUE.

 comitedeapoiolocal@bol.com.br

APOIO: INICIATIVA REVOLUÇÃO UNIVERSAL revolução_universal@yahoo.com