Porém essa presunção é relativa, podendo o cônjuge que não contraiu a dívida embargar, como terceiro, a execução da dívida para provar que esta não foi contraída em benefício da unidade familiar, hipótese em que sua meação estará garantida.

Caso fiquem comprovadas as pedaladas fiscais, a presunção é de que tal dívida foi contraída pela Dilma ou exclusivamente por sua equipe econômica mas em proveito do esposo Michel Temer/PMDB e dos Filhos deserdados que precisam inarredavelmente do bolsa família. Nesse caso, se o Temer/PMDB não provar o contrário, ele também dançará, caso as forças progressistas da sociedade não consigam abortar o golpe midiático/parlamentar.

De qualquer forma, a situação para o Michel Temer não é nada esperançosa, ainda que ele consiga elidir a presunção de que não teve nada a ver com as alegadas pedaladas fiscais. Nesse caso, a Dilma paga a dívida sozinha e ele fica com sua meação intacta mas, em compensação, ele assumirá o posto da Dilma numa conjuntura econômico-política extremamente desfavorável, cuja tendência é piorar, principalmente com o aumento da taxa de juros pelo Fed e com o rebaixamento do grau de investimento do Brasil por mais uma agência de risco, que, aliás, diga-se de passagem, nenhuma delas previu o estouro da bolha imobiliária dos EUA, que lhes caiu como um raio em céu azul. Assumir o comando do executivo numa conjuntura tão desfavorável é morte política súbita para o Michel Temer e para o PMDB. Acabarão queimando seus cartuchos antes de 2018, quando pretendem lançar candidato próprio à sucessão presidencial.

Mas esperemos o andar da carruagem, pois ontem as forças progressistas se manifestaram e deram um sinal de vida, apesar do pouquíssimo espaço de tempo da divulgação do ato. Com mais tempo de divulgação e organização e com o Lula convocando a população deserdada às ruas e o Movimento Sindical, o Movimento Estudantil e o MST com suas foices, a tendência é que o golpe morra antes de nascer. O problema é que o Lula está muito omisso.