Niterói-RJ: Estudantes do C.E. Leopoldo Fróes fazem ocupação, mas turno da noite força a desocupação

Niterói-RJ: Estudantes do C.E. Leopoldo Fróes fazem ocupação, mas turno da noite força a desocupação

Abril 15, 2016 - 00:00
Publicado em:
0 comments

Nesta sexta-feira, 15 de abril, os estudantes do turno integral do Colégio Estadual Leopoldo Fróes decidiram por ocupar a escola em repúdio à precarização do ensino. A ocupação estava marcada para a segunda-feira, mas devido a ações preventivas da direção no sentido de impedir que a ocupação ocorresse, os alunos decidem antecipar a ação direta. No entanto, os estudantes do turno da noite não aderiram à ocupação e forçaram a desocupação impedindo a entrada no colégio.

A maioria dos estudantes do turno integral (manhã e tarde) aderiram ao movimento de ocupação. Os estudantes tomaram o controle dos portões do colégio e colocaram os seus próprios cadeados. Percebendo o movimento de ocupação, a direção e funcionários se retiraram, trancando algumas áreas do colégio, como o refeitório e salas. Entre as últimas pessoas a saírem estava a orientadora educacional que saiu por volta das 17 horas.

As reivindicações são contra a precarização do ensino, os cortes da educação e por mais autonomia. Alunos denunciaram o mal estado dos banheiros, da quadra e do pátio em geral. A área da horta do colégio está abandonada e restos de comida são encontrados nos fundos da escola. Os alunos denunciaram que banheiros não possuem portas, estão entupidos, não possuem materiais de higiene e que os espelhos estão estragados.

Uma aluna se machucou em um buraco, que após o acidente, foi tapado apenas por uma madeira e um cone. Estudantes também reclamaram de acidentes envolvendo ar condicionado sem manutenção que pegou fogo e parte caiu sobre a cabeça de uma aluna.

O C.E. Leopoldo Fróes é considerado conceito “A” pela prova de avaliação SAERJ, o que lhe permite receber uma quantia maior de verba por parte do estado.

Após a deflagração da ocupação, por volta das 16 horas, dois estudantes do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que funciona no turno da noite apareceram repudiando a ocupação e ameaçando impedi-la. O EJA funciona no sistema de supletivo e geralmente é composto por estudantes adultos.

Segundo testemunhas, quando estes estudantes estavam indo embora, a orientadora educacional teria pedido para um deles que trouxesse “outros” a noite, incentivando a desocupação. Quando perguntada sobre quem seriam essas outras pessoas, a orientadora respondeu que seriam outros alunos.

Ao chegar o horário do turno da noite, por volta das 19 horas, alguns estudantes chegaram nervosos acusando os estudantes ocupantes de invasores. Alegavam que a ocupação faria com que perdessem o ano letivo e que tal informação teria sido passada pela direção da escola e pela orientadora acadêmica que já não estavam mais na escola desde o período da tarde.

Os estudantes ocupantes tentaram explicar os motivos da ocupação e queriam fazer uma assembleia para discutir os motivos. Mas alguns estudantes noturnos já chegaram com a intenção de promover a desocupação e inflamaram outros para o mesmo sentido. Outras pessoas que não eram estudantes também chegaram junto com os alunos noturnos.

A maioria dos estudantes ocupantes, em sua maioria adolescentes entre 14 e 17 anos, foram embora com medo. Apenas quatro permaneceram ainda tentando dialogar, junto com professores e outros apoiadores. Os estudantes noturnos impediam que pessoas ocupantes ou apoiadores entrassem na escola, permitindo apenas a saída.

Após algum tempo de confusão, professores grevistas chegaram na escola para tentar controlar a confusão. Ameaças de violência foram relatadas por diversas pessoas, entre alunos ocupantes, professores e outros apoiadores.

Segundo o relato de umx professorx, alguns alunos da noite já chegaram nervosos devido a boatos espalhados pela direção da escola, como o de que perderiam o ano:

“A direção poderia ter causado a agressão de crianças. É uma irresponsabilidade espalhar mentiras para os alunos adultos da noite de que havia invasores na escola e de que iriam perder o ano.”

Para evitar um problema maior, os ocupantes decidiram pela desocupação e acordaram com os estudantes noturnos de fazerem uma assembleia na segunda-feira para debater sobre a ocupação. Após a desocupação o diretor chegou e trancou a escola.

Comentar

Plain text

  • Nenhuma tag HTML permitida.
  • Endereços de sites e e-mails serão transformados em links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são gerados automaticamente.