A Constituição Federal dispõe que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da referida Constituição. Em sendo assim, eu entendo que o Senado teria, necessariamente, que processar e julgar o pedido de impeachment porque enquanto os Deputados representam a população, sendo o número de Deputados proporcional à população, o Senado representa as Unidades da Federação, sendo que cada Unidade da Federação, independentemente da extensão do seu território ou do número de habitantes, é representada por 3 Senadores. Pois bem. Se todo o poder emanasse, de fato, do povo, e se a autorização, pela Câmara dos Deputados, da instauração do processo de impeachment não fosse uma artimanha do seu Presidente para tirar o foco das suas maracutaias e sair impune dos crimes por si cometidos, com um rito inventado a seu bel-prazer e à revelia da lei, os Senadores, que não representam a população, apesar de ser por ela eleitos, não poderiam se recusar a processar e julgar o pedido de impeachment, podendo, entretanto, absolver a Dilma.

Mas não é esse o entendimento do Gigi Dantas. De acordo com o aludido Ministro de banqueiros e bicheiros pilantras, 'quem não tem 171 votos na Câmara não tem condições de governar. Morreu politicamente. Não vai ser mantido no cargo por expedientes jurídicos.'. Ora, se uma Presidente da República, eleita legitimamente, não pode governar em razão de não ter 171 votos na Câmara dos Deputados, onde está a independência dos poderes? Aliás, se fosse por aí, a Câmara também não poderia legislar sem o aval da Presidente da República. A menos que a dependência entre o Executivo e o Legislativo fosse uma via de mão única.

Alguém teria que avisar para o Gilmar Mendes que aqui reina o Presidencialismo, não o Parlamentarismo.

Pior ainda do que anular a independência do Poder Executivo, que estaria subordinado ao Poder Legislativo, é cassar o mandato de uma Presidente legitimamente eleita pelo povo não porque se provou que ela praticou crimes, mas porque ela não tem 171 votos na Câmara dos Deputados, como se isso fosse crime.

Cada vez que o Gilmar Mendes se manifesta, mais ele confirma o que disse uma autoridade italiana: "O Brasil é conhecido por suas dançarinas, não por seus juristas".