São semanas vertiginosas na região: a vitória de Maurício Macri nas eleições presidenciais na Argentina, a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff e agora no domingo a derrota arrasadora do chavismo nas eleições parlamentares.

São situações diferentes e surpreendentes. Na Argentina, foi a virada de Macri. Não parecia que ele iria ganhar e a vitória foi suada. Na Venezuela, se esperava que a oposição vencesse, mas não que alcancasse um triunfo estrondoso no domingo. E no Brasil, sendo melancólico, quem diria que Minas impedisse a vitória de Aécio Neves nas eleições de outubro do ano passado.

Na Argentina, Mauricio Macri se revela um líder, mas vai herdar um país em situação medonha nesta quinta-feira, dia de sua posse. Cristina Kirchner não quer largar o osso e na oposição promete ser simplesmente feroz, enquanto disputa a liderança do peronismo derrotado nas urnas. Macri se mostra habilidoso. Ele tem uma histórico conservador, mas ao longo do caminho eleitoral se deslocou mais para o centro e hoje lidera uma coalizão de gente conservadora mas também social-democrata

Na Venezuela, de certa forma, foi relativamente fácil vencer as eleições parlamentares apesar da máquina de intimidação do chavismo. O quadro econômico é simplesmente de calamidade e Nicolás Maduro nunca foi e nunca será Hugo Chávez com seu capital de carisma e de manobra política.

A surpresa é como Nicolás Maduro se dobrou à realidade eleitoral na madrugada de segunda-feira e aceitou a derrota. Como na Argentina, a oposição soube se unir numa coalizão de 20 partidos. Pela frente, desafios ingratos em um país com a maior inflação do mundo, com carestia até de papel higiênico e onde muita gente não votou para a oposição, mas contra Nicolás Maduro.

A situação econômica do Brasil é um horror, mas podemos garantir que os venezuelanos até que têm inveja dos brasileiros e dos argentinos. Bem, foram boas notícias na Venezuela e na Argentina, mas ainda estamos longe de uma primavera. Quanto ao Brasil, a estação política ainda precisa ser definida pelo PMDB, um partido que se veste para todas as estações.