Grafos, Gráficos e Tabelas do fisiologismo: eleições do executivo de 2014 e 2018

Grafos, Gráficos e Tabelas do fisiologismo: eleições do executivo de 2014 e 2018

Setembro 12, 2018 - 20:12
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Sistematizamos e iremos apresentar e analisar alguns dados disponíveis no site do TSE sobre as chapas concorrentes ao executivo nas eleições gerais de 2014 e 2018[1].

 

Fisiologismo como regra

A partir dos grafos (Figuras 1 e 2) gerados pelas coligações dos 32 partidos políticos em 2014 e dos 35 partidos políticos em 2018 é possível intuir que o fisiologismo segue sendo a regra nessas eleições. Os três novos partidos são REDE, NOVO e o PMB. Além disso, 5 partidos mudaram de nome ou sigla: PMDB virou MDB, PTN virou PODE, PT do B virou AVANTE, PSDC virou DC e PEN virou PATRI.

Os partidos são representados por vértices, os pontos indicados por uma bolinha no grafo. A espessura das arestas - as linhas que ligam os vértices - é proporcional à quantidade de coligações que os partidos conectados tiveram um com o outro. O código de cores representa a coligação ao qual o partido cabeça da chapa fazia parte nas eleições presidenciais.

Em 2014: vermelho, chapa de Dilma - PT, PMDB, PDT, PCdoB, PP, PR, PSD, PROS e PRB; azul, chapa de Aécio – PSDB, PTB, PTC, PMN, PTdoB, PTN, SD, DEM e PEN; laranja, chapa de Marina – PSB, PRP, PPS, PSL, PPL e PHS; cinza, partidos sem coligação – PSC, PSOL, PSDC, PSTU, PRTB, PCB, PV e PCO).

Em 2018: vermelho, chapa de Lula/Haddad – PT, PCdoB; azul, chapa de Alckmin – PSBD, PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB, PSD; verde, chapa de Meirelles – MDB, PHS; roxo, chapa de Ciro – PDT, AVANTE; amarelo, chapa de Boulos – PSOL e PCB; verde claro, chapa de Marina – REDE e PV; azul claro, chapa de Álvaro Dias – PODE, PRP, PSC e PTC; marrom, chapa de Bolsonaro – PSL e PRTB; cinza, partidos com candidatura sem coligação ou sem candidatura à presidência – NOVO, PSTU, PPL, DC, PATRI, PSB, PCO, PMB, PMN.

Nas Figuras 1 e 2 Foram retirados dos grafos as arestas mostrados as coligações que só ocorriam 1 vez para melhorar a visualização.

 

Dados dos grafos

A quantidade de coligações únicas subiu de 220 em 2014 para 261 em 2018. O que pode ser explicado pelo aumento do número de candidaturas a cargos do executivo, que subiu de 177 para 2014 para 211 em 2018. As candidaturas que mais cresceram foram as encabeçadas pelo PSL como vamos descrever a seguir.

A distância média entre quaisquer dois vértices do grafo, medida em número de arestas no caminho mais curto, foi de 1,58 em 2014 e de 1,53 em 2018, diferença não significativa. A densidade do grafo também não mudou significativamente, foi de 0,45 em 2014 para 0,47 em 2018. Um grafo com densidade 1 seria aquele em que todos os partidos coligassem com todos os outros. A densidade 0 indicaria ausência total de coligações. O grau médio dos vértices do grafo, ou seja, a grosso modo, a quantidade média de coligações únicas que cada partido realizou no total das candidaturas foi de 15,94 em 2014 para 17,83 em 2018. Os dados apresentados estão sintetizados na Tabela 1 a seguir.

 

O que mudou? O efeito Bolsonaro

Os partidos com grau maior que 25 em 2014 foram PT, PMDB, PSDB e PSB. Em 2018 eles foram novamente PT, [P]MDB, PSDB e PSB, além de DEM, PSD. Os partidos com grau menor que 10 são PSOL, PCB, PSTU, PCO e PPL em 2014 e PSOL, PCB, PSTU e PCO, além do NOVO em 2018. Esses são os partidos que ficam claramente separados dos demais nos grafos. Embora menos fisiológicos, isso não significa que estes partidos não defendam interesses capitalistas opressores. O Novo, por exemplo, é o partido de um banco, o Itaú.

Os partidos que mais aumentaram o número de chapas encabeçadas por eles foram PDT, com 6 a mais; DEM, com 6 a mais; PSL com 12 a mais; PSTU com 6 a mais e PCO com 7 a mais. O NOVO e a REDE, que ainda não estavam regulamentados em 2014, têm respectivamente 6 e 12 candidaturas encabeçadas em 2018. Muito provavelmente, o crescimento das candidaturas do PSL vem a reboque da candidatura do fascista Jair Bolsonaro à presidência pelo partido.

O partido que mais encabeçou chapas em 2014 e 2018 foi o PSOL, com respectivamente 27 e 26 candidaturas. A maior variação negativa da quantidade de candidaturas encabeçadas foi do PCB, de 14 em 2014 para 1 em 2018, consequência do crescimento das coligações com PSOL (de 4 para 16).

 

O que não mudou muito? O efeito do golpe

Dos 19 partidos que votaram majoritariamente no congresso pelo golpe que depôs Dilma, ([P]MDB, PSD, PTB, PRB, PP, PR, PTN/PODE, PSL, PHS, PPS, SD, PROS, PSB, PSC, DEM, PSDB, PV, PMB e PtdoB/AVANTE[2]) só quatro, PSDB, SD, PSL e PSC, não estão em nenhuma coligação encabeçada pelo PT em 2018. Os demais se coligaram 32 vezes com o PT no total em 2018 (contra 56 vezes no total em 2014).

O PT, por sua vez, compõe a chapa de um desses partidos em 7 estados: (PSB no Amapá, Paraíba e Pernambuco, PTB em Roraima, MDB em Alagoas, PSD em Sergipe e PR no Mato Grosso). Ele estava em coligações desses partidos em 10 estados em 2014.

 

O fisiologismo é premiado

O tamanho médio das chapas diminuiu de 4,73 em 2014 para 4,06 em 2018. O tamanho médio das chapas que venceram em 2014 era de 10,61 partidos. O tamanho médio das chapas candidatas à reeleição em 2018 nos 20 estados onde estão presentes é de 10,75 (Figura 3). É importante lembrar que o sistema premia o fisiologismo, quanto maior o número de deputados federais dos partidos somados na chapa, maior a quantidade de tempo de TV e maior a verba recebida do fundo partidário. No entanto, nem sempre a maior chapa vence, normalmente há ao menos duas grandes chapas concorrentes. As eleições democráticas burguesas são um processo complexo e cheio de variáveis. Em 2014 no Distrito Federal, por exemplo, a chapa do PSB com 4 partidos ganhou da chapa do PT com 16.

A sistematização dos dados apresentada foi feita no Excel e os grafos foram gerados e analisados pelo software de código aberto NodeXL[3]. Os dados utilizados para compor esse texto estão disponíveis para download[4], para quem desejar conferir e fazer outras análises e recortes.

 

[1]Os dados foram retirados do site http://divulgacandcontas.tse.jus.br/ no começo de setembro de 2018 e algumas candidaturas ainda não tinham sido completamente julgadas e deferidas. Portanto podem haver mudanças até o final das eleições.
[2]Segundo dados divulgados pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/impeachment-de-...
[3]O Plugin de Excel que permite gerar grafos, o NodeXL, pode ser baixado em sua versão básica gratuita pelo endereço: https://www.smrfoundation.org/nodexl/features/
[4]Links para download de dados:
=> Tabela de Excel com as Coligações de 2014 e 2018: https://www.megaupload.us/4sk/PAC_-_Coligações_2014_e_2018.xlsx
=> Grafo das coligações de 2014 agrupado em círculo: https://www.megaupload.us/4si/PAC_-_Grafo_2014_-_Agrupado_em_círculo.xlsx
=> Grafo das coligações de 2018 agrupado em círculo: https://www.megaupload.us/4sl/PAC_-_Grafo_2018_-_Agrupado_Circular.xlsx
=> Grafo das coligações de 2018 Harel-Koren: https://www.megaupload.us/4sm/PAC_-_Grafo_2018_-_Agrupado_em_grafo.xlsx

 

Lin Franco é biomédico e mestrando em comunicação e informação em saúde. É um dos fundadores e editores do Portal Autônomo de Ciências.

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Incrível, porque os partidos de esquerda na eleição da Dilma se faz com coligação maior do que agora? Porque na época a maioria entraram na coligação da Dima? Matéria tendenciosa. Isso que vocês chamam de mídia independente? Leiam sobre a marcha da família da década de 60 e verão que o mesmo movimento que esta acontecendo hoje aconteceu no passado, os Brasileiros de bem não aguentam mais ser assaltados por políticos e por uma legislação que da direitos a vagabundos e prejudica o trabalhador de bem.

Não tem nada de independente nessa página.

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