Rio de Janeiro-RJ: Ato "A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas"

Rio de Janeiro-RJ: Ato "A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas"

Junho 29, 2014 - 00:00
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Nesta segunda-feira, 23/06, mais um dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, vários movimentos sociais programaram protestos em Copacabana, bairro onde está montada a arena da FIFA FunFest e onde se concentra boa parte dos turistas. As manifestações, que tinham horários e locais de concentração distintos, se encontraram e se uniram em uma marcha única pela praia de Copacabana, com destino a favela Pavão-Pavãozinho/Cantagalo.

O Ato "A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas", partiu da favela Chapéu Mangueira, e tinha como pauta o combate ao extermínio de pobres, negrxs e faveladxs, uma vez que as favelas são as mais prejudicadas com os megaprojetos e megaeventos, que promovem as mais diversas violações dos direitos humanos, como remoções forçadas, ocupação militar, ataque à cultura local, torturas e chacinas.

Junto aos moradores do Chapéu Mangueira, estavam também os da favela Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, onde, recentemente, o dançarino DG foi assassinado pela polícia, em um caso que se tornou emblemático. Segundo relato de moradorxs, o discurso sobre os constantes assassinatos por parte da polícia e da mídia corporativa é um só: “Se é uma criança, foi bala perdida do bandido, se é uma senhora, foi bala perdida do bandido, se é um menino de idade, é traficante, é bandido.”

Por que a favela grita que "a UPP também é ditadura"?

No Posto 3, os moradores do Horto que estão sob ameaça de remoção, fincaram dezenas de cruzes pretas na areia da praia, com o nome de 19 das 38 comunidades que foram ou estão em processo de remoção na cidade nos últimos anos. Além disso, distribuíram panfletos em português e inglês e conversaram com todos que paravam para dar atenção ao ato. A comunidade do Horto existe há 200 anos e mais de 90% dos moradores são descendentes de funcionários que vieram para a própria construção do Jardim Botânico e da antiga fábrica de pólvora. Alguns deles também trabalham no local como jardineiros ou guardas florestais.

Na praça Cardeal Arcoverde foi convocado mais um Ato “Não Vai Ter Copa! Fifa Go Home!" Com o objetivo de denunciar as irregularidades da Copa do Mundo, como as remoções; os enormes gastos públicos com construções ineficientes e que não terão utilidade depois da Copa; além da repressão aos movimentos sociais e da ocupação militar nas favelas.

A passeata seguiu do Posto 1 até a entrada Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, com músicas denunciando a violência, as chacinas e as constantes ameaças feitas pelos policiais da UPP, além da falta de investimento em saúde, educação e saneamento. Muitos familiares de pessoas que foram assassinadas pela UPP estiveram presentes, carregando fotos, cartazes e lágrimas. As pessoas ainda denunciaram que a chegada da Polícia Pacificadora só trouxe mais violência, pois, além de o tráfico organizado continuar presente na favela, em harmonia com a polícia, os policiais tratam toda a população como se fossem bandidos, de forma repressora.

“A única pessoa que eles não conseguiram marginalizar, foi aquela senhora do Complexo do Alemão de 71 anos, eles não poderiam dizer: ‘ah! Ela era traficante, ela pertencia ao tráfico’, uma senhora de 71 anos.”

Após a manifestação chegar na entrada da favela, no Cantagalo, mais denúncias foram feitas: os moradores das favelas, que há décadas sofrem com o crime organizado, agora passam a sofrer também com a violenta presença da polícia e a implantação de uma verdadeira ditadura dentro do espaço que sempre foi esquecido pelo poder público.

Em seguida os atos foram oficialmente encerrados, mas um pequeno grupo retornou pela praia até a arena da Fifa FunFest. Lá, os indígenas da Aldeia Maracanã denunciaram a remoção que sofreram do antigo prédio do Museu do Índio, que a um século foi cedido à causa indígena e que sofre agora ameaças de ser demolido para virar estacionamento para o Estádio do Maracanã.

O ato foi enfim encerrado com um ritual indígena, atraindo a atenção dos turistas que se aproximaram, fotografaram e conversaram com alguns ativistas.

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