Niterói-Rj: Ato dos estudantes do Liceu recebe apoio de outras escolas do estado

Niterói-Rj: Ato dos estudantes do Liceu recebe apoio de outras escolas do estado

Março 15, 2016 - 00:00
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Neste dia 16 de março, estudantes do Liceu Nilo Peçanha, localizado no Centro de Niterói, realizaram um ato pela educação. Alunos de outras escolas de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e da Capital compareceram para reforçam a manifestação, dando forma a um grande ato unificado de estudantes secundaristas.

A manifestação saiu de frente do colégio Liceu, na avenida Amaral Peixoto, e seguiu até às barcas, contando com um carro de som. Nas barcas, onde estava previsto o término do ato, o carro de som se despediu, no entanto, os alunos continuam a protestar contra a precarização do ensino e seguem para dentro do terminal de ônibus, ecoando gritos e músicas de protesto.

Depois retornaram em direção ao Liceu, novamente pela Amaral Peixoto. No caminho a Guarda Municipal tentou coagir os manifestantes a não andarem pela via, mas mesmo assim os alunos deram continuidade. Chegando em frente a câmara municipal, os estudantes ocuparam a escadaria de acesso à assembleia, para só depois chegarem ao Liceu.

Estudantes do Liceu denunciaram que a direção tentou coagi-los para impedir a realização do protesto. Duas alunas disseram que receberam advertência e seus pais foram chamados por estarem produzindo cartazes. Outros alunos disseram ainda, que quando os cartazes estavam prontos, a direção mandou fechar a água do andar que estavam para que não pudessem lavar suas mãos.

“Nós limpamos o chão e ficamos com as mãos sujas, eles foram lá e fecharam o registro da parte de cima” / “só para a gente não lavar as mãos” (aluno e aluna do Liceu)

Após a manifestação, quando os alunos retornaram ao colégio, a direção impediu que entrassem para recarregar o RioCard, necessário para retornarem para suas casas, bebessem água e assistissem aulas dos poucos professores que não aderiram a greve.

“não querem deixar a gente assistir aula e nem recarregar o RioCard para a gente voltar para casa” (aluno do Liceu)

Os alunos continuaram na porta da escola fazendo pressão para que tivessem seus direitos assegurados. Com isso, a direção permitiu que os alunos recarregassem o RioCard, porém estes deveriam permanecer do lado de fora e dar seus cartões, de dois em dois, para que os funcionários da escola fizessem a recarga por eles. Com isso, os alunos continuaram impedidos de assistir aulas e de beberem água.

“elas falaram que é para a agente dar o RioCard para elas, para elas recarregarem e não deixaram a gente beber água.” (aluno do Liceu)

Os alunos que já estavam dentro da escola e não participaram do protesto estavam impedidos de sair da escola. Alguns alunos manifestantes conseguiram entregar pelas janelas garrafas vazias para que os alunos do lado de dentro colocarem água escondidos da direção.

“elas não podem tirar o nosso direito […] elas nos tiram nossos direitos básicos, elas nos ameaçam, coagem os alunos. Assim não dá mais!” (aluna do Liceu)

Os alunos aproveitaram para denunciarem a precariedade das instalações do colégio, como o calor excessivo e a má conservação dos bebedouros (ao lado: foto enviada por estudante com água de bebedouro). Disseram que o professor de filosofia já desmaiou de tanto calor dentro de sala. Segundo eles, a água do bebedouro saía muito suja e uma foto mostrando a péssima condição foi postada na rede social, recebendo um grande alcance. A direção preocupada com a repercussão, tomou a providência de limpar os bebedouros.

 

“no dia que a diretora viu isso ela ficou com medo de que chegasse à secretaria de educação […] depois que ela viu, botou o funcionário para limpar todos os bebedouros” (aluno do Liceu)

Na tentativa de pressionar a direção do Liceu, um representante da comissão de direitos humanos da câmara foi chamado. O vereador Henrique ouviu os alunos e propôs ir até a escola conversar com a direção. Chegando à entrada, argumentou com o inspetor que cuidava da porta de que os alunos queriam apenas recarregar o RioCard, beber água e alguns tinham aulas para participar. Enquanto isso, outro funcionário ia até à diretoria para informar da presença do representante dos direitos humanos.

A direção do Liceu, então, aceitou conversar com o representante da comissão de direitos humanos da câmara, a imprensa, representada pelo CMI-Rio e no máximo mais três alunos. No entanto os alunos fizeram uma votação e decidiram por unanimidade que a direção deveria falar com todos os alunos, sem a intermediação de representantes e sem distinção. Os alunos queriam que a diretoria viesse até a porta para conversar com todos.

Segundo o funcionário da escola, a direção ligou para a secretaria de educação do estado para informar o que estava ocorrendo. Também disse que a direção não iria à porta para conversar com todos os alunos de forma igualitária, mas apenas através de comissão de alguns poucos, e caso isso não fosse aceito, que o vereador poderia entrar em contato com a secretaria de educação do estado.

Os alunos argumentaram que não adiantava que a conversa fosse apenas com o vereador e com alguns poucos, pois já sabiam que a diretoria iria dizer que estavam mentindo, pois ela já vem fazendo isso com os pais e responsáveis dos alunos. Por isso, os alunos queriam que ela se pronuncia-se diante de todos os presentes, pois seria mais difícil dela “passar uma outra realidade do que estava acontecendo lá dentro”.

“se o senhor for falar acerca disso lá, ela vai querer desmentir a gente. Passar uma coisa completamente diferente, igual ela está passando para os nossos pais.” (aluno do Liceu)

Leia mais sobre a luta dos estudantes secundaristas do estado do Rio de Janeiro

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