Rio de Janeiro-RJ: "Sabotarde: não vote, faça arte" faz campanha contra as eleições

Rio de Janeiro-RJ: "Sabotarde: não vote, faça arte" faz campanha contra as eleições

Outubro 02, 2016 - 00:00
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Neste domingo, 02 de outubro, foi o grande dia, primeiro deles pelo menos. Milhões de brasileiros foram às urnas escolher seus próximos representantes dentre um mar de opções que não diferia muito.

Entretanto, ontem não foi apenas dia para a população se defrontar com a triste realidade da democracia representativa falida. Ontem foi o dia de resistência popular. No Largo do Machado, a partir das 13 horas, ocorreu uma manifestação artística contra a farsa eleitoral.

Manifestantes se reuniram na praça por volta das 13 horas e começaram a fazer cartazes e construir uma grande pirâmide criticando o processo eleitoral. A manifestação durou a tarde inteira, e diversas pessoas curiosas e interessadas pararam para observar e dialogar com os ativistas.

A ação foi organizada pela Assembleia Popular do Largo do Machado, que ocorre uma vez por semana, de forma autônoma, autogestionada e horizontal, para decidir o que cabe ao povo decidir, em uma experiência de democracia direta para os moradores da região.

Diversos coletivos independentes aderiram à ação puxada pela Assembleia e fizeram, deste dia de eleição, mais um dia de resistência e luta.


RESULTADO DAS ELEIÇÕES 2016

No Rio de Janeiro, a eleição foi para o segundo turno, com os candidatos Marcelo Freixo (PSOL) e Marcelo Crivella (PRB), com propostas completamente diferentes. O resultado nas outras cidades do Grande Rio foram:

- Duque de Caxias também terá segundo turno com Washington Reis (PMDB) e Dica (PTN);

- São Gonçalo a disputa será entre José Nanci (PPS) e Dejorge Patrocínio (PRB);

- Niterói o segundo turno ficou com Rodrigo Neves (PV) e Felipe Peixoto (PSB);

- Nilópolis elegeu Farid Abrão (PTB);

- São João de Meriti elegeu João (PR) e

- Nova Iguaçú reelegeu Nelson Bornier (PMDB).

- Belford Roxo elegeu Waguinho (PMDB)

Em todas as cidades o número de votos nulos, brancos e abstenções somados foi superior ao candidato mais votado. Isso não é muito perceptível pelos resultados apresentados pela mídia, pois os percentuais ignoram os votos brancos, nulos e as abstenções.

Por exemplo, no Rio de Janeiro existem 4.898.045 eleitores, apenas 3.031.423 compareceram as urnas, ficando quase 25% de abstenções, maior do que o primeiro colocado, Marcelo Crivella (PRB). Os votos brancos e nulos juntos somam 677.434 votos, maior do que do segundo colocado, Marcelo Freixo (PSOL).

A soma dos votos brancos, nulos e abstenções juntos deu 1.866.622, somando 38%, maior do que a soma dos dois primeiros colocados juntos e mais que o dobro do primeiro colocado. Se a mídia se baseasse no total de eleitores, Crivella teria apenas 17% e Freixo apenas 11%.

Em Nova Iguaçú, contando com os que foram as urnas, os votos brancos e nulos chegou a 54%, e se considerarmos o total de eleitores e as abstenções, chegou a 63%. Em Belford Roxo chegou a 57%.

Os resultados parecem mostrar que a população não tem se mostrado muito confiante no sistema eleitoral e parece não acreditar nos seus resultados. No Brasil, as pessoas são obrigadas a votar, sob pena de pagar multa. Caso não pague a multa, o pessoa pode ter o CPF suspenso. Caso a votação fosse facultativa, talvez o número de abstenções fosse expressivamente maior.

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