Rio de Janeiro-RJ: Secretário de educação se recusa a dialogar com estudantes do #OcupaSEEDUC

Rio de Janeiro-RJ: Secretário de educação se recusa a dialogar com estudantes do #OcupaSEEDUC

Junho 06, 2016 - 00:00
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Após uma semana de ocupação, o Secretário de Educação Wagner Victer foi a audiência convocada para esta segunda-feira, 06 de junho, na ocupação da Secretaria de Educação do Estado (SEEDUC), no Santo Cristo, Rio de Janeiro. O objetivo da reunião era a de que as pautas básicas dos estudantes estaduais fossem ouvidas e atendidas pelo governo do estado. No entanto, o secretário dificultou o diálogo e não houve negociação.

A OCUPAÇÃO

Os estudantes secundaristas do estado do Rio de Janeiro ocuparam a SEEDUC pela segunda vez na segunda-feira, dia 30 de maio, desde então vêm tentando um diálogo com o governo do estado. Em vez de negociar com os estudantes, o governo do estado colocou Policiais Militares de plantão 24 horas por dia, restringindo a entrada de pessoas, de alimentos e água.

Para que os estudantes que tenham saído da ocupação possam retornar, eles precisam aproveitar os momentos de distração dos policiais. Os alimentos são racionados, pois a polícia vem impedido sua entrada em diversas situações. Em vários momentos houve o corte no fornecimento de água. Nesses casos, professores e apoiadores são obrigados levarem alimentos escondidos ou até mesmo, a jogarem biscoitos e similares por cima do muro.

No entanto, quando representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB, entre outros, comparecem ao local, os policiais acabam permitindo a entrada dos alimentos. Nos últimos dias, a polícia determinou que a entrada de alimentos ocorreria apenas em três horários no dia, que são: às 7 horas, 12 horas e 18 horas.

No dia 20 de maio, os estudantes já haviam ocupado a Secretaria de Educação, mas durante a madrugada o batalhão de choque invadiu o prédio e retirou os jovens com força desproporcional. Estudantes ficaram feridos e dois desacordados e precisaram de atendimento médico. A defensoria pública fez uma nota em repúdio à violência policial.

Leia mais sobre a ocupação da SEEDUC: Rio de Janeiro-RJ: estudantes ocupam a Secretaria de Educação do estado e exigem diálogo.

TENTATIVAS DE NEGOCIAÇÃO

O objetivo da ocupação é forçar um diálogo com o Estado do Rio de Janeiro, através do Secretário de Educação e/ou Governador, tendo em vista que mais de 80 Colégios Estaduais foram ocupados e os Professores estão em greve há três meses e nenhum acordo objetivo foi firmado.

Porém, nessa sexta-feira, dia 03 de junho, o Juizado da Infância e Juventude, a Defensoria Pública, o Ministério Público e do Conselho Tutelar acordaram uma audiência para esta segunda-feira, dia 06 de junho, às 10 horas, onde o Secretário de Educação estaria presente para atender as pautas dos estudantes. Em proposta acordada pelos estudantes, o Secretário viria pessoalmente para a reunião e também estariam presentes todos os alunos ocupantes, um professor e uma mãe de uma aluna.

O acordo contemplaria os estudantes impedidos de entrarem na ocupação pela Polícia Militar, pois muitos estudantes não podem permanecer o tempo todo fora de casa e precisam sair durante a semana e, quando retornam, são impedidos de entrar, tendo que dormir na calçada em frente ou esperar um momento oportuno para entrarem sem serem percebidos.

Chegada a data da audiência, o Secretário de Educação, Wagner Victer, atrasou-se quase cinco horas, chegando por volta das 14:45. Com sua chegada a Polícia permitiu a entrada do professor e da mãe acordados para a audiência, porém não permitiu a entrada dos aproximados 10 estudantes que estavam do lado de fora.

Os estudantes ocupantes então, fizeram um jogral pedindo para que o Secretário de Educação permitisse a entrada dos estudantes impedidos. O Secretário deu a entender que estava de acordo e foi permitida a sua entrada, porém, logo em seguida ordenou aos policiais que não permitisse a entrada de mais ninguém e os estudantes continuaram impedidos.

La dentro, os estudantes deixaram claro que a negociação não poderia ser feita com apenas uma parte dos estudantes, mas com todos os representantes presentes das escolas ocupadas. Então, Wagner Victer se retirou sem negociar, mas disse à imprensa que não pode negociar pois os estudantes não estavam abertos a isso.

 

“O Victer entrou com cara de deboche, arrogante, provocando. O rapaz que entrou da secretaria empurrou o portão, [dizendo que] ninguém vai entrar. Tudo isso gerou tensionamento […] Por que a gente não resolve, deixa os alunos entrarem para não ter tensionamento nenhum. […] Só que eles não queriam diálogo, o que eles queriam era entrar, sair e procurar a Globo, a Bandeirantes e a Record e falar: tentamos todos os diálogos mas eles não quiseram. O que eles quiseram foi isso, fazer um teatro.” - Professor da rede estadual que participou das negociações.

O Secretário se retirou do prédio de baixo de vaias e críticas à sua tentativa de manobrar as negociações. Os estudantes também cantaram músicas de protesto e afirmaram que continuaram ocupando enquanto não houver uma negociação limpa pelo Estado do Rio de Janeiro.

PRÓXIMOS DIAS

Após a saída do Secretário de Educação, a água do prédio foi cortada novamente, e os alunos têm reclamado que não podem cuidar da limpeza do prédio, que os banheiros ficam sujos e não podem tomar banhos. A entrada de alimentos foi também impedida e só foi regularizada após a Comissão de Direitos Humanos da OAB ter comparecido ao local.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB disse que tentaria uma nova reunião de negociação. O Ministério Público, junto ao Conselho Tutelar, retornaram à SEEDUC e marcaram mais uma reunião com os estudantes para esta quinta-feira na ocupação. Desta vez a reunião será sem o Secretário de Educação.

Há também um pedido de reintegração de posse em tramitação no Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro que pode ser executado a qualquer momento.

MÍDIA CORPORATIVA

Estudantes e professores têm reclamado que emissoras de televisão e jornais têm distorcido os fatos. A crítica vai principalmente a rede Globo de televisão e jornais, mas não apenas a essa. Segundo estudantes, as entrevistas dadas à tais grupos são editadas e distorcidas, não expressando a verdadeira intenção dos alunos, professores e pais.

Sobre o caso desta segunda-feira, as notas dos jornais O Globo e Extra são tendenciosas favorecendo o discurso do governo. Apesar de representantes da Rede Globo estarem presentes e presenciado como ocorreu a visita de Victer que quebrou o acordo com os estudantes e não abriu real espaço para negociações, a rede preferiu enfatizar a hostilidade dos estudantes em relação ao Secretário que descumpre acordos.

Tais acusações são anteriores a ocupação da SEEDUC. Durante as ocupações dos Colégios Estaduais, os alunos já haviam se deparado com a deturpação das informações em favor do estado. Na ocupação do C.E. Mendes de Moraes, uma emissora que pôde entrar na escola, chegou a dizer que livros abandonados há meses na parte de trás da escola, teriam sido queimados por estudantes.

Leia sobre: Rio de Janeiro-RJ: Colégio Estadual é ocupado por estudantes na Ilha do Governador

Um Jornal de Niterói noticiou que estudantes haviam impedido a entrada do Conselho Tutelar e publicou apenas a versão do conselheiro. No entanto, o CMI-Rio publicou o vídeo onde o Conselho Tutelar conversa com os estudantes dentro da escola e confronta com a versão do jornal.

Leia sobre: Niterói-RJ: Conselho tutelar ENTRA e conversa com estudantes do #ocupaIEPIC, mas diz para jornal que foi impedido pelos estudantes.

Quase todos os estudantes possuem relatos de histórias parecidas em suas ocupações e o mesmo vem acontecendo na ocupação da SEEDUC. O objetivo é deslegitimar as ocupações políticas dos estudantes e a greve dos professores, beneficiando apenas o discurso do governo do estado do Rio de Janeiro e demais instituições relacionadas.

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