Niterói-RJ: Secundaristas em Luta - RJ fazem ato contra o autoritarismo da Secretaria de Educação

Niterói-RJ: Secundaristas em Luta - RJ fazem ato contra o autoritarismo da Secretaria de Educação

Maio 09, 2016 - 00:00
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Nesta segunda-feira, dia 09, os estudantes do movimento estudantil Secundaristas em Luta RJ, ocuparam as ruas do Centro de Niterói em resposta às ultimas medidas da Secretaria de Educação do estado do Rio de Janeiro (SEEDUC).

Para tentar coibir o movimento de ocupação, a SEEDUC decretou férias para as escolas ocupadas e vem ameaçando os alunos de terem que estudar durante as olimpíadas, ou mesmo de perderem o ano letivo, caso não haja algum acordo até junho.

Desde a semana passada, os cartões de vale transporte (RioCards) dos alunos ocupados, foram bloqueados para dificultar a ida dos estudantes para as suas escolas. Os estudantes argumentam que a SEEDUC não quer dialogar de forma justa, mas que tem investido em boatos e movimentos de desocupação.

Uma das principais reivindicações do movimento estudantil, é a sua participação nas decisões referentes à educação e às escolas, mas os alunos do estado reclamam que a SEEDUC continua com sua postura autoritária e unilateral.

"O estado quer sempre impôr suas decisões sem consultar ninguém. A SEEDUC não sabe o que é democracia e mesmo depois de 70 escolas ocupadas ela insiste em ser autoritária." - disse uma estudante.

"A educação é dos estudantes e nós que vamos decidir o que é importante para o nosso futuro. A escravidão e a ditadura já acabaram. ASEEDUC vai ter que respeitar nossas decisões ou então a gente ocupa a SEEDUC também e mostra como se faz. A educação é nossa e para a gente, não para eles." - disse uma estudante.

O ato se concentrou em frente as barcas e primeiro seguiu para a regional da SEEDUC, na rua José Clemente. Os estudantes protestaram contra o bloqueio dos cartões de transporte RioCards e contra a repressão às ocupações.

Depois seguiram pela rua da Conceição até próximo à praça da república, quando foram para a avenida Amaral Peixoto. Fecharam a avenida com cadeiras, faixas e cartazes. A PMERJ chegou com sirenes ligadas, mas os estudantes mantiveram o ato e a via fechada.

Seguiram novamente em direção às barcas, com constantes paradas e terminaram no acesso de entrada e saída do terminal rodoviário. Apesar das sirenes ligadas, a PM respeitou o ato que se manteve pacífico.

 

MAIS CONFLITOS

Além das ações da Secretaria de Educação, os estudantes das escolas ocupadas vêm denunciando diversas ações preocupantes contra suas ocupações, que vêm se repetindo nas mais variadas escolas.

Movimentos de desocupação vêm sendo criados pela internet. Estudantes alegam que as direções vêm liderando reuniões com pais, alunos e outras pessoas para organizarem manifestações e invasões nas escolas para levar à desocupação.

Alunos dos colégios estaduais Leopoldo Fróes e Paulo Assis Ribeiro denunciaram que os diretores dos seus colégios convocaram uma reunião em uma igreja próxima às duas escolas, com pais, estudantes e pessoas que não fazem parte da comunidade escolar para organizarem tentativas de desocupação. Semana passada, um grupo tentou entrar na escola Paulo Assis Ribeiro. Pessoas ameaçaram os estudantes e o pastor da igreja portava um alicate para cortar cadeados.

Niterói-RJ: Estudantes do Colégio Estadual Paulo Assis Ribeiro (CEPAR) fazem ocupação

Niterói-RJ: Estudantes do C.E. Leopoldo Fróes fazem ocupação, mas alunos do turno da noite não aderem e forçam a desocupação

Niterói-RJ: Diretor do C.E. Leopoldo Fróes descumpre acordo e cancela aulas para que alunos não discutam sobre ocupação em assembleia

O colégio Leopoldo Fróes foi desocupado ontem, dia 09, pouco depois do ato no centro. Segundo estudantes, a direção da escola, alunos do turno da noite e outras pessoas desconhecidas entraram na escola e fizeram a desocupação à força. A diretora adjunta teria desligado a chave geral de luz da escola. Pessoas foram agredidas e uma professora teria chamado a polícia após ser segurada pelo pescoço.

No mesmo momento, o colégio estadual David Capistrano também sofria com tentativa de desocupação. Alunos também denunciaram momentos de violência e a polícia também foi chamada. Segundo estudantes, pessoas que não têm relação com a escola se uniram no movimento de desocupação. Relataram que havia, inclusive, alunos de escola particular.

Durante a ocupação do colégio estadual Pandiá Calógeras, em São Gonçalo, momentos de tensão também foram registrados e a participação constante da direção e de um professor no movimento por desocupação. O Ciep 114, em São João de Meriti, foi surpreendido com um homem armado que impediu a primeira tentativa de ocupação.

São Gonçalo-RJ: Alunos do C.E. Pandiá Calógeras fazem ocupação, mas direção e professor promovem rivalidade entre alunos para tentar desocupação

São João de Meriti-RJ: Ocupação do CIEP 114 segue resistindo

Na cidade do Rio de Janeiro, muitos relatos de histórias semelhantes podem ser colhidos, como o de que escolas foram alvos de pedras, bombas, invasões e até ameaças mais graves, entre elas o Colégio Estadual Mendes de Moraes, primeira escola ocupada do estado.

Segundo estudantes, as direções têm espalhado diversos boatos para colocar alunos e pais contra as ocupações, o principal deles é o de que os estudantes perderão o ano letivo, além de buscarem argumentos de difamação contra as ocupações. Também é recorrente a denúncia de pessoas estranhas às escolas estarem participando de ações de desocupação.

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